Transformação Digital

Como as empresas tradicionais podem competir com as startups

Elas têm um desafio crescente: extrair o melhor dos sistemas legados e, ao mesmo tempo, dar o salto de modernização que a jornada digital exige. Líderes de TI precisam cada vez mais saber orquestrar o “antigo” com a mentalidade das startups
GVP e Gerente Geral da Rimini Street América Latina

Compartilhar:

Não é à toa que a expressão “transformação digital” se popularizou nos últimos anos. Promover essa jornada digital para clientes e para o mercado em geral não é questão de opção, mas de sobrevivência.

A forma como a pandemia catalisou essa necessidade de transformação não deixa dúvidas quanto à nova realidade que se estabeleceu em empresas dos mais diversos portes e setores.

Mas como fazer com que a tão falada transformação digital aconteça na prática em grandes empresas ditas tradicionais, que são complexas e possivelmente mais lentas para se adequar a mudanças?

Como extrair o maior valor possível do legado que elas carregam em um mundo cada vez mais digital, em que as startups são consideradas sinônimo de inovação e modernidade justamente porque já nasceram sem o “peso” da tradição?

## FAZER O DINOSSAURO VOAR
Uma das reflexões que proponho para enfrentar esse dilema é trazer para dentro das corporações a mentalidade de “fazer o dinossauro voar”, uma analogia que remete à força e ao peso desses velhos animais que habitaram o planeta há milhões de anos.

Hoje a ciência sabe que alguns dinossauros tinham certa capacidade de voo. Mas eram relativamente pequenos, para os padrões da época. Os enormes e temidos pterossauros voavam, porém, tecnicamente, eles não eram dinossauros, mas outra ordem de animais.

Imagine então se um tiranossauro ou um carnotauro pudessem voar? Agora imagine se as grandes corporações consideradas tradicionais ou mesmo engessadas pudessem incorporar ao seu DNA a modernidade trazida pelas startups? Isso seria fazer o dinossauro voar! É o que se espera da nova onda de líderes de TI que está chegando ao comando das grandes empresas: que eles tenham a habilidade para unir e orquestrar o novo e o “velho”.

Essa mentalidade será um diferencial para os líderes de tecnologia, que têm grandes desafios no dia a dia. Um deles, por exemplo, é manter os sistemas legados de gestão, sustentação ou retaguarda funcionando sem problemas ou interrupção. Dessa forma, eles liberam a equipe de TI para funções mais estratégicas na corporação, aquelas voltadas ao crescimento do negócio.
A questão é que isso, invariavelmente, passa pela jornada digital, por iniciativas que aprimorem a experiência do cliente e pela eficiência operacional, o que contempla inclusive melhorias logísticas.

Ou seja, o ERP (Enterprise Resource Planning, software integrado de gestão empresarial) e o sistema legado não podem ser um estorvo que proíba ou dificulte a empresa de “voar”. Ambos devem ser aliados dessa transformação.

A seguir elencamos alguns pontos que podem auxiliar o CEO a viabilizar e promover essa transformação:

– Procure alternativas ao serviço de suporte do fabricante de ERP. Há no mercado opções mais abrangentes, completas e consultivas, que permitem que a TI desempenhe um papel mais estratégico e alinhado às prioridades de negócios. De acordo com a consultoria de TI Gartner, o mercado de suporte independente deve crescer significativamente nos próximos anos e atingir a marca de US$ 1,05 bilhão até 2023.
– Analise a viabilidade e os benefícios de migrar a infraestrutura para a nuvem. Opte sempre por provedores agnósticos. A consultoria IDC prevê que os gastos mundiais totais em serviços em nuvem (pública e privada) – incluindo os componentes de hardware e software que sustentam a cadeia em nuvem – ultrapassarão US$ 1,3 trilhão em 2025, mantendo uma taxa de crescimento anual de 16,9%. Portanto, não deixe de considerar a nuvem, mas em todo caso analise questões como custos, benefícios, segurança e alternativas disponíveis no mercado.
– Invista na construção de um data lake. Isso permitirá à empresa reunir dados de diversas fontes com flexibilidade, facilidade de acesso e cruzamento de conteúdo, transformando informações em conhecimento e insights de negócios. O que o Gartner chama de “inteligência de dados aumentada” é uma das tendências de TI que o instituto apontou para estar no radar dos líderes de tecnologia em 2022. Trata-se de uma combinação de várias tecnologias que facilitam o processamento avançado de dados em cima de um data lake/plataforma, além de permitir a entrega de informações valiosas, previsões e sugestões de negócios para melhorar a tomada de decisão.
– Entenda que a jornada digital em si não está no ERP, mas nas aplicações ao redor dele. Portanto, não ceda a pressões do fabricante de software de fazer uma nova implementação para a versão mais recente do sistema de gestão se isso não fizer sentido para o crescimento do negócio. Lembre-se: novas implementações de ERP são caras, morosas e podem não justificar o ROI. Se o ERP atual é robusto, seguro e confiável, maximize o investimento já feito.
– Direcione novos investimentos para tecnologias e projetos que se revertem diretamente em crescimento para o negócio, e não em sistemas de back-end. Se você não quer perder a onda da transformação digital, priorize investimentos em tecnologias que privilegiem a experiência do usuário e a excelência operacional da empresa. Tecnologia só tem utilidade como facilitadora, como meio. Nunca como fim por si só.
– Faça a transformação ser centrada em pessoas. De acordo com a Forrester, o papel de TI como função de back-office também está se transformando. As empresas esperam que a tecnologia seja uma conexão com as partes interessadas, desde colaboradores até os clientes. Em 2022, a Forrester aposta que uma forte tendência é os líderes direcionarem seus investimentos pensando nas pessoas. Cada vez mais eles usarão a experiência do cliente (CX) e a experiência do funcionário (EX) como principais direcionadores de investimento.

Toda a liderança da empresa, principalmente os CEOs, precisa estar engajada na estratégia de otimização e foco em crescimento, com coragem para fazer diferente em vez de apenas repetir padrões. Pense nisso e mãos à obra para fazer o dinossauro voar?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Ou você constrói um ecossistema de parceiros ou será engolido por um

Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo