Desenvolvimento pessoal

Conhecimento não é o suficiente para ter sucesso na carreira

Experimentar, nem que seja de forma voluntária, é a chave para quem está iniciando
Sabina Augras e Laura Fuks são sócias fundadoras da Cmov, edtech na área de carreira e empregabilidade.

Compartilhar:

Você passou anos na faculdade, estudando, fazendo diversos cursos, lendo muitos livros e absorvendo todo o conteúdo possível. E se nós disséssemos que isso não garante o seu sucesso profissional?

Calma, não quer dizer que esse processo não seja fundamental para sua trajetória, mas somente adquirir conhecimentos não prepara você para o que realmente vem pela frente. A prática desse conhecimento, ou seja, a experimentação e a vivência são cruciais. Pode parecer óbvio, mas quanto antes você absorver e adotar essa premissa, mais cedo você vai conseguir obter respostas e se desenvolver, principalmente quando o assunto é a escolha da carreira.

Enquanto não testamos ou vivenciamos uma carreira, fica muito difícil saber para onde seguir e se estamos no caminho certo. Quando trabalhamos somente com o conceito, sem colocá-lo na prática, percebemos a enorme lacuna entre os conhecimentos adquiridos com as experiências acadêmicas e os que são solicitados pelo mercado de trabalho.

O resultado é vermos de um lado jovens despreparados para essa realidade e, do outro, gestores e mentores se desdobrando para cobrir essa lacuna.

## Mas o que significa colocar em prática um conhecimento?

Tenho certeza que você já deve ter ouvido histórias de pessoas que queriam muito seguir profissões na área da saúde, mas que desistiram depois da primeira aula prática de anatomia. Ou outras que queriam muito trabalhar em banco de investimento, mas desistiram depois de alguns meses atuando na área.

Aplicar um conhecimento permite que você conheça o que, de fato, compreende a vivência daquela atividade e suas nuances, o que seria impossível de assimilar lendo apenas um livro ou assistindo à uma aula.

A prática, além de permitir que você aplique o conhecimento em uma situação real e aprenda com ela, permite também mitigar os riscos do desconhecido, experimentar e entender melhor aquilo que você gosta ou não de fazer. Ou seja, é a prova real da sua meta de carreira.

Quer ver só um exemplo? Vamos supor que você estude todas as técnicas e ferramentas existentes de gestão de projeto. Você pode até ser um craque nos exercícios do seu treinamento em sala de aula, mas é só na hora de colocar a mão na massa que vai se deparar com desafios como a falta de dados e como consegui-los com outras pessoas, como lidar com atrasos e cobranças e inúmeras outras situações não previstas.

Nessa vivência, talvez você perceba que gosta de lidar com esses desafios, ou não. Talvez você entenda que para ter sucesso com gestão de projetos sejam necessários outros conhecimentos que não desenvolveu ainda.

Você pode tanto perceber que não sabe tudo, quanto entender melhor se gosta ou não de realizar determinada tarefa.

E aí vem mais um aspecto determinante para a importância da prática: vivenciar e experimentar fazem com que você compreenda se determinada carreira faz sentido para você.

## O que fazer então?

Para transpor a barreira da absorção convencional e desenfreada de conteúdos, e passar para o lado de aplicar na prática existem inúmeras formas de experimentar. Conversar com pessoas que estão atuando na carreira de interesse pode ser um exercício interessante. Faça perguntas sobre o seu dia a dia, seus desafios, sua formação, suas competências mais relevantes. Participar de conferências e workshops também pode ajudar. Mas lembre-se: se é na prática que estão escondidas os principais aprendizados, busque fazer projetos na área. Mesmo que seja de forma voluntária.

Mesmo em áreas de atuação que são mais difíceis de colocar o conhecimento em prática, como por exemplo, a medicina, é possível ser criativo para “experimentar”. Você não precisa, por exemplo, realizar uma cirurgia ou atender um paciente para entender se o ambiente, rotina e desafios de um médico são compatíveis com o que almeja. Se você conversar com médicos sobre suas rotinas, se vivenciar um dia numa recepção de um hospital ou se fizer um trabalho voluntário na área de saúde, perceberá se a realidade do dia a dia é coerente com o que você quer para a construção da sua carreira.

Faça o que você puder para ganhar “insights” do mundo real. Faça mais do que apenas ler um artigo ou pensar sobre a carreira. Coloque a mão na massa. Por meio de cada atividade, você aprenderá cada vez mais sobre sua carreira e será capaz de tomar decisões mais estruturadas para seguir em frente.

Compartilhar:

Sabina Augras e Laura Fuks são sócias fundadoras da Cmov, edtech na área de carreira e empregabilidade.

Artigos relacionados

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo