Desenvolvimento pessoal
Oferecido por:

Como Formar as Próximas Gerações

Entenda as diferenças entre o que as empresas, as universidades e os estudantes querem da educação

Compartilhar:

**Vale a leitura porque…**

… muitos jovens graduados em universidades de excelente reputação têm ficado desempregados.

… as empresas alegam que não querem elas ter de investir no desenvolvimento de seus funcionários, por poderem perdê-los rapidamente.

… os gestores esperam que os novos colaboradores cheguem prontos para trabalhar tecnicamente.

… nem todos concordam que o papel profissionalizante cabe às universidades. Com mais jovens querendo empreender, o ideal é ensinar-lhes a aprender continuamente. 

Todos os anos, milhares de estudantes se formam nas melhores universidades do mundo inteiro. Uma parcela importante desses jovens profissionais, porém, acaba desempregada ou em posições que não estão à altura da educação a que teve acesso. 

Diante disso, algumas perguntas precisam ser feitas. O que os empregadores querem? E, além disso, será que as empresas têm a percepção de que as instituições de ensino superior estão desenvolvendo nos estudantes as capacidades de que elas precisam? 

“Talvez essas não sejam as questões corretas”, alerta Jake Schwartz, presidente da General Assembly, instituição educacional com sede em Nova York e atuação global, com cursos nas áreas de design, marketing e tecnologia. 

Para ele, deve-se perguntar antes se a missão da educação superior é preparar as pessoas para as capacidades de que elas acreditam precisar no século 21 – um tempo, enfatiza, guiado por modismos. “Acho que a maioria dos que atuam na área educacional responderia que não – ou, ao menos, não diretamente”, explica. 

Schwartz evidencia algo simples: a academia e o mundo do trabalho não estão concordando sobre qual é o “problema número um” a ser enfrentado na formação dos futuros profissionais. 

O executivo da General Assembly pondera que continua a existir um papel relevante da educação de espectro amplo, estruturada sobre disciplinas essenciais (linguagem, matemática e ciências), valores humanistas e artes. “Essa é a base do sistema educacional norte-americano e, em vários sentidos, é uma coisa boa, algo que não deve ser abandonado”, afirma. “Também acredito que nenhum de nós gostaria de abrir mão do espaço enorme que há para a pesquisa acadêmica em nossa sociedade.” 

Santiago Iniguez, diretor da IE Business School, de Madri, Espanha, é outro que faz questão de enfatizar o valor da chamada educação generalista. Para ele, não cabe às universidades “apenas a preparação para o mercado de trabalho; elas devem cuidar do desenvolvimento pleno e integral do indivíduo”. 

**O QUE AS EMPRESAS QUEREM**

Talvez a ideia de que as empresas desejam a mera formação profissionalizante não corresponda inteiramente à verdade.

Na avaliação de Robert Lytle, diretor de educação da consultoria Parthenon-EY, uma formação baseada nos conhecimentos e valores essenciais é o que a maioria das organizações busca nos candidatos, ainda que os próprios empregadores não se deem conta disso com clareza. 

“É comum que os gestores de empresas não consigam articular com precisão o que estão procurando, mas eles sempre mencionam capacidades como a de resolver problemas, a de trabalhar em grupo, a de se comunicar etc. É isso que uma educação generalista oferece”, afirma. 

Ainda que as empresas realmente valorizem essas habilidades inconscientemente, elas têm temores e objeções significativos em relação a uma formação mais generalista. Um aspecto relevante, por exemplo, é a desconfiança quanto à qualidade dos cursos desse tipo, aponta Lytle. “Há evidências empíricas de que estudantes desses cursos não apresentam os avanços desejados no que se refere ao pensamento crítico. Além disso, eles careceriam de experiências relacionadas com o mundo real”, diz. 

Agora, de fato costuma ser destacada a falta de preparo dos estudantes em habilidades específicas do trabalho, de acordo com Lytle; é muito frequente que as empresas digam precisar que os candidatos tenham maior profundidade em conhecimentos específicos. 

Rya Conrad Bradshaw destaca a novidade disso. Hoje, em geral, as organizações esperam que o candidato já “chegue voando”, segundo ela. “Isso porque, conforme nossas pesquisas mostram repetidamente, as empresas estão menos dispostas a investir em seus profissionais, pois as pessoas ficam cada vez menos tempo nos empregos, principalmente quando são mais jovens”, explica. 

Bradshaw é vice-presidente da Fullbridge, empresa de tecnologias educacionais que ajuda jovens adultos a atacar seus gaps em relação ao mundo do trabalho. 

**O QUE OS JOVENS QUEREM**

Se as universidades atenderem as organizações com uma formação mais profissionalizante, o que acontecerá quando os estudantes não desejarem empregos tradicionais nas empresas?

A questão é levantada pelo diretor de educação do Google, Jaime Casap. “A ideia de que estamos preparando nossas crianças para funcionar como uma engrenagem das organizações pode não fazer o mesmo sentido que fazia no passado”, diz ele. 

“Se você observar a geração Z [nascida entre 1990 e 2010], por exemplo, vai ver que 42% desses jovens querem abrir o próprio negócio. Atualmente, cinco pessoas com laptops e algum espaço em um servidor em nuvem podem dar início ao que bem entenderem”, acrescenta. 

Diante de um cenário em que a maioria dos jovens deseja se tornar empreendedor [no Brasil, 21% dos jovens querem se tornar empreendedores, segundo a pesquisa Empresas dos Sonhos dos Jovens 2015, feita pela Cia de Talentos], o sistema de ensino deve prepará-los principalmente para aprender durante toda a vida, sugere Casap. E, nesse caso, uma formação generalista e ampla é muito mais útil. Além disso, destaca o executivo do Google, os próprios estudantes estão em busca de uma experiência baseada em competências. 

Iniguez acrescenta que é importante olhar não apenas para os jovens (a geração Z), mas também para os veteranos. O diretor da IE Business School acredita que boa parte das oportunidades para novos cursos e programas educacionais reside no atendimento às necessidades da população adulta, o que vale tanto para os países desenvolvidos como para aqueles em desenvolvimento. “O grande desafio para os educadores é como manter os adultos com espírito empreendedor e atualizados quanto a seus conhecimentos e habilidades”, afirma ele. E a educação generalista entra em pauta novamente. 

**EXISTEM SOLUÇÕES?**

Levando em conta o desejo das empresas, das universidades e dos estudantes, qual a solução? Os estudantes devem manter uma graduação generalista e recorrer ao MBA assim que terminarem a faculdade, para que possam adquirir as habilidades do mundo do trabalho que as empresas tanto procuram nos candidatos?

Não. Os especialistas concordam que, antes do MBA, é melhor primeiro ganhar alguns anos de experiência de trabalho. Segundo, Bradshaw, da Fullbridge, “a ideia de que, para se tornar competitivo no mercado, alguém precisa obter um MBA logo após a graduação não é justa com quem ainda está aprendendo”. 

Ao pensar em justiça, Bradshaw e Schwartz, da General Assembly, questionam se os programas de MBA devem durar tanto quanto duram e ter um custo tão alto como o que se vê atualmente.

Schwartz fala da própria experiência em um MBA de primeira linha. “O curso é inchado; tem muita gordura”, afirma. Segundo ele, nas primeiras 12 semanas, os estudantes têm de fato um aprendizado intenso, em que discutem problemas do mundo real, mas, depois, “tudo muda de forma rápida e surpreendente para caça de empregos, bebedeira e algumas viagens”. 

De todo modo, “os programas de MBA conseguem traçar muito bem um caminho para a carreira dos estudantes, e fazem isso desde o início do curso”, conforme destaca Bradshaw, acrescentando que os cursos de graduação deveriam aprender com os MBAs como fazer uma boa conexão com as empresas. 

Enquanto isso, companhias como o Google e muitas startups vêm tentando encontrar novas formas de avaliar os candidatos a um emprego, que não passem por onde ele estudou. Como assinala Casap, depois de dois anos que uma pessoa está trabalhando no Google, “não há mais correlação entre seu desempenho escolar, sua formação e como ela se sai na empresa”. O diploma de curso superior ficará dispensável? 

**Você aplica quando…**

… dedica-se a entender como se formam capacidades importantes como a de resolver problemas, a de atuar em equipe, a de tomar iniciativas e a de se comunicar.

…. deixa de recrutar com base no prestígio da universidade cursada por um estudante, buscando um processo de seleção baseado nas reais habilidades e conhecimentos do candidato.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução