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Como a tecnologia pode ajudar na retenção de talentos

Ferramentas digitais auxiliam o RH a evitar debandada de funcionários insatisfeitos
Michelly Dellecave é líder de pessoas e cultura na Pulses

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Os índices de demissões voluntárias estão cada vez mais altos. Foram mais de 6 milhões nos últimos 12 meses, segundo dados do Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged). A palavra de ordem do RH tem sido retenção.

Cada vez mais o setor e as lideranças têm debatido estratégias para segurar seus talentos na empresa. Mas talvez seja preciso inverter a lógica para rebater esses números.

Quando falamos em “retenção”, qual é a sensação que o termo traz? Não lembra um pouco uma prisão? O próprio dicionário define a palavra como “conservação de alguma coisa em poder de alguém, posse, reserva”.

Hoje, já sabemos que a cultura da empresa, conectada aos próprios propósitos de vida do colaborador, são os fatores mais importantes para que ele decida ficar nela. Então, priorizar e trazer o trabalhador para o primeiro plano, pensando em como proporcionar uma vivência cativante em um local onde ele possa contribuir e se desenvolver, parece mais produtivo.

Para isso, o primeiro passo é pensar na jornada do colaborador, que é medida desde o primeiro até o último contato dele com a empresa. Em todos esses momentos, é preciso criar uma experiência encantadora, para que a permanência não se dê por necessidade, mas por opção.

Como fazer isso? A resposta está em uma cultura empresarial forte, que estimule o melhor das pessoas e sirva de base para construir propósitos e valores.

A tecnologia é uma excelente aliada nesse processo, porque a cultura também é feita de estrutura e de rituais de gestão. Hoje, já temos no mercado diversas soluções que perpassam toda a jornada do colaborador e que podem ajudar a organização a promover essa experiência.

Alguns estudos mostraram, por exemplo, que a etapa de integração é essencial. Quando os primeiros dias do funcionário na empresa não são bem pensados, existem mais chances de ele não se sentir envolvido, o que leva a uma chance maior de demissão voluntária.

Hoje essa fase ainda traz um desafio extra, porque muitas empresas estão atuando de forma 100% remota ou híbrida. Mas já existem ferramentas no mercado que possibilitam medir, de forma automática, como está sendo essa vivência e as primeiras impressões do novo membro do time.

Buscar soluções inovadoras para a gestão de pessoas também ajuda a acompanhar a experiência ao longo de todas as fases. Ferramentas de escuta contínua, por exemplo, possibilitam que tanto o RH quanto os líderes consigam entender as nuances do que está acontecendo na empresa e coletar informações valiosas sobre como está sendo a vivência das pessoas na organização. Assim, fica mais fácil descobrir possíveis gargalos de atuação e fazer melhorias nos processos necessários para que elas se sintam mais felizes e produtivas.

Outra possibilidade fantástica que a tecnologia traz para esse novo mundo do trabalho remoto é o de aproximar pessoas. Existem algumas plataformas, como o Gather, que simulam o escritório em espaços virtuais. Cada colaborador tem seu avatar, que pode estar no computador, demonstrando que está focado em uma tarefa, em uma sala de reunião ou andando pelo escritório, mostrando que a pessoa está livre para conversar.

Pode parecer uma besteira, mas isso traz uma percepção maior de que as pessoas estão lado a lado trabalhando, facilitando esse sentimento de proximidade e ajudando na comunicação. Com o metaverso cada vez mais em alta, essa é uma excelente oportunidade de já se adaptar a essa nova realidade.

Além disso, existem diversos aplicativos pensados exclusivamente nos benefícios que a empresa oferece e que ajudam a promover boas experiências. Caju, Flash, Gympass e Betterfly são exemplos de organizações que ajudam a organização a ir além, pensando em saúde mental e física. Fora, claro, todas as ferramentas que auxiliam nos rituais de gestão, como reuniões de alinhamento, 1:1, feedbacks, team buildings etc.

Mas vale ressaltar que a tecnologia sozinha não faz milagre. É preciso, primeiramente, que a empresa tenha uma cultura sólida e que os líderes sejam os grandes embaixadores, disseminadores e guardiões dessa cultura.

Em segundo lugar, quando falamos de retenção de talentos, é preciso que o ambiente empresarial seja construído em conjunto com os colaboradores. Isso é feito por meio de uma escuta ativa, contínua, com pesquisas e grupos de discussão. As ferramentas tecnológicas precisam ser meras facilitadoras desse processo de gestão, que sempre foi e sempre será sobre pessoas.

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