Carreira

Como se tornar um talento de alto potencial na sua empresa

Um conjunto de pesquisas aponta quais são os elementos que ajudam a construir e moldar uma carreira de alto potencial; neste artigo, analisamos os principais pontos desses estudos, acrescentando exemplos práticos
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

As empresas e startups mais competitivas do mundo estão interessadas em manter os melhores talentos entre seus quadros. Schon Beechler e Ian Woodward afirmam que está em curso uma verdadeira “guerra global por talentos”. Líderes qualificados e dotados de habilidades excepcionais são indispensáveis na acirrada concorrência comercial globalizada. A integração internética possibilitou que os participantes do mercado tenham acesso aos mesmos softwares, tecnologias e consultorias.

Nesse contexto, o primeiro desafio das organizações é definir com o máximo de clareza possível quem são os [talentos de alto potencial](https://www.revistahsm.com.br/post/como-equilibrar-desempenho-e-autocuidado-na-carreira) almejados. “Potencial” indica alguém que será capaz de ter sucesso em uma função maior no futuro. Assim, talento potencial é quem tem a capacidade de crescer e lidar com responsabilidades de maior escala e escopo. Ou seja, um trabalho na mesma área, mas com, por exemplo, um orçamento ou uma equipe maior com objetivos mais amplos e execução de tarefas substancialmente mais complexas.

Chamados na literatura executiva de gênios, prodígios, abençoados, outliers (fora da curva) ou alto potencial os colaboradores talentosos estão diretamente relacionados com o sucesso presente e futuro de suas respectivas organizações. Entre os trunfos comuns dos talentosos estão gerar valor desproporcional, entregar sistematicamente resultados acima do esperado e demonstrar um alinhamento firme de valores e propósito com a cultura da empresa.

Esses profissionais revelam a possibilidade latente de se tornar cada vez melhores. Assim, um alto potencial é quem consegue crescer, maximizar ou otimizar seu próprio talento. Linda A. Hill, Douglas Ready e Jay Conger pesquisaram este tema por vinte anos e publicaram algumas constatações no artigo Are You a High Potential na Harvard Business Review:

“Pessoas de alto potencial superam de forma consistente e significativa seus pares em uma variedade de ambientes e circunstâncias. Ao atingir esses níveis superiores de desempenho, eles exibem comportamentos que refletem a cultura e os valores de suas empresas de maneira exemplar. Além disso, eles mostram uma forte capacidade de crescer e ter sucesso ao longo de suas carreiras dentro de uma organização – mais rápida e eficaz do que seus grupos de pares”.

## Elementos-chave para talentos de alto potencial

A partir da revisão da produção acadêmica de ponta sobre alto potencial, indicamos a seguir os elementos-chave para profissionais dispostos a evoluir na carreira:

__1. Compreensão clara dos valores e objetivos da empresa:__

Grandes potenciais são capazes de assimilar rapidamente os valores culturais e organizacionais da companhia. Essa clareza de raciocínio dirige a ação para resultados profissionais específicos. Ou seja, os talentosos demonstram alinhamento cultural com a empresa, pois são capazes de compreender a conexão entre suas aspirações pessoais e os objetivos da empresa, e traduzir isso em engajamento profissional. Esse tipo de colaborador é capaz de discernir, inclusive, a extensão de seu alinhamento com a companhia no curso do tempo. Não há desperdício de recursos, tempo ou atenção.

__2. Compreensão do próprio campo de atuação e performance superior:__

Talento é um conceito relativo. Alguém considerado talentoso para um serviço pode ser considerado um absoluto fracasso em outro. Portanto, os colaboradores talentosos identificam o campo de atuação específico para seu próprio potencial. Definir potencial significa definir um serviço específico necessariamente.

Uma pesquisa de Rena Subotinik, Paula Olszewksi-Kubilius e Frank Worrell indica que múltiplos fatores influenciam um potencial, incluindo fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Mobilizando as capacidades disponíveis, os talentosos alcançam resultados superiores aos seus pares.

Assim, a performance de alto potencial é aquela que vai além de atingir resultados com excelência, mas consiste em superá-los, sempre em acordo com os objetivos estabelecidos e com os valores da companhia. Esse aspecto é relevante segundo a Corporate Leadership Council High-Potential Management Survey 2005, pois um em cada sete indivíduos de alto desempenho é também um alto potencial. Ou seja, quem entrega serviços impressionantes desperta rapidamente a atenção do mercado.

__3. Competências para lidar com a complexidade: __

Jay Conger e Allan Church apontam na obra The High Potential´s Advantage quais são os fatores determinantes que fazem com que colaboradores entrem na lista dos 5% da empresa considerados de alto potencial. Os autores apresentam a abordagem dos “Cinco Fatores para Alto Potencial”: __(a)__ senso da situação: construção de relacionamentos de confiança com os chefes; __(b)__ aceleração de talento: aprendizado para a carreira pessoal a partir da experiência da equipe de trabalho; __(c)__ pilotagem de carreira: discernimento dos desafios à frente; __(d)__ aprendizado catalizador: transformação de insights em performance; e __(e)__ tradução da complexidade: capacidade de transformar dados intrincados em ações objetivas.

De acordo com Conger e Church os altos potenciais transformam o complicado mundo em volta de sua organização em algo simples de entender. Essa competência envolve a habilidade de sintetizar informações de múltiplas fontes e apresentá-las em ações úteis para cada pessoa em seu círculo de influência.

Na mesma direção, o professor Elliott Jaques, que pesquisa a relação entre trabalho e complexidade desde a década de 1980, afirma que colaboradores de impacto articulam, lidam, combinam, analisam, reorganizam, julgam, raciocinam, concluem, planejam, decidem e agem de maneira exitosa com diferentes graus de informação. Assim, talentos de alto potencial desenvolvem comportamentos e habilidades técnicas e gerenciais para os atuais desafios, mas também se preparam para as novas possibilidades dentro da organização.

__4. Capacidade de aprendizado e inteligência:__

Diante das rápidas mudanças que o mundo atravessa, a capacidade de aprender pode ser considerada um fator fundamental na identificação de profissionais talentosos. A famosa frase atribuída ao Lord Chesterfield afirma: “se você não plantar conhecimento na juventude, ele não lhe dará sombra na velhice”. Ao invés de ficarem intoxicados com a influência alcançada por seus resultados, colaboradores de alto potencial permanecem aprendendo.

Há três métodos essenciais para efetivar o aprendizado. O primeiro é o experiencial: extrair lições do dia a dia profissional, participar de um programa de job shadowing, aprender com os próprios erros, realizar rotação de serviços supervisionada. O segundo método é o educacional: realizar MBA’s, estudos de caso, simulações, cursos de curta duração, extensões universitárias internacionais. O terceiro é o pessoal: cultivar relacionamentos com mentores e treinadores.

Toda organização luta para contratar e manter um estafe talentoso, motivado e eficiente. Os profissionais de alto potencial, que apresentam virtudes e resultados incríveis serão os primeiros a alcançarem. A inteligência em buscar conhecimento é um preditor de sucesso habitual.

O estudo de Linda E. Brody, do centro para jovens talentosos da Johns Hopkins University, acompanhou por vários anos um grupo de estudantes com menos de treze anos de idade que pontuaram notas altas em matemática e arrazoados verbais. Esses jovens com alto potencial foram convidados para programas de treinamento, aconselhamento e mentoria para suas carreiras. A pesquisa constatou que os integrantes do grupo que participaram desses programas alcançaram posições muito superiores tanto na trajetória acadêmica como na trajetória profissional.

A importância dos talentos de alto potencial vai além de beneficiar suas empresas. De acordo com a professora Brody, evidências consideráveis sugerem que são os jovens talentosos que entregam resultados impressionantes para a sociedade como um todo. Essas contribuições englobam cura de doenças, novas tecnologias, resolução de problemas políticos e sociais. Não apenas as empresas, mas toda a sociedade é beneficiada pela energia, ideias, criatividade e capacidade de realização das pessoas que desenvolvem seus talentos excepcionais.

## Insights para sua carreira

__1. Trabalhe para entregar um resultado insuperável em determinada tarefa__

Não basta conhecer seu ponto forte, é necessário demonstrá-lo de modo retumbante. Portanto, trabalhe para entregar resultados cada vez mais sólidos em determinada tarefa. Há uma frase atribuída ao biólogo Thomas Huxley na revista Nature (Vol. XLVI) que diz: “tente aprender alguma coisa sobre tudo e tudo sobre alguma coisa”.

Huxley indica que mais do que ser “especialista” em algo, é preciso ser o melhor em algo. Essa ideia é válida para a performance. Trabalhe para entregar o melhor resultado possível em determinada tarefa. É um passo indispensável na comprovação de seu talento de alto potencial.

__2. Realize atividades estratégicas __

Todos sabemos as demandas são desproporcionais para o nosso tempo, e pessoas de alto potencial sempre têm uma carga ainda maior de coisas a fazer. Para Jay Conger, o segredo é ser bastante estratégico na hora de definir onde colocar a energia. Então para continuar sendo relevante, determine quais tarefas precisam ser feitas, mas que não são críticas para diferenciar você profissionalmente. Faça-as o mais rápido e eficiente possível.

Além disso, no meio do grande número de tarefas que você terá, sempre haverá duas ou três realmente valiosas para seu chefe, o que chamamos de tarefas-chave. Para identificar as tarefas, use como critério as prioridades de seu líder e também seu estilo, fazendo as adaptações necessárias para atuar de acordo com o que ele percebe como eficaz.

*Gostou do artigo escrito por Augusto Jr. e Davi Lago? Saiba mais sobre carreira assinando [nossas newletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo