Lifelong learning

CEO e aprendiz, muito prazer

A atual geração de líderes valoriza o lifelong learning como parte essencial da sua posição e pode adotar algumas práticas para sustentar essa competência tão desejável
Chief Knowledge Officer (CKO) na HSM , Singularity Brazil & Learning Village. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes.

Compartilhar:

Recentemente, um CEO se apresentou para mim como “CEO e aprendiz voraz”. Noto que há uma geração de líderes que começa a ter orgulho de assumir que está sempre aprendendo. A evolução para a “gestão pós-moderna”, com estruturas menos hierárquicas, mais ágeis, diversas e colaborativas também reforça o aprendizado constante no C-level.

Não faz muito tempo que um CEO se assumir aprendiz causaria estranheza. Afinal, ser CEO era ser um herói inquestionável, sem humildade. Algo mudou: nunca se falou tanto sobre a importância da alta liderança se mostrar vulnerável. Se colocar como aprendiz diz muito sobre essa vulnerabilidade. Vemos a humanização da gestão começar pela principal referência da organização, dando espaço para uma figura, antes solitária, poder compartilhar e evoluir.

É indiscutível que o(a) CEO lidera em um ambiente complexo e volátil, ditado por tecnologias disruptivas, pressionado(a) a tomar decisão assertivas e sem precedentes. Além do forte desejo de realização pessoal e de equilíbrio emocional. Tudo isso exige aprendizado contínuo e em múltiplas dimensões. Para colaborar com sua jornada, elenquei três grupos de ações práticas que dão bom resultado no lifelong learning:

__1. Esteja aberto(a) e compartilhe conhecimento.__ Aprender entre pares e se tornar um mentor(a) são formas eficazes de se manter atualizado(a) e de praticar novas habilidades. Invista tempo para trocar conhecimento com outros líderes. Há iniciativas interessantes no mercado que oferecem círculos de relacionamento e de confiança para o C-level. Já ser mentor desenvolve novas conexões e permite praticar a habilidade de ensinar, de dar significado, clareza e contexto ao conhecimento. É clichê, mas quanto mais se ensina, mais se aprende.

__2. Aprenda sobre as novas tecnologias e tenha curiosidade sobre o futuro.__ É fundamental entender sobre como as novas tecnologias moldam os negócios e o que a convergência das tecnologias exponenciais é capaz de criar em prol das organizações e da sociedade. Invista em imersões que deem um overview sobre para onde o mundo está indo e as possibilidades de aplicabilidade prática. Não tema a tecnologia; conheça e aprenda.

__3. Cuide do seu repertório.__ Seja crítico com suas fontes e abasteça-se do melhor: é preciso curadoria cuidadosa e diversa do que ler e ouvir para criar seu próprio repertório – autoral, consistente e coerente com seu contexto de atuação. Vale ter referências que o inspirem, mas não se prenda a elas. Esteja aberto(a) a opções diferentes que possam lhe garantir mais originalidade.

Tudo começa, porém, pela consciência. É um bom começo entender que ser aprendiz é algo para a vida inteira. A maioria das habilidades hoje tem validade de cinco anos, e cabe aos líderes renovar suas perspectivas para garantir a relevância de suas organizações e de suas carreiras. Quantos CEOs você conhece que se apresentariam assim: “CEO e aprendiz, muito prazer”?

Artigo publicado na HSM Management nº 154

Compartilhar:

Chief Knowledge Officer (CKO) na HSM , Singularity Brazil & Learning Village. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes.

Artigos relacionados

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de junho de 2026 15H00
Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo, professor de MBA na USP/ESALQ e FIAP, palestrante e especialista em Inteligência Artificial, Transformação Digital e Produtos Digitais

9 minutos min de leitura
Liderança
24 de junho de 2026 08H00
Este artigo propõe um deslocamento essencial: mais do que acumular informação, a liderança precisa desenvolver discernimento - a capacidade de interpretar com clareza quando a pressão empurra para decisões automáticas.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Liderança
23 de junho de 2026 14H00
Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.

Denise Joaquim Marques -Consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
23 de junho de 2026 08H00
Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 15H00
Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra como o avanço da IA e da computação em nuvem está redesenhando a eficiência operacional, e por que uma nova geração de gestão de custos se tornou estratégica.

Paulo Laurentys - Chief Commercial Officer (CCO) da A3Data

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de junho de 2026 15H00
A partir de uma experiência em meio a mudanças estruturais no setor financeiro, este artigo mostra que, em cenários de alta complexidade, o papel da liderança vai além da operação, exigindo capacidade de sustentar cultura, alinhar expectativas e manter a confiança em meio à incerteza.

Victor Papi - General Manager da Transfeera

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de junho de 2026 08H00
Pagar mais já não basta, médicos estão escolhendo onde trabalhar pelo “como”, não pelo “quanto”. Este artigo revela como a disputa por médicos qualificados está sendo redefinida por fatores estruturais, organizacionais e de experiência profissional.

Rafael Duarte - CEO e fundador do Grupo RD Medicine

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão