Uncategorized
Oferecido por:

Como as cleantechs estão transformando o mundo

Também conhecidas como startups verdes, elas utilizam tecnologia limpa para aproveitar melhor os recursos, trazer eficiência e evitar desperdícios
Sócio da Redpoint eventures, Co-Fundador do Buscapé, Stanford GSB, Poli-USP.

Compartilhar:

Durante muitas décadas, a única preocupação de uma empresa foi colocar a mercadoria na rua e vender. A demanda do consumidor por rapidez, praticidade e comodidade fez com que mais e mais embalagens fossem agregadas ao produto. 

Mas os meses de isolamento nos trouxeram muitas reflexões: desde um olhar micro, analisando nossas relações intra e interpessoais, até a macro, trazendo questionamentos sobre a situação econômica e social do mundo. 

No geral, crises e inquietações são o pontapé inicial da mudança e é exatamente isso que vem acontecendo com relação aos nossos hábitos de consumo e descarte. Hoje, as práticas socioambientais ganham mais visibilidade e adeptos.

Os impactos da produção, as emissões de carbono e a gestão dos resíduos e rejeitos têm sido alguns dos critérios decisivos, tanto para quem compra quanto para quem investe. É cada vez maior o interesse de acionistas por empresas com métricas de governança ambiental, social e corporativa. 

A ESG, sigla para Environmental, Social and Corporate Governance, vem ganhando destaque e se tornando um diferencial na cotação de mercado de uma empresa. Isso porque quem se norteia por essas boas práticas tende a ser uma aposta mais sólida, resiliente às crises e com menor custo de capital.  

Mas, ao mesmo tempo em que são cobradas soluções, cresce o número de iniciativas inovadoras que usam tecnologia e são capazes de ajudar o mercado a se adaptar a esse atual cenário, as chamadas “cleantechs”. Conhecidas também como “startups verdes”, elas utilizam tecnologia limpa para aproveitar melhor os recursos de uma empresa, tornar a produtividade mais eficiente e evitar desperdícios. De acordo com o Mapeamento do Ecossistema de Startups de Cleantech no Brasil, hoje são 136 startups deste segmento. E a tendência é que esse número aumente devido à Covid-19.

## Inspiração internacional para cleantechs

Precursora no quesito políticas sustentáveis, a Europa serve de referência para o mundo. Lá, a discussão sobre a reciclagem acontece desde a década de 70, quando foram criadas as primeiras regras para a gestão de resíduos. A mais recente lei de reciclagem de embalagens vem traçando metas, diretrizes e plano de ação que respeitem cada um dos países da União Europeia. 

A lei tem como premissa a corresponsabilidade de todos, desde quem produz até quem consome, mas cabe ao poluidor pagador – que, neste caso, não é só o fabricante, mas também o distribuidor – arcar com os custos da reciclagem. 

Bom, neste momento, você deve estar pensando o quão complexo é ter acesso aos resíduos depois que eles saem da fábrica. E é aí que as cleantechs entram novamente. Desde 96, a Ponto Verde, em Portugal, por meio da compensação ambiental, se compromete a dar o destino correto para a mesma quantidade em massa de embalagens que as empresas colocam no mercado. E este é um movimento em toda União Europeia, onde, por exemplo, segundo a [Ecoembes](https://www.ecoembes.com/es/ciudadanos/envases-y-proceso-reciclaje/datos-de-reciclaje-en-espana), a Espanha saiu de 4,7% de embalagens recicladas em 1998 para 78,8% em 2018. 

**Realidade nacional para startups verdes**

Será que é possível buscar inspiração no modelo espanhol e aumentar a reciclagem no Brasil? Diferentemente da estrutura europeia, que dispõe de sistemas automatizados na separação dos tipos de materiais,por aqui a triagem é feita, praticamente, de forma manual. 

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, estima-se que o Brasil recicle apenas 3% dos materiais. 

Sem contar que a conscientização ainda vem sendo construída e a grande maioria das pessoas não sabe distinguir o que dá e o que não dá para ser reciclado. A boa notícia é que os consumidores estão cada vez mais conscientes e ativos na busca de informações sobre o impacto das marcas e querem saber o que elas têm feito em relação a isso. Exemplo disso é o estudo publicado em 2018 pelo SPC Brasil e pelo Meu Bolso Feliz, no qual se mostrou que 71% dos consumidores davam preferência a produtos de marcas comprometidas com ações ambientais e sociais e 56% chegavam a desistir da compra se a empresa adotasse práticas nocivas ao meio ambiente.

Ainda que o consumo consciente tenha um papel importante nesta mobilização, é a legislação ambiental que tem feito mais barulho. Instituída em 2010, nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi inspirada na europeia e, dentre outras coisas, atribui ao fabricante, importador, distribuidor e comerciante a responsabilidade por seus impactos no planeta.

Nesse sentido, tanto o Ministério Público, quanto os órgãos ambientais, exigem que as empresas cumpram com a logística reversa de pelo menos 22% das embalagens comercializadas.

Ao não se adequar à legislação, além do risco reputacional de forte impacto negativo para a imagem e o posicionamento da marca, há o risco potencial de multa e perda da licença de operação. Judicializações estão ocorrendo em diversos estados, como em São Paulo que, por meio das pressões da CETESB, é vanguarda na estruturação de uma solução de logística reversa. 

Para evitar essa experiência e transformar a realidade da cadeia de reciclagem, algumas cleantechs têm criado tecnologias e modelos de negócios inovadores. Uma solução que surgiu no Brasil é [o selo eureciclo](https://eureciclo.com.br/)*, única empresa brasileira nomeada como uma das [#50towatch cleantechs](http://bit.ly/50toWatch2020), uma lista global que reúne companhias que estão entregando soluções inovadoras para combater a crise climática.

Por meio desta solução, as marcas conseguem comunicar suas ações de logística reversa em suas próprias embalagens com o selo eureciclo, criando uma relação de confiança com seus consumidores. 

O selo criou uma dinâmica de equilíbrio entre a oferta de reciclagem pelas cooperativas e operadores privados e a demanda de embalagens recicladas por parte das empresas que comercializam bens de consumo. O processo possibilitou um sistema de incentivo financeiro (os certificados de reciclagem) para toda a cadeia e garantiu compensação ambiental das embalagens. 

O selo eureciclo tem auxiliado empresas a se adequarem à [Política Nacional de Resíduos Sólidos](http://blog.eureciclo.com.br/2018/09/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-politica-nacional-de-residuos-solidos-pnrs/?utm_source=blog&utm_medium=blog-post&utm_campaign=organico&utm_content=interno-compensacao-ambiental-nao-e-so-plantar-arvores&utm_term=persona_b2b) com as metas de reciclagem (evitando processos frente ao Ministério Público e dificuldade de obtenção de licença ambiental frente aos órgãos ambientais), além de levar mais qualidade, dignidade e segurança aos que trabalham em cooperativas e operadores parceiros.

E todo mundo ganha: a cadeia de reciclagem se fortalece, as empresas cumprem com suas metas e comunicam de forma mais estruturada suas ações de sustentabilidade e o consumidor pode escolher produtos de marcas que se preocupam com uma cadeia tão importante para o nosso futuro. 

São exemplos como esses que mostram que temos a capacidade e a tecnologia para mudar este cenário. Agora, precisamos de mais empresas engajadas em diminuir a emissão de poluentes e aumentar a qualidade de vida do planeta. 

A corrida das metas agora é outra. E, só para avisar, ela já começou!

* *A eureciclo é uma empresa investida pela Redpoint eventures*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Cultura organizacional
3 de outubro de 2026 14H00
Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance
3 de outubro de 2026 08H00
Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de outubro de 2026 14H00
Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por: POK
11 minutos min de leitura
Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução