Comunidades: CEOs do Amanhã, Gestão de pessoas

Como líderes podem ajudar suas equipes a serem mais felizes

Funcionários felizes são mais produtivos, porém, necessitam de líderes engajados, verdadeiros e que saibam ouvir ativamente seu time
Formada em Engenharia Elétrica pela UFMG com MBA pelo Insead (Singapura e França), atua como consultora na Bain & Company. Participante dos programas Valuable Young Leader e One Young World.

Compartilhar:

Como minha primeira coluna neste espaço, antes de iniciar, acho importante alinhar alguns pontos com você, leitor:

– Primeiro ponto: Felicidade é um conceito amplo e pode ter várias interpretações. Para simplificar a discussão, usarei a definição do dicionário: “fe·li·ci·da·de (sf): Estado de espírito de quem se encontra alegre ou satisfeito; alegria, contentamento, júbilo.”

– Segundo ponto: Não acredito que seja possível se responsabilizar pela felicidade das pessoas que fazem parte de suas equipes, mas, considerando que essas pessoas passam cerca de metade das suas horas acordadas no trabalho, essa atividade tem, sim, um impacto muito grande na felicidade pessoal.

– Terceiro ponto: Não existe uma fórmula mágica para deixar sua equipe feliz, apenas acredito que existem algumas ferramentas e ações que podem ajudar a chegar lá.

Agora, para tratar deste assunto, sobre mim: sou mulher, formada em engenharia elétrica e tenho 29 anos. Já trabalhei em diversas empresas como Ambev, General Electric, Bain & Co, startups no Brasil, Holanda e Estados Unidos, e conheci diversos líderes nestas empresas.

Mesmo trabalhando em ambientes tão diferentes, alguns mais estruturados, outros mais livres, em todos, pude observar um elemento comum: o [impacto da liderança na constituição de um ambiente de trabalho propício](https://www.revistahsm.com.br/post/demanda-por-talentos-como-encontrar-a-funcao-correta-para-cada-pessoa), promovendo maior engajamento da equipe e, consequentemente, a felicidade de todos.

Estudos comprovam que um time mais feliz não só é mais engajado, como também entrega resultados melhores. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, funcionários felizes são, em média, 31% mais produtivos. A partir da minha experiência e da leitura de alguns livros e artigos, fiz um apanhado das ações que considero importantes para deixar um time mais feliz.

## Conheça cada indivíduo da sua equipe
Conhecer as pessoas começa por saber as preferências de trabalho de cada um: o horário em que a pessoa prefere começar a trabalhar, o meio de comunicação mais efetivo fora do horário comercial (e-mail ou whatsapp), se prefere “se divertir” durante o trabalho ou conversar menos para ser mais eficiente. Nem sempre é possível agradar a todos, mas [saber suas preferências é um ponto de partida](https://www.revistahsm.com.br/post/cinco-pilares-da-gestao-de-pessoas-no-trabalho-hibrido).

Conhecer os colaboradores vai muito além de saber seu modus operandi. Passa por saber detalhes da vida pessoal: a paixão por um pet, hobbies, particularidades… Você só descobrirá esses aspectos ao se interessar genuinamente pelas pessoas. De quebra, pode ser que até encontrem algo em comum. Isso ajuda a criar conexões mais profundas com a equipe.

A pandemia, sem dúvida, trouxe uma complexidade adicional. Essa busca por conexões além do trabalho tem sido difícil. Uma dica para esse momento remoto é agendar um almoço online ou um coffee break e deixar combinado: nada de trabalho entre os tópicos da conversa. Deixe a conversa fluir. A curiosidade pelas pessoas do time estabelece um ambiente seguro para que os colaboradores se sintam [abertos para estabelecer relações de confiança](https://www.revistahsm.com.br/post/como-gerenciar-suas-fraquezas).

## Adeque seu estilo de liderança à pessoa que está liderando
Muitos líderes ainda tentam impor sua forma de liderar, seja por meio do distanciamento, da pressão, com mais organização e menos liberdade. Há várias dimensões existentes quando o tema é [estilo de liderança](https://www.revistahsm.com.br/post/lideranca-jovem-e-empresas-b-para-um-futuro-desejavel). Um conceito que ajuda a delinear esta questão é o de liderança situacional, em que o líder se adequa a duas necessidades principais da pessoa da sua equipe, o suporte técnico e o emocional.

Para um colaborador sem experiência que acabou de entrar na empresa, pode ser necessário que você o direcione, explicando detalhadamente o que precisa ser feito, embora não necessariamente você precise motivá-lo, já que ele estará empolgado com o novo desafio. Abaixo, a ilustração mostra as dimensões e os estilos de liderança existentes.

![hersey-e-blanchard-lideranca-situacional](//images.contentful.com/ucp6tw9r5u7d/6yHE1vxmrYQXFfGYAl7Ha5/542082820c1381581d4ef9652772b584/hersey-e-blanchard-lideranca-situacional.jpg) *Fonte: Imagem retirada do [blog Ergon](https://blog.ergonrh.com.br/lideranca-situacional/)*

Além da necessidade de saber se ajustar a fim de apoiar sua equipe de acordo com as situações específicas, é interessante observar o que motiva cada um e buscar agir com base nisto para manter a equipe engajada.

## Peça feedback sobre como você pode ser um líder melhor
Por mais que isso pareça óbvio, nem todos os líderes pedem feedback para sua equipe. Muitas vezes, um líder é pego “de surpresa” na sua avaliação de ciclo; quando descobre – às vezes seis meses ou um ano depois –, a equipe não está satisfeita. Por isso, como líder, é importante criar um ambiente confortável para que colaboradores possam dar sugestões de melhoria.

Você pode definir encontros quinzenais ou mensais com cada pessoa do time e perguntar como é possível ser um líder melhor, aprimorando a dinâmica da equipe. Muitas vezes, o liderado tem [receio de dar esse tipo de feedback](https://www.revistahsm.com.br/post/reconhecimento-como-motor-do-engajamento-nas-empresas) para seu líder, por isso, é importante que seja criado um ambiente seguro, com a garantia de que a liberdade de opinião não será alvo de mágoa ou ressentimento posterior. Deixe claro que o feedback será utilizado para seu amadurecimento e para a melhoria das condições de trabalho de todos.

## Tenha empatia
As pessoas não conseguem estar bem todos os dias ou o tempo inteiro. Dê abertura para que a pessoa possa dizer “estou com um problema em casa”, “hoje não estou me sentindo bem”, e ofereça o espaço necessário para que ela se restabeleça, sendo menos cobrada nesses dias específicos.

## Comemore as vitórias
É comum os líderes se esquecerem de comemorar as vitórias, porque sempre há mais trabalho a ser feito. Não subestime o poder do reconhecimento! Elogie o trabalho bem executado. Dê crédito às entregas diante do time ou na frente de outras equipes.

*Saiba mais sobre diversidade em [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) e em [nossos webinars](https://www.revistahsm.com.br/webinars).*

Compartilhar:

Artigos relacionados

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo