Uncategorized
Oferecido por:

Como expandir o uso da metodologia ágil

Essa nova forma de trabalhar pode se tornar a norma de sua organização, mas isso exige um novo modelo operacional e uma nova liderança.

Compartilhar:

A metodologia ágil (ou “agile”, em inglês) já mostrou seu valor para além das fronteiras de alguns setores de atividade específicos, diretamente relacionados como seu surgimento, como o de software.

No entanto, quando as empresas expandem o ágil, já vencida a fase piloto, costumam enfrentar desafios importantes, principalmente tensões entre equipes que trabalham em modelos tradicionais e as que já incorporaram a nova abordagem.
Nesse ponto de inflexão, a liderança sênior acaba se vendo diante de uma escolha decisiva: limitar o uso do agile – e, consequentemente, seus benefícios, como velocidade, foco no cliente e engajamento dos funcionários – ou buscar um valor ainda maior, mudando o modelo como um todo, para que a nova metodologia seja a norma, em vez da exceção.

Nesse caso, o compromisso com um novo modelo operacional requer uma abordagem transformacional, liderada por quem está no topo da hierarquia da organização.

**O HISTÓRICO**

Quando um cliente ou um desafio de negócio requer contribuições de diferentes partes da empresa, a lógica é reunir pessoas de múltiplos departamentos e empoderá-las para encontrar a melhor solução.

Os desenvolvedores de software abraçaram essa ideia faz tempo, criando equipes multidisciplinares com ritmos de funcionamento diários e semanais para gerar produtos mínimos viáveis [MVPs, na sigla em inglês] a melhorar com o feedback dos consumidores.

Essa forma de trabalhar aumenta o foco no cliente, a orientação para o resultado e o empoderamento das equipes. Aplicativos que emergem desse processo atendem muito melhor as necessidades dos consumidores do que aqueles desenvolvidos com base em metodologias convencionais.

Descobriu-se que o que é bom para as empresas de tecnologia e para as startups também pode ser bom para as companhias tradicionais. Os bancos talvez tenham sido as primeiras organizações fora do universo tecnológico a se engajar na metodologia ágil, mas a abordagem já se expandiu para uma boa gama de setores que entraram no mundo digital.

Até agora, no entanto, a maioria das empresas limita o uso da metodologia ágil a atividades corporativas típicas, como marketing, gestão de produto e tecnologia da informação. À medida que é disseminada, a metodologia ágil pode ir assumindo contornos diferentes, dependendo da natureza do trabalho. No entanto, o que o conceito de ágil significa para marketing, gestão de produto e TI, por exemplo, é diferente do que representa para um contact center ou para as operações. Os princípios norteadores se mantêm, mas deve haver adaptações.

Em diversos segmentos, o retorno tem compensado o esforço para colocar a metodologia ágil em prática. Empresas que adotaram essa abordagem em escala conseguiram elevar a satisfação do cliente e entregar produtos de melhor qualidade em prazos mais curtos e, ao mesmo tempo, obtiveram maior eficiência e engajamento dos funcionários.

**O MODELO OPERACIONAL**

Todas as empresas devem começar a adotar a metodologia ágil como projetos piloto, como se sabe. Mas elas não podem ficar presas a isso para sempre. Em algum momento, precisarão decidir se vão dar os passos seguintes e fazer com que esse novo modo de trabalhar ganhe escala.

O restante da organização pode ficar ressentido quando os times agile passarem a tomar decisões e avançar mais rapidamente, e à medida que sejam destinados a essas equipes recursos que, de outras formas, seriam dedicados a iniciativas mais tradicionais, no estilo de fazer negócios “como sempre foi feito”.

Da mesma forma, quando cresce o número de equipes ágeis, é mais difícil fazer a gestão delas como se fossem exceção. Muitas vezes ocorre de a burocracia interna assumir novamente o controle e os benefícios da abordagem ficarem cada vez mais reduzidos até desaparecerem. Além disso, o moral das equipes ágeis cai com a volta das hierarquias e de um processo mais lento de tomada de decisões.

Por isso, fazer a gestão tanto do trabalho tradicional como daquele baseado na metodologia ágil é um desafio para as empresas. As opções são isolar o agile em partes relativamente separadas da organização ou adotar plenamente essa abordagem e permitir que ganhe escala.

A metodologia ágil é um modo diferente de trabalhar que requer mudanças na cultura corporativa, nos valores e nos comportamentos. Permitir que essas mudanças ganhem escala requer, por sua vez, transformações no contexto em que as pessoas trabalham. E o único modo é transformar o modelo operacional da empresa _[veja quadro abaixo]_.

As organizações precisam mudar as estruturas e papéis subjacentes, assim como os sistemas, a governança, os mecanismos de financiamento e os planos de carreira. Somente assim a metodologia ágil pode se tornar dominante. São transformações que demandam o compromisso pleno da presidência e de outras lideranças seniores. 

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/46d69323-b907-4838-9a7d-8e1c9ab0317d.png)

Nesse caso, um processo transformacional de cima para baixo pode parecer contraintuitivo. Afinal, o objetivo da metodologia ágil é empoderar, e não controlar as equipes. No entanto, a mudança do modelo operacional só pode ser bem-sucedida quando liderada pela alta direção.

Essa transição é capaz de causar medo nas pessoas, especialmente nos líderes, mas possibilita às empresas conquistar plenamente o valor da ágil em toda a organização.

**O PAPEL DOS LÍDERES**

O exercício da liderança é diferente em uma organização ágil. Um papel chave a ser desempenhado pelos gestores no novo cenário é o de assegurar o alinhamento em torno do propósito, da estratégia e das prioridades.

Os líderes precisam transmitir o que querem e por que, para, então, empoderar suas equipes a encontrar a melhor forma de alcançar o objetivo traçado. Quanto maior o alinhamento criado pelos gestores, maior o grau de autonomia que poderão garantir.

Os líderes podem, muitas vezes, ficar limitados às fronteiras de suas áreas e ser avessos aos riscos, agindo motivados apenas por suas próprias métricas de desempenho. Afinal, eles ascenderam na organização atuando segundo abordagens frequentemente contrárias aos princípios da metodologia ágil.

Esses executivos precisam, porém, passar a estabelecer objetivos e parâmetros claros e, a partir daí, dar às equipes ágeis a responsabilidade e os recursos necessários para que se alcancem os objetivos definidos.

Ao oferecer apoio explícito aos times ágeis, eles devem demonstrar abertura ao novo, confiança e espírito de colaboração. Nem todos os líderes conseguem fazer essa transição. Uma empresa asiática, por exemplo, que passava por um processo de transformação com base na filosofia ágil, substituiu 25% de seus 40 líderes mais importantes por profissionais que representavam melhor os princípios da metodologia, como espírito de colaboração e trabalho em equipe. 

A média gerência também enfrentará desafios. Aqueles que cresceram profissionalmente dentro de silos precisarão aprender como fazer a gestão de equipes multifuncionais e delegar a tomada de decisão para funcionários que atuam próximos à linha de frente. É possível até mesmo que tenham de voltar a realizar tarefas cotidianas em vez de apenas gerenciar outras pessoas. As atividades de coordenação, que consomem tanto tempo dos gestores, tendem a ser resolvidas dentro dos times (ou entre os times).

**OS PASSOS DA MUDANÇA**

Embora a metodologia ágil proponha um modo fundamentalmente novo de trabalhar, muitos dos passos necessários para se tornar uma organização ágil são familiares a qualquer executivo que já tenha passado por uma transformação organizacional bem-sucedida. Os conceitos de compromisso, desenho, preparação e aprimoramento _[veja quadro abaixo]_ são variações de qualquer grande mudança.

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/19836b1c-1677-4ac2-9327-c3eb94ca09ef.png)

O que difere é que a transformação em si precisa ser conduzida com base na metodologia ágil. Uma premissa dessa abordagem é que o aprendizado com base em tentativa e erro é a melhor forma de achar respostas para perguntas-chave. Além disso, a transformação deve se basear em um processo mínimo viável de análise, capacidades e tecnologia.

A iteração é central na filosofia ágil. Uma vez que a organização adote os primeiros passos no sentido da transformação, o processo deve se desdobrar em aprimoramento e ajustes contínuos. A disposição para se adaptar é a razão de ser de uma transformação baseada no ágil e de uma mentalidade ágil de liderança.

**VOCÊ ESTÁ PRONTO?**

Somos otimistas em relação à adoção da metodologia ágil no universo corporativo. A razão para isso é simples. Temos observado companhias que conseguem maior engajamento dos funcionários, aumento da qualidade dos produtos, prazos de entrega mais curtos e desempenho financeiro mais robusto.

Mas sabemos, ao mesmo tempo, que transformações baseadas no agile, de cima para baixo, são desafiadoras. Os líderes precisam refletir se estão dispostos a se comprometer inteiramente com novas formas de trabalho e gestão – e se a organização tem condições de passar ilesa por uma transformação desse tipo.

Em um mundo digital, a escolha é clara. A metodologia ágil oferece duas vantagens decisivas: o alinhamento que garante que a alocação de recursos e a estratégia estão alinhadas e a autonomia para promover a agilidade necessária em uma economia que se move rapidamente.

Tudo começa sempre a partir de uma série de projetos piloto, como muitas organizações têm feito. Mas é necessária uma transformação em larga escala para se colher as recompensas e o valor dessa nova forma de trabalhar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de setembro de 2026 08H00
Entre ciência da felicidade, burnout, inteligência artificial e futuro do trabalho, a 4ª edição do Mind Summit deixou à autora uma pergunta maior: em um mundo saturado de informação, como distinguimos evidência, narrativa e ideias realmente capazes de mudar a forma como trabalhamos?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

8 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de setembro de 2026 14H00
Muitas organizações possuem metas claras, planejamento estruturado e prioridades bem definidas, mas continuam enfrentando dificuldades para transformar estratégia em resultado. O problema raramente está na falta de entendimento. Está na capacidade de mobilizar pessoas, construir segurança psicológica e criar uma cultura em que colaboradores se sintam parte da solução, e não apenas destinatários das decisões.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Geopolítica
20 de setembro de 2026 08H00
A disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, a transição energética e a corrida pela inteligência artificial estão redefinindo o equilíbrio global de poder. Nesse cenário, o Brasil reúne uma combinação rara de recursos estratégicos - energia limpa, minerais críticos e capacidade produtiva - que pode transformar sua posição internacional.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

Oferecido por:
7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução