Estratégia e Execução

Cinco medidas para otimizar o tempo na gestão de uma grande rede de negócios

Para garantir o desenvolvimento da empresa no longo prazo, algumas práticas podem otimizar processos dos mais rotineiros aos mais estratégicos, economizar tempo e recursos, além de permitir que os times se concentrem em atividades e planejamentos mais técnicos
Marcos Salles é COO e cofundador da Yungas, empresa de tecnologia especializada em gestão e comunicação de redes de lojas e franquias.

Compartilhar:

A gestão de uma grande rede de negócios – seja de franquias ou de lojas próprias – envolve diversos fatores e atividades: sem a organização e as ferramentas necessárias, as demandas do dia a dia podem consumir tanto tempo e esforço da equipe que não sobra espaço para o desenvolvimento de ações mais estratégicas, que garantam o desenvolvimento da empresa no longo prazo. Por outro lado, existem medidas que, se colocadas em prática, podem otimizar processos (dos mais rotineiros, como o atendimento a dúvidas das unidades, aos mais estratégicos, como o desenvolvimento de um sistema de health ccore para a rede), economizar tempo e recursos, e permitir que os times de gestão se concentrem em atividades e planejamentos mais técnicos.

Abaixo, listo cinco medidas para otimizar o tempo investido na gestão de uma grande rede de negócios. Confira:

## 1 – Tenha uma base de conhecimentos rica e atualizada
Em uma grande rede, com centenas de unidades e times envolvidos, é normal que surjam dúvidas a respeito de determinados procedimentos, ou mesmo pequenos problemas que, com a orientação certa, podem ser resolvidos de forma independente, sem o apoio da matriz ou de uma central. Por isso, é importante manter uma base de conhecimento completa, frequentemente atualizada e de fácil acesso, onde os responsáveis por cada unidade possam tirar dúvidas por conta própria e orientar suas equipes a utilizarem o autosserviço. Para ajudar nessa construção, comece listando perguntas ou desafios frequentes, estruturando respostas e orientações claras e simples, e atualize essa base de dados sempre que possível, incluindo uma rotina recorrente na agenda para que não seja esquecida. Essa simples ação dá escala à operação e evita que qualquer pequeno percalço gere uma onda de demandas no futuro, liberando o time de suporte, por exemplo, para atender problemas mais complexos ou que ainda não foram mapeados anteriormente.

## 2 – Disponibilize conteúdos educativos em formato de vídeo
Treinar e atualizar todos os colaboradores com frequência é essencial para melhorar a qualidade das entregas e do atendimento, otimizar processos e garantir o desenvolvimento das pessoas e da empresa como um todo. Mais estratégico ainda é enriquecer a base de conhecimento, mencionada no tópico anterior, e disponibilizar treinamentos e conteúdos educativos em vídeo: além de cumprir o objetivo de mostrar exatamente como determinados processos devem ser feitos, o registro minimiza a perda de conhecimento gerada pela eventual rotatividade de colaboradores, facilitando inclusive o onboarding de novos integrantes no time. Além disso, a produção e disponibilização de conteúdos em vídeo costuma reduzir os custos e o investimento de tempo necessários na realização de treinamentos presenciais em médio e longo prazo.

## 3 – Unifique os canais de atendimento da rede
Atender a rede por meio de diversos canais simultaneamente pode gerar desencontros e retrabalho: como ter certeza de que um problema que está sendo solucionado via e-mail por um funcionário não está sendo atendido por outro colaborador no mesmo momento, por meio de um aplicativo de mensagens pessoais? Unificar os canais de atendimento não só evita esse tipo de situação, mas também mantém na empresa o histórico de solicitações, sem perda de dados caso algum colaborador saia da companhia ou entre em férias, por exemplo – e garante até mesmo respaldo jurídico quando e se for necessário. Além disso, concentrando o atendimento em uma única ferramenta, a equipe responsável pela gestão passa a ter acesso em tempo real a métricas que permitem identificar gargalos e pensar em estratégias para melhorar a operação por várias perspectivas diferentes, como por unidade demandante, por departamento, por tipo de assunto demandado, e por responsável pelas tratativas.

## 4 – Fique de olho nos indicadores de cada unidade – e não apenas nos financeiros
Tão importante quanto atingir resultados financeiros é acompanhar se os índices de engajamento, padronização e satisfação de clientes das unidades se encontram em níveis satisfatórios, tendo clareza de quais pontos precisam ser aprimorados em cada loja. Sabemos o quão desafiador é acompanhar indicadores qualitativos em uma grande rede e que acompanhar todas as métricas de cada unidade pode demandar muito tempo – assim, o ideal é ter uma metodologia clara e um sistema de gestão que facilitem e automatizem esse processo. Manter um health score de cada unidade ajuda a rede a operar de modo mais estratégico, priorizando diferentes ações de acordo com a faixa de pontuação de cada um desses critérios de cada unidade.

## 5 – Recompense as unidades que são referência na rede
Não adianta esperar que todas as unidades atinjam determinados indicadores se aquelas que alcançam os objetivos não são recompensadas. Empresas que prosperam são aquelas que estimulam a rede, premiando e dando visibilidade às melhores unidades segundo critérios bem definidos – especialmente aquelas que mantêm boa pontuação em determinados indicadores de forma consistente no longo prazo. Uma boa prática é ter um programa de excelência bem estruturado, avaliando e premiando as unidades de forma justa e transparente: com o tempo, o próprio estímulo do programa vai servir automaticamente de combustível para que a rede se incentive a alcançar melhores resultados de forma individual, o que certamente impacta no coletivo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo