Tecnologias exponenciais
6 min de leitura
Oferecido por:

Computação quântica: estamos finalmente no caminho da disrupção?

O anúncio do Majorana 1, chip da Microsoft que promete resolver um dos maiores desafios do setor – a estabilidade dos qubits –, pode marcar o início de uma nova era. Se bem-sucedido, esse avanço pode destravar aplicações transformadoras em segurança digital, descoberta de medicamentos e otimização industrial. Mas será que estamos realmente próximos da disrupção ou a computação quântica seguirá sendo uma promessa distante?
Neurocientista, especialista em comportamento humano e Al. Global expert na Singularity Brazil e CEO da CogniSigns. Mais do que um teórico, um profissional hands-on, aplicando ciência e tecnologia de forma prática para transformar a sociedade.

Compartilhar:

Computador Quântico

A computação quântica é, há décadas, uma das grandes promessas da tecnologia. Sempre mencionada ao lado de outras inovações exponenciais, como inteligência artificial, blockchain e computação espacial, essa tecnologia ainda não atingiu o mesmo nível de impacto prático. Enquanto a IA já transforma indústrias inteiras, o blockchain cria novos modelos financeiros e a computação espacial abre portas para uma usabilidade em outro nível de imersão, os computadores quânticos ainda permanecem presos ao campo das pesquisas, protótipos e expectativas.

Mas será que isso está prestes a mudar? A Microsoft anunciou recentemente o Majorana 1, um chip que, segundo a empresa, pode representar um avanço significativo na busca por um computador quântico verdadeiramente funcional e escalável. Esse anúncio levanta uma questão central: a computação quântica finalmente encontrou um caminho viável para a disrupção ou continuará sendo uma tecnologia do futuro que nunca chega?

O que é o Majorana 1 e por que ele importa?

A grande dificuldade dos computadores quânticos até agora tem sido a estabilidade dos qubits – as unidades fundamentais de processamento quântico. Diferente dos bits clássicos, que podem ser 0 ou 1, os qubits exploram a superposição quântica, podendo ser ambos ao mesmo tempo. Isso, em teoria, permitiria um nível de processamento incomparável com os computadores tradicionais. No entanto, os qubits são extremamente frágeis e sensíveis a qualquer perturbação externa, o que torna muito difícil construir sistemas robustos e escaláveis.

O Majorana 1 propõe uma abordagem inovadora: um qubit topológico baseado em partículas chamadas Majoranas, que são estados exóticos da matéria. A ideia por trás dessa arquitetura é criar qubits muito mais estáveis e resistentes ao ruído externo, eliminando um dos principais desafios que impediram o avanço da computação quântica até hoje.

Se essa hipótese da Microsoft se confirmar, podemos estar diante do primeiro passo real rumo à construção de computadores quânticos viáveis para uso prático e comercial. E isso muda completamente o jogo.

O impacto potencial: o que a computação quântica pode transformar?

Se a computação quântica atingir seu potencial máximo, seus impactos serão profundos e abrangentes. Algumas das áreas que poderiam ser transformadas incluem:
• Medicina e descoberta de novos medicamentos: A capacidade de simular moléculas com precisão quântica pode acelerar a criação de novos fármacos, viabilizando tratamentos personalizados e combatendo doenças que hoje são incuráveis.
• Segurança cibernética e criptografia: A computação quântica pode tanto quebrar os sistemas de criptografia atuais quanto criar novos métodos de segurança praticamente inquebráveis.
• Otimização logística e planejamento industrial: Problemas complexos que hoje exigem enormes recursos computacionais para serem resolvidos, como otimização de rotas de transporte ou alocação de energia em redes inteligentes, poderiam ser solucionados em segundos por um computador quântico.
• Desenvolvimento de novos materiais: A possibilidade de modelar a estrutura quântica da matéria pode levar à criação de novos materiais com propriedades revolucionárias, desde supercondutores até baterias de alta capacidade.

Leandro Mattos
Leandro Mattos é expert da Singularity Brazil e especialista em neurodiversidade e tecnologias exponenciais

A visão da Singularity University: onde a computação quântica está na jornada das tecnologias exponenciais?

Para entender o momento da computação quântica, podemos recorrer à Teoria dos 6 Ds da Singularity University, que descreve as fases pelas quais uma tecnologia exponencial passa antes de atingir seu impacto máximo:
1. Digitalização – O conceito se torna viável no mundo digital. A computação quântica já passou por essa etapa há décadas.
2. Decepção – Os avanços não acompanham as expectativas e o entusiasmo diminui. Estamos vivendo essa fase, pois a computação quântica ainda não entregou resultados práticos como outras tecnologias exponenciais.
3. Disrupção – Um avanço significativo torna a tecnologia útil e viável. O Majorana 1 pode ser um candidato para iniciar essa fase.
4. Demonetização – O custo da tecnologia cai drasticamente.
5. Dematerialização – A tecnologia substitui soluções anteriores de forma eficiente.
6. Democratização – O acesso se torna amplo, gerando impacto global.

Hoje, a computação quântica está entre a fase de decepção e o potencial início da disrupção. Se o Majorana 1 funcionar como esperado, pode ser o primeiro passo real para a mudança de paradigma.

Outro conceito fundamental da Singularity é a mentalidade da abundância, que sugere que tecnologias exponenciais podem criar soluções que liberam recursos e resolvem desafios que hoje parecem intransponíveis. Se a computação quântica se tornar uma realidade viável, poderá abrir novas fronteiras em pesquisa científica, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico, impulsionando avanços em velocidade e escala inéditas.

Estamos perto de um salto quântico?

A computação quântica tem sido uma promessa há tanto tempo que muitos já a encaram com ceticismo. O fato é que, mesmo que o Majorana 1 represente um avanço genuíno, ainda há desafios gigantescos a serem superados antes que essa tecnologia se torne parte do nosso dia a dia.

O que diferencia a computação quântica da inteligência artificial, do blockchain e da computação espacial é que essas outras tecnologias já entregaram impacto prático e disruptivo. Será que agora chegou a vez da computação quântica sair do laboratório e entrar no mundo real?

Estamos à beira de uma revolução quântica ou ainda presos à teoria? O que você acha?

Compartilhar:

Neurocientista, especialista em comportamento humano e Al. Global expert na Singularity Brazil e CEO da CogniSigns. Mais do que um teórico, um profissional hands-on, aplicando ciência e tecnologia de forma prática para transformar a sociedade.

Artigos relacionados

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução