ESG

Como ESG pode impactar na reputação das marcas e na satisfação do cliente

A experiência do consumidor e a agenda ESG se entrelaçam quando os consumidores escolhem consumir e se associar a marcas sustentavelmente responsáveis, que buscam um propósito e têm um olhar mais humano e consciente
Vinícius Tolentino é especialista em ESG, diversidade & inclusão, líder e consultor na Impulso Beta.

Compartilhar:

O cenário atual mostra um mundo em constante evolução, no qual consumidores e empresas buscam mais do que simples transações comerciais. A emergência do ESG (governança ambiental, social e corporativa) como um pilar central nos negócios não é uma simples tendência: é uma demanda.

A Pesquisa Global de Insights do Consumidor da PwC, divulgada este ano, mostra que 70% dos entrevistados estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis. Outro levantamento, da EY Future Consumer Index, feito em 2021, revela ainda que 84% consideram a sustentabilidade ao tomar decisões de compra.

A conscientização ESG está transformando a maneira como os consumidores percebem as empresas. Uma pesquisa da Data Makers de 2023 apontou que a imagem da marca e a reputação corporativa são as principais motivações para a adoção de práticas ESG no Brasil.

Segunda a pesquisa, em relação aos atributos associados à imagem da organização, “imagem de marca” (85%) e “reputação corporativa” (65%) são as duas principais razões para a adoção de práticas ESG nas empresas. As outras são “melhora na gestão da empresa” (59%) e “reputação de riscos” (38%).

Os estudos revelam que a nova era dos negócios exige um conjunto de responsabilidades corporativas que vão muito além do lucro. Por isso, o ESG tem se posicionado no centro das estratégias corporativas. E ao considerarmos o atendimento ao cliente, não é diferente.

O ESG e a experiência do cliente (CX) se entrelaçam quando consumidores escolhem se associar a marcas responsáveis. A responsabilidade ESG se tornou mais do que uma simples iniciativa; é um compromisso total, desde as operações diárias até a alta direção. O sucesso do cliente é um reflexo dessa dedicação, abrangendo aspectos ambientais, sociais e de governança.

Isso porque o consumidor consciente de hoje procura não apenas produtos de qualidade, mas também empresas que refletem seus valores. A prática sustentável tem um impacto direto nas decisões dos clientes. É uma busca por propósito, um olhar mais humano e consciente.

Dessa forma, empresas que incorporam ESG em suas estratégias de atendimento proporcionam uma experiência mais rica para seus clientes. Além disso, tais ações fortalecem a marca, atraem e retêm talentos, e posicionam a empresa como líder em inovação e responsabilidade.

Incorporar os princípios ESG em operações de atendimento ao cliente é mais do que uma tendência; é uma necessidade em um mundo cada vez mais voltado para a sustentabilidade. Baseado na minha experiência na área e em boas práticas do mercado, trago abaixo algumas possíveis estratégias e ações práticas que podem ser incorporadas para qualquer tamanho ou setor de empresas:

## Ambiental
– __Digitalização:__ a transição para plataformas digitais elimina a necessidade de papel, contratos físicos, faturas e manuais. Este passo simples, além de modernizar a operação, reduz o desperdício e a pegada de carbono.
– __Produtos ecológicos:__ ao promover e priorizar produtos ou serviços que minimizem o impacto ambiental, as empresas não só apoiam práticas sustentáveis, mas também incentivam os clientes a fazer escolhas mais verdes.
– __Educação:__ orientar os clientes sobre o uso responsável e sustentável dos produtos pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir o impacto ambiental geral.
– __Redução de viagens:__ optar por reuniões virtuais para minimizar a pegada de carbono relacionada a viagens de negócios e visitas ao cliente.
– __Autoatendimento digital:__ por meio de chatbots, FAQs e outras ferramentas online, os clientes têm suas necessidades atendidas de maneira eficaz, reduzindo a demanda por recursos físicos.

## Social
– __Diversidade, equidade e inclusão:__ implementar treinamentos específicos pode garantir que cada cliente seja tratado com igualdade e respeito, independentemente de sua origem, crença ou gênero.
– __Recrutamento:__ as práticas de contratação devem refletir o compromisso da empresa com a diversidade e inclusão, assegurando uma representação equitativa de todos os segmentos da sociedade.
– __Métricas e KPIs:__ o feedback dos clientes pode oferecer insights inestimáveis sobre suas expectativas em relação ao ESG, permitindo que as empresas ajustem suas operações de acordo.
– __Acessibilidade:__ uma plataforma que atende a todos, inclusive pessoas com deficiências, não só é um requisito legal em muitos lugares, mas também reflete os valores de uma empresa inclusiva.
– __Empatia e localização cultural:__ compreender e respeitar as nuances culturais pode fortalecer a relação entre empresa e cliente, conduzindo a experiências mais significativas e personalizadas.
– __Parcerias com ONGs:__ cooperar com organizações sem fins lucrativos pode resultar em iniciativas que beneficiem tanto a empresa quanto a comunidade ao redor.
– __Treinamento:__ entender quais são os objetivos da empresa e deixar isso muito claro internamente. Se tem políticas específicas, elas devem ser desencadeadas.

## Corporativa
– __Políticas e prática:__ estabelecer políticas claras, transparentes e éticas, juntamente com um código de conduta firme que promova a integridade em todos os níveis.
– __Treinamento contínuo:__ equipar as equipes de CS, CX e suporte com as informações mais recentes e as melhores práticas podem garantir que a empresa esteja sempre à frente quando se trata de regulamentos e padrões do setor.
– __Privacidade do cliente:__ as informações do cliente são confidenciais e devem ser tratadas como tal, garantindo sua proteção e uso ético.
– __Feedback transparente:__ canais abertos para feedback garantem que os clientes sejam ouvidos, e suas opiniões sejam usadas para impulsionar mudanças positivas na empresa.
– __Comunique suas práticas:__ as empresas que incorporam práticas sustentáveis em suas operações e comunicam efetivamente esses compromissos a seus clientes podem colher benefícios significativos em termos de lealdade, reputação e lucratividade. Ao adotar práticas ESG, é crucial evitar o “greenwashing” e o “greenhushing”. Enquanto o primeiro envolve falsas afirmações sobre iniciativas verdes, o segundo refere-se à ocultação de esforços genuínos de sustentabilidade.

Estas são algumas iniciativas que trazem impacto no atendimento ao cliente e na reputação das marcas. Em um mundo em constante evolução, a expectativa não é apenas que as empresas se adaptem, mas que liderem o caminho para mudanças positivas. O ESG tornou-se mais do que um mero conjunto de práticas empresariais; é agora uma medida da responsabilidade de uma empresa e de seu compromisso com o futuro. No contexto de CS, CX e suporte, isso significa entrelaçar o ESG na tapeçaria de cada interação com o cliente.

Em uma época de desafios sem precedentes, o ESG é mais do que apenas um termo de moda – é um imperativo. Para realmente acelerar a agenda ESG, a liderança em todos os níveis deve ser nutrida, uma cultura de sustentabilidade deve ser enraizada e recursos devem ser alocados de forma eficaz.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo