Business content, Dossiê: Experiência do Colaborador, Liderança, Gestão de pessoas

Cinco prioridades para os líderes de RH em 2022

Novo relatório do Gartner joga luz ao que mais importa na gestão de pessoas para o próximo ano. Diversidade e gestão da mudança estão entre as competências mais buscadas
Jornalista na República – Agência de Conteúdo

Compartilhar:

Pegou mal – muito mal – a decisão de Vishal Garg. CEO da empresa americana de empréstimos hipotecários Better.com, ele [demitiu cerca de 900 funcionários](https://www.revistahsm.com.br/post/fui-recorde-nos-pedidos-de-demissao-acende-um-alerta) (9% da equipe) por meio de uma grande reunião no Zoom. “Se você está nesta teleconferência, você faz parte do grupo azarado que está sendo demitido.” Garg justificou a medida em razão “do desempenho e da produtividade da equipe”, além das “mudanças no mercado”.

Mas como o episódio repercutiu mal, Garg voltou a público com uma carta aos funcionários. No texto, o executivo lamentou o erro, desculpou-se pela forma como tratou os colaboradores demitidos e disse que está “empenhado em aprender com essa situação e fazer mais para ser o líder” que os colaboradores esperam que ele seja.

A boa notícia é que a atitude de Garg não condiz com a regra. Uma [demissão em massa no Zoom](https://www.revistahsm.com.br/post/o-dia-em-que-demitimos-nossa-sede) é o tipo de coisa que nem sequer passa na cabeça de boa parte dos líderes. Pelo contrário: os responsáveis por gestão de pessoas estão cada vez mais convencidos em promover boas experiências aos funcionários, inclusive na hora da demissão. O bem-estar, a felicidade e a [gestão humanizada](https://www.revistahsm.com.br/post/a-busca-por-uma-gestao-humanizada-no-rh) estão em alta. Assim como o desenvolvimento de competências e habilidades socioemocionais e comportamentais. A rearquitetura do trabalho, com foco nessas novas tendências, deve ocupar as lideranças organizacionais nos próximos anos.

“O futuro do trabalho é o presente, não é algo que está por vir. É preciso pensar em modelos mais colaborativos, que absorvam todo o poder da tecnologia e elevem o ser humano para atividades que de fato combinem com as capacidades específicas de cada um”, comenta Luiz Barosa, sócio de capital humano da Deloitte, multinacional especializada em consultoria de gerenciamento.

Com mais de 20 anos de atuação na área, Barosa diz que projetar o trabalho com foco no bem-estar significa mais do que criar programas de atenção à saúde. Também é preciso promover a conexão – ações em que o colaborador se sinta ligado ao propósito da empresa – e o senso de pertencimento.

“Isso tem a ver com conforto, ou seja, a pessoa se sentir à vontade sendo ela mesma no ambiente de trabalho.” Segundo o executivo, é necessário que cada colaborador tenha liberdade para trazer seu background à construção de ideias. Isso aumentará a própria sensação de contribuir para algo relevante dentro da empresa.

## O que esperar de 2022
A consultoria Gartner divulgou recentemente o relatório *[Top 5 Priorities for HR Leaders in 2022: Actionable and objective advice to tackletop HR challenges](https://www.gartner.com/en/human-resources/trends/top-priorities-for-hr-leaders)*. A pesquisa contou com a participação de mais de 500 líderes de RH em 60 países e teve como objetivo descobrir quais são as prioridades do setor para o ano que se aproxima.

O report traz diversos insights. Em comum, todas as ideias reforçam a necessidade de [oferecer respostas rápidas](https://www.mitsloanreview.com.br/post/as-tendencias-comportamentais-que-prometem-moldar-os-negocios-em-2022) a cenários cada vez mais transitórios e surpreendentes nas organizações. A seguir, confira cinco prioridades do RH elencadas pelo estudo.

### 1 – Construir habilidades críticas
Essa é uma prioridade para 59% dos líderes de RH entrevistados. A preocupação gira em torno de garantir que a força de trabalho tenha as habilidades necessárias no momento certo, em um mudo em constante transformação. Nesse cenário, uma possibilidade é estruturar a gestão de talentos em torno de habilidades, não de papéis, destaca a consultoria. Isso resulta em uma equipe mais adaptável.

Para que essa estratégia funcione, é importante analisar as competências dos funcionários constantemente. Isso ajuda a obter uma visão consistente sobre o estado de habilidades disponíveis e necessárias para o bom funcionamento da organização.

### 2 – Design organizacional e gestão da mudança
Essa é uma dificuldade para 48% dos [líderes de RH](https://www.revistahsm.com.br/post/experiencia-do-colaborador-responsabilidade-do-rh-ou-da-lideranca) que participaram da pesquisa do Gartner: os funcionários estão cansados de tantas mudanças. Assim, é necessário criar uma experiência positiva em meio a tantas transições, apostando na capacidade do RH de criar confiança e coesão na equipe. Para gerar essa experiência, é necessário concentrar-se nos momentos “de verdade”, nas ocasiões que importam na construção de confiança. Além disso, é preciso capacitar as equipes para moldar as suas próprias experiências.

Outra possibilidade é ajudar as pessoas a criarem uma postura mais aberta à mudança. Segundo Barosa, da Deloitte, um ambiente com foco em bem-estar minimiza a pressão que as transformações trazem, tornando a adaptação mais fácil.

### 3 – Banco de talentos (ou melhor, de liderança)
Para 45% dos entrevistados, existe uma preocupação com a necessidade de desenvolver líderes de nível médio. As barreiras nesse sentido incluem a falta de clareza no plano de carreira, pouca exposição a líderes seniores e a falta de mentores ou suporte de carreira.

“Eu acredito que existem [dois aspectos envolvendo liderança](https://www.revistahsm.com.br/post/o-futuro-ja-chegou-saiba-o-que-e-ser-um-rh-business-challenger): olhar para o futuro, para o potencial das pessoas, é um deles. O segundo ponto está ligado às formas de desenvolver pessoas”, afirma Barosa, enfatizando a subversão lógica “aprender para trabalhar” para “trabalhar para aprender”. Assim, o protagonismo fica nas mãos do colaborador. Ele determina o seu ritmo de crescimento.

Mas, claro, as empresas têm um importante papel: o de oferecer oportunidades. “É preciso deixar as pessoas experimentarem. Estou falando de oferecer novos desafios ao longo da carreira, de mobilidade horizontal. Isso ajuda a criar líderes mais consistentes”, pontua o executivo da Deloitte.

### 4 – Futuro do trabalho
Para 42% dos líderes de RH, uma das metas para o próximo ano é criar uma estratégia mais explícita para o futuro. Nesse sentido, é preciso analisar o impacto de vários cenários potenciais e se preparar para o desenvolvimento tecnológico e para as mudanças sociais e trabalhistas. Assim, é preciso:

– Identificar o [futuro das tendências de trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/retorno-ao-escritorio-deve-ser-hibrido-com-ambientes-integrados-e-gestao) mais relevantes para o seu negócio;

– Fazer uma triagem de megatendências por relevância, impacto e oportunidade;

– Analisar essas tendências;

– Criar um planejamento estratégico.

### 5 – Diversidades, Equidade e Inclusão (DEI)
Uma prioridade que vem ganhando força nos últimos anos e que deve se manter para 2022 é a necessidade de construir times mais diversos. Para 35% dos líderes ouvidos na pesquisa, uma das maiores dificuldades é manter nas equipes os responsáveis por resultados de DEI.

Muitas organizações atualmente focam sua abordagem na responsabilidade coletiva, mas, segundo a pesquisa realizada, isso não produz resultados reais. Para alcançar os objetivos empresariais, o RH deve responsabilizar os líderes, usando uma abordagem com critérios objetivos e dados integrados para conduzir decisões de talento equitativas, estratégias personalizadas e acompanhamento do progresso das metas estabelecidas.

## Estamos mais organizados?
Nos últimos dois anos, a forma como as pessoas e as organizações passaram a enxergar o mundo e o trabalho foi significativamente transformada. Em muitos casos, o escritório passou a ser a “nuvem” e as relações entre as equipes se tornaram quase tão voláteis quanto a chuva.

No fim das contas, o grande desafio para 2022 é a retomada dos encontros presenciais. “Os RHs tiveram um cenário muito desafiador no início da pandemia, basicamente ninguém tinha se preparado para isso. A questão, agora, é criar ambientes para esse retorno ao presencial, muito provavelmente num formato de trabalho híbrido e dessa vez mais bem planejado”, finaliza Barosa.

__*O E-dossiê: Experiência do Colaborador é uma coprodução HSM Management e LG lugar de gente.*__

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução