Uncategorized

Como transformar CI em crescimento

Sua empresa é das que permanecem fechadas às informações que vêm dos consumidores? Desenvolver a área de customer insights é o modo de reverter isso; saiba o que fazer
O estudo é dos consultores do BCG Christine Barton, do escritório de Dallas, Lara Koslow, de Atlanta, e Martin Reeves, de Nova York, em conjunto com Ravi Dhar, professor de marketing da Yale School of Magagement e diretor do Yale Center for Customer Insights, e Simon Chadwick, editor-chefe da revista Research World.

Compartilhar:

Os aplicativos para dispositivos móveis vêm gerando grandes volumes de dados – padrões de comportamento online e nas mídias sociais, de críticas, de localização, de formas de pagamento. E empresas de todo o mundo têm buscado alavancar seu crescimento com base em dados sobre os consumidores. 

Cada vez mais, elas utilizam métodos para antecipar o comportamento dos clientes e desenvolvem internamente a área de customer insights (CI) para oferecer informações relevantes à tomada de decisão e dar apoio a ações. 

No entanto, estudo do Boston Consulting Group (BCG) mostra que a maioria das organizações encontra dificuldades para fazer com que as atividades de CI constituam mais do que uma iniciativa tradicional de pesquisa de mercado. Por quê? Em geral, a área de CI é imatura, ou seja, não possui apoio das lideranças da empresa, reporta a níveis mais baixos da hierarquia e precisa trabalhar com orçamentos restritos, entre outras limitações. 

Há quatro estágios de maturidade da atividade de CI, como mostra o quadro ao lado, e as organizações estão evoluindo muito lentamente de um para outro. Na primeira versão do estudo do BCG, de 2009, apenas 10% das empresas apresentavam áreas de CI que se encontravam nos estágios mais maduros, 3 e 4. Sete anos depois, o percentual de organizações com CI nos estágios 3 e 4 ainda não passava dos 20%. 

Mesmo quando adotam novas funções e atividades que incorporam elementos do estágio 3, como análises avançadas e monitoramento digital e das mídias sociais, as empresas parecem se comportar de maneira análoga às tradicionais práticas de pesquisa de mercado. 

Aquelas em que a área de CI de fato alcança os estágios 3 e 4 geralmente conseguem bons resultados em indicadores verificáveis, como fidelidade dos clientes e taxa de crescimento. Além disso, os líderes tendem a reconhecer a contribuição eficaz de CI para as decisões e o retorno sobre o investimento. 

A CI contribui mais para o desempenho financeiro nas empresas do estágio 3 do que nas dos estágios 1 e 2 – 15% mais, segundo os executivos. Os entrevistados de organizações com CI no estágio 4 de desenvolvimento acreditam que essa atividade coloca as empresas em trajetórias mais rápidas de crescimento – 50% deles afirmam que customer insights são “elementos cruciais” para o crescimento dos negócios. 

**QUÃO MADURA É SUA ÁREA DE CI?**

**2009: 90% DAS EMPRESAS
2016: 80% DAS EMPRESAS**

**1. FORNECEDORA DE PESQUISAS DE MERCADO TRADICIONAIS**
Tem foco no convencional É uma fornecedora de serviços Sua atuação está relacionada com o marketing Possui orçamento insuficiente ou inconsistente

**2. COLABORADORA DO NEGÓCIO**
Tem foco mais estratégico Colabora com o negócio como um todo Sua atuação tem escopo comercial Possui pouco controle sobre seu orçamento

**2009: 10% DAS EMPRESAS
2016: 20% DAS EMPRESAS**

**3. PARCEIRA ESTRATÉGICA** 
Tem foco estratégico prescritivo É conselheira confiável da liderança Seu escopo de atuação atravessa áreas Possui algum controle sobre seu orçamento

**4. FONTE DE VANTAGEM COMPETITIVA**
Tem foco na previsão É parceira dos executivos seniores Tem perspectiva empreendedora Possui orçamento significativo e com controle

**COMO COMEÇAR**

Passar a ser orientada, verdadeiramente, por informações vindas do ambiente externo não é fácil para nenhuma empresa. Avaliar a maturidade da área de CI é uma boa maneira de começar a fazê-lo. No entanto, se a atividade ainda for tratada apenas como fornecedora de pesquisas de mercado tradicionais, não conseguirá, sozinha, tornar-se um elemento estratégico para a organização. O esforço nesse sentido deve começar nos níveis hierárquicos mais altos, com as lideranças dando o tom das iniciativas. É quando medem, interpretam e aplicam o que aprendem com as experiências dos consumidores que as empresas podem alavancar tanto a área de CI como sua posição no mercado. O conhecimento deve ser usado para balizar a tomada de decisão. 

Há três passos essenciais para iniciar o caminho que leva a níveis mais elevados de maturidade de CI: 

**1 Conduzir um diagnóstico.** Faça entrevistas com as partes interessadas. Observe o percurso de uma contribuição de CI pelas diversas áreas da organização, para avaliar o processo pelo qual é identificada, amplificada, ganha influência e gera impacto – ou, no caminho contrário, como é enfraquecida e acaba morrendo. 

**2 Realizar um ou dois workshops criativos com a equipe executiva.** Aplique técnicas de criatividade para chegar a uma consciência compartilhada sobre CI; identifique “pontos mágicos” nos quais a área consegue atender às expectativas dos gestores, assim como os “pontos trágicos”, quando a CI fica aquém de seu potencial. 

**3 Elaborar um plano de ação.** Desenvolva uma estratégia para mudar a ação individual e coletiva dos executivos em relação a CI. 

Empresas que levam a sério o esforço de alcançar os estágios mais avançados de CI devem estabelecer uma meta que não ultrapasse o prazo de 24 meses. Iniciativas muito demoradas indicam que não há comprometimento suficiente com a mudança e podem decair, levando à dispersão e gerando sensação de fadiga. Importante: organizações em que o presidente e os executivos não se comprometem com um modelo operacional da área de CI fundamentalmente diferente não devem nem iniciar um esforço de transformação nesse sentido. Já em empresas com lideranças que de fato apoiam a transição, os executivos seniores precisam ser atualizados com relatórios regulares preparados por um comitê diretivo ou estratégico. Elas têm de criar uma estrutura de gestão de projeto “ativista”, que assegure a transformação da área por meio da transparência e do foco em resultados. 

**PRIORIDADES**

Três tipos de iniciativas multifuncionais devem ser priorizadas pelas empresas, que precisam encontrar executivos que as patrocinem e líderes para o dia a dia em cada uma delas: 

**Para financiar a jornada.** Iniciativas nesse sentido eliminam gargalos de desempenho e, assim, bancam a transformação e obtêm o apoio externo. Exemplos: consolidar os fornecedores de pesquisa de mercado para poder revisar preços e condições; cortar ou realocar despesas táticas, de retaguarda e com baixo retorno sobre o investimento. 

**Para vencer no médio prazo.** Essas medidas, que requerem um tempo de desenvolvimento maior, são os pilares da estratégia da área. Exemplos: criar sistemas de gestão do conhecimento; definir parâmetros de mensuração do retorno dos gastos com CI; elaborar agendas de aprendizado para lideranças; experimentar novas fontes de dados e metodologias; usar ferramentas de planejamento estratégico e de orçamento. 

**Para se estruturar rumo ao crescimento.** O objetivo nesse caso é possibilitar que CI execute e mantenha a transformação. Exemplos: ampliar o papel dos profissionais mais talentosos; revisar descrições de cargos; desenvolver planos de carreira; criar programas de rodízio para futuros líderes; definir programas de treinamento e desenvolvimento; vincular a remuneração ao desempenho. 

**NO BRASIL, O FATOR HUMANO É O MAIOR PROBLEMA**

por TICIANA WERNECK Adriana Silva, especialista em analytics do SAS Brasil

No Brasil, os maiores desafios da área de customer insights (CI) são três: falta de mão de obra capacitada para entender os números que estão sendo gerados, correlacioná-los de maneira eficaz e traduzi-los em busca de insights que de fato impactem o negócio; pouca interação entre as áreas da empresa; e não valorização cultural dos dados. 

“A máquina faz parte do trabalho, mas só as pessoas são capazes de analisar os dados e transformá-los em informação analítica relevante”, explica Adriana Silva, especialista em analytics do SAS Brasil. Segundo ela, são as pessoas que, entendendo o negócio da empresa, calibram os modelos, em busca dos dados mais precisos para vislumbrar ameaças e oportunidades. É esse trabalho criativo, da inteligência humana, que faz a real diferença. 

Silva lembra ainda que a intervenção humana é necessária porque nem todo dado coletado é consistente. “Deve-se reconhecer o erro e voltar atrás. Durante o monitoramento, é preciso ir fazendo ajustes no modelo de captura de dados”, diz. 

Sobre a dificuldade da falta de comunicação entre as áreas, a especialista comenta: “Muitas vezes, um insight leva seis meses para ser usado e, nesse tempo, seu valor acaba se perdendo”. Por fim, a cultura corporativa pode ser uma barreira importante também. “Quando a empresa valoriza os dados, os insights são usados rapidamente e os resultados aparecem.” 

**MENOS INTROVERSÃO**

Por que as empresas, sobretudo as grandes, afastam-se de seus clientes? Elas dependem muito dos modelos de negócio existentes e não exploram novas possibilidades. Há quatro modos de reverter isso: 

**1 Captar sinais externos de mudança.** Use dados granulares, em tempo real e implícitos sobre tendências e preferências do consumidor. Explore novos métodos, como biometria e análise neural. Olhe além do óbvio: acesse novas fontes de informação, como mídias sociais e dados provenientes de produtos com tecnologia inteligente. 

**2 Fazer achados inéditos.** Aprenda a extrair padrões dos sinais de mudança. Crie um mecanismo fácil para visualizar as informações, a fim de possibilitar a detecção de padrões. 

**3 Utilizar as descobertas para impulsionar processos que agregam valor, como inovação.** As informações dos consumidores devem ser organizadas de modo que possam ser facilmente consultadas por todos os stakeholders dentro da companhia e, assim, estar integradas ao processo decisório, além das fronteiras de vendas e marketing. 

**4 Envolver a estrutura, os sistemas, a cultura e as lideranças em um modelo orientado por informações externas.** As empresas precisam aumentar sua “área de contato”, expondo as atividades internas à realidade externa. 

Superar a introversão não é tarefa fácil, mas é imperativo para o longo prazo. CI é o ponto de partida para aprimorar o olhar nessa direção.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Executivo, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança.

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo