Uncategorized

Como os outros melhoram seu desempenho

Aprenda a utilizar a influência social para ter a maior produtividade possível
Este artigo é baseado nos highlights do livro O Poder da Influência – As Forças Invisíveis que Moldam Nosso Comportamento, de Jonah Berger, recém-lançado pela HSM. Berger é professor e pesquisador da Wharton School, autor do best-seller Contágio.

Compartilhar:

No fim dos anos 1800, Norman Triplett publicou um estudo que marcou o nascimento de um campo que hoje conhecemos como psicologia social. Para sua tese de mestrado pela Indiana University, ele analisou dados de corrida de mais de 2 mil ciclistas, que competiram de três maneiras: (1) pedalaram sozinhos, simplesmente tentando marcar o melhor tempo; (2) pedalaram cabeça a cabeça, competindo diretamente com outros ciclistas; (3) pedalaram contra o relógio, mas com outros ciclistas pedalando com eles para determinar o ritmo. 

Quando comparou os tempos dos diferentes ciclistas, Triplett notou que todos tiveram um tempo melhor quando pedalaram com outros, independentemente de competirem entre si – 20 a 30 segundos mais rápido por milha. Pedalar juntos parecia melhorar o desempenho. 

O pesquisador checou a observação em um experimento com crianças enrolando linhas de carretilhas tanto sozinhas como juntas, e o resultado se confirmou. 

Muitos estudos posteriores encontraram o mesmo padrão: as pessoas tendem a ter melhor desempenho com outras por perto. O fenômeno recebeu o nome de “facilitação social”, quando a presença de plateia leva os indivíduos a apresentar um desempenho mais rápido e melhor do que apresentariam se estivessem sós. Mesmo quando terceiros não estão colaborando ou competindo, sua simples presença basta para mudar o comportamento. E não são apenas os seres humanos que apresentam a facilitação social; os animais também se comportam assim – foram feitos experimentos com ratos, macacos etc. 

Curiosamente, contudo, alguns estudos constataram o contrário: as pessoas apresentam desempenho pior na presença de outras. Em um experimento, estudantes universitários receberam a difícil tarefa de lembrar uma lista de sílabas sem sentido; aqueles que a decoraram diante de uma plateia demoraram mais e cometeram mais erros. Em outro experimento, os participantes que traçaram um labirinto de olhos vendados na presença de espectadores levaram mais tempo, e pessoas fazendo exame de motorista tiveram menos chances de passar com plateia (fora o instrutor) no carro. 

As constatações pareciam contraditórias. No entanto, isso foi até Bob Zajonc, professor de Stanford, fazer seu experimento para descobrir se a presença de outras pessoas facilita ou inibe nosso desempenho – e o fez com baratas. 

**MOTIVAÇÃO E RIVAIS**

Imagine-se em uma competição de vendas. No início, você está na liderança e se sente confiante, o que o faz lutar com mais afinco ainda. Você carrega a posição de líder até as últimas etapas, mas, então, sua motivação começa a diminuir, seu desempenho cai e você se vê diante do risco de perder a competição. Por que isso acontece com tanta frequência?
Um estudo publicado no _Journal of Personality and Social Psychology_, liderado por Szu-chi Huang, de Stanford, chegou às seguintes descobertas:
• No início da competição, o foco do competidor é a meta a alcançar; depois, ele foca o esforço adicional requerido para isso.
• A liderança nas fases iniciais da competição aumenta a motivação ao convencer, em situação ainda incerta, o participante de que vencer é possível.
• Liderar a competição mais tarde acaba reduzindo a motivação da pessoa ao diminuir a quantidade de esforço adicional percebida por ela para alcançar a vitória.
• Líderes de fases tardias podem sustentar sua motivação se focarem não mais a posição de vencedor, mas outro patamar ainda mais elevado, como superar o próprio desempenho em outras disputas. • Quem está perdendo perto do fim da competição se motiva a virar o jogo se sua diferença para o líder for pequena (sua motivação é superior àquela que o líder tem para se manter na liderança).

Ele construiu um estádio de baratas – um grande cubo de acrílico transparente que lhe possibilitaria medir o tempo que as baratas levavam para percorrer uma trajetória definida. 

Em um lado do cubo, havia uma pequena caixa de partida, onde a barata esperava na escuridão pelo início da corrida, separada da pista por uma fina porta de metal. Do outro lado, ficava a linha de chegada, outra pequena caixa escura separada da pista por uma porta de metal similar. 

Como as baratas odeiam a luz, em vez de usar pistola para dar o tiro de partida e incitá-las à ação, Zajonc utilizou um holofote. Ele abria as portas de entrada e saída da pista e lançava uma luz intensa na caixa de partida. A barata saía correndo para a pista, em busca de um lugar escuro para se esconder. A luz incidia sobre a pista inteira, de modo que a única saída era a caixa de chegada. Quando a barata entrava lá, o pesquisador fechava a porta e a barata ficava no escuro. Zajonc cronometrava o tempo que a barata levava para correr de uma caixa à outra. No estádio, havia uma arquibancada de baratas. Para facilitar que as competidoras vissem as “fãs”, mas mantendo estas fora da ação, uma parede transparente separava arquibancada e pista. 

O engenhoso experimento incluiu outro detalhe importante. O pesquisador de Stanford achava que sabia por que a presença dos outros às vezes melhora e às vezes piora o desempenho das pessoas. Sua teoria era que tudo dependia da complexidade da tarefa: se a tarefa fosse fácil ou envolvesse algo que os participantes já fizeram muitas vezes antes, o desempenho melhoraria com plateia; se a tarefa fosse difícil ou exigisse aprender algo novo, os espectadores inibiriam o desempenho. 

Para testar essa hipótese, ele criou duas versões da pista de corrida. Uma delas era reta, simples, com a caixa de partida em uma extremidade e a caixa de chegada na outra: a barata só tinha uma forma de correr e sua reação dominante seria fugir da luz e ir na direção da linha de chegada. A segunda versão era bem mais complexa. A meia altura da pista reta, outra pista a cruzava, formando uma cruz. Em vez de apenas um caminho a seguir, a barata agora tinha três opções, mas só uma levava à segurança da escuridão. 

Zajonc confirmou sua hipótese: a presença dos outros pode ajudar ou prejudicar o desempenho, dependendo da complexidade da tarefa. Na pista reta, as baratas correram mais rápido diante da plateia, reduzindo o tempo em quase um terço. Na pista mais complexa, no entanto, as baratas espectadoras tiveram o efeito oposto sobre o desempenho das corredoras. 

A arquibancada cheia levou as baratas a correr mais devagar, aumentando seu tempo em quase um terço. O mesmo acontece com os seres humanos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quanto vale uma franquia da Omie?

Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Como a inteligência artificial pode destravar R$ 2,5 trilhões em crédito

Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Nem toda empresa precisa de um C-level

Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Hiperconectados, solitários e irrelevantes?

Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

A próxima revolução será humana?

Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, User Experience, UX
24 de julho de 2026 14H00
Impulsionado pelo avanço do wellness e pela busca crescente por experiências com significado, o setor de turismo enfrenta um novo desafio: deixar de vender viagens para entregar transformação, criando vínculos de longo prazo e novas vantagens competitivas.

João Biancardi - Diretor de Marketing e Experiencia do Cliente do Grupo Mabu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
24 de julho de 2026 08H00
A preocupação com dinheiro já impacta produtividade, saúde mental e permanência no emprego. Diante desse cenário, organizações começam a repensar seu papel e a buscar formas de apoiar colaboradores sem invadir sua autonomia financeira.

Vivian Pardini - Coordenadora de compliance da Biz

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo