Carreira

Consciência: a próxima fronteira de evolução na carreira

A era da consciência está presente nos negócios e leva à ressignificação do sentido de sucesso nas carreiras
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

Em algum lugar do passado, a [carreira de sucesso](https://www.revistahsm.com.br/post/segredos-da-carreira-de-quem-venceu-o-nobel) era medida por suas conquistas pessoais e destaques individuais. Elementos como o primeiro milhão e o status corporativo eram a forma habitual de avaliar o sucesso de uma carreira. Agora surge uma nova fronteira para ressignificarmos o que é uma carreira relevante e de sucesso.

Determinados momentos são marcos históricos do surgimento de um novo paradigma:

Foi assim com o advento da revolução industrial.

Foi assim com o surgimento dos computadores pessoais.

Foi assim na quarta revolução industrial.

E vai ser assim no mundo [pós-pandemia de covid-19](https://www.revistahsm.com.br/post/competencia-emocional-e-o-trabalho-pos-covid19).

Um dos resultados da atual pandemia foi o fato de ter ganhado relevância, e senso de urgência, que as empresas falem de ESG – sigla em inglês referente a ações ambientais, social e de governança). O que queremos tratar aqui é a relação da sua carreira com esse tema, e, mais ainda, como se constrói uma carreira relevante em tempos de ESG.

Na __era industrial__, o que se esperava de um colaborador era aprender uma função e executá-la com a maior eficiência possível. O crescimento de salário ou cargo vinha em decorrência do tempo que se tinha dentro da empresa. Ou seja, pontualidade, disciplina, obediência e eficiência eram o suficiente.

Na __era dos computadores pessoais__, que alguns nomeiam como era do conhecimento, isso mudou. Esperava-se uma qualificação melhor, domínio do inglês, MBA e competências como: pensamento estratégico, planejamento financeiro e estruturação de processos. Isso tudo era essencial para quem tinha o desejo de crescer na carreira, além do tempo de casa. O que se esperava era o conhecimento adquirido e a capacidade de gerar resultados no curto prazo para a organização.

Já na __era tecnológica__ (ou digital, como preferir), o que vai fazer você crescer na empresa não é o tempo de casa, e sim os resultados que gera para a empresa. A quarta revolução industrial é o guia para esse mundo complexo, exponencial e desconhecido. A evolução tecnológica traz uma ruptura do qual não se tem mais controle; e se o inglês era essencial na fase imediatamente anterior, nessa a linguagem universal é a programação. O conhecimento sobre temas como big data, internet das coisas (IoT), machine learning, robótica, computação na nuvem e inteligência artificial são fundamentais para se destacar. Agora, mais do que nunca, você precisa dominar temas como marketing digital, processos ágeis e autogestão.

A era tecnológica está apenas começando, pode-se dizer, e ainda há muita coisa para ser explorada e desenvolvida.

Porém a pandemia — que por um extenso período paralisou o mundo inteiro e redefiniu conceitos como o trabalho — atropelou a era tecnológica e a carreira também precisa ser olhada de uma nova perspectiva. Emergiu em paralelo uma nova era, que escolhemos batizar de __era da consciência__, uma vez que consciência tem sido o grande norte dos conceitos como o ESG, capitalismo 2.0, certificação de sistema B, movimentos de sustentabilidade e de capitalismo consciente. (Justiça seja feita, Deepak Chopra fala da “era da sabedoria” logo no início do século 21.) E isso afeta tanto empresas como carreiras.

## A era da consciência
Se as organizações estão se mobilizando para remodelar a forma como fazem a gestão e os negócios, precisamos remodelar o sucesso profissional pessoal, pois a transformação acontece sempre de dentro para fora. Conforme pontua Brian Arthur, CEO do Santa Fé Institute, se tivermos pessoas conscientes e humanizadas à frente disso, os resultados serão organizações mais conscientes e humanizadas. “A qualidade dos resultados gerados por um sistema depende da qualidade de consciência das pessoas que operam esse sistema”, afirma Brian Arthur.

Cientes de que estamos diante de uma nova fronteira, o que recomendamos fazer para ter uma carreira de sucesso na era da consciência? Para responder a essa questão e te ajudar a ganhar destaque no mundo pós-pandemia, vamos te propor uma ressignificação do que é uma carreira de sucesso e, em seguida, apresentar nove competências em três dimensões essenciais.

Sucesso na carreira vai além do seu status pessoal.

Sucesso na carreira vai além de quanto é seu salário.

Sucesso na carreira vai além das conquistas individuais.

Sucesso na carreira, nessa nova fronteira, é você poder crescer como pessoa gerando valor para a organização e fazendo a diferença no mundo.

## Competências de carreira na era da consciência

Na nova era, não espere que seu crescimento se dará somente pelo tempo de empresa ou pelo resultado gerado internamente; ele será influenciado também pela transformação que você gera na sociedade.

Como seres humanos temos 3 responsabilidades basilares, e a nossa matriz nasce da consciência dessas responsabilidades: consigo mesmo, com os outros e com o meio.

| CONSIGO MESMO | COM OS OUTROS | COM O MEIO |
| ———- | ———- | ———- |
| Autoconsciência | Empatia | Performance |
| Autoconfiança | Compaixão | Impacto |
| Autodesenvolvimento | Generosidade | Influência |

– __Consigo mesmo__ – Essa primeira dimensão vai nos responder questões como: em quais causas você vai trabalhar? Quais as suas bandeiras? Que diferença deseja fazer no mundo? Quando você consegue ter um nível elevado dessa responsabilidade, amplia-se o autocuidado e sua capacidade de fazer escolhas alinhadas aos seus valores.
– __Com os outros__ – Essa segunda dimensão de responsabilidade fala como você se relaciona com as pessoas. Como interage, se conecta e influencia.
– __Com o meio__ – Precisamos deixar o mundo melhor do que quando o pegamos. Temos a responsabilidade de gerar valor e fazer a diferença dentro da organização, pensando em diferentes stakeholders.

Perceba que, para construir uma carreira relevante, além de resultados pessoais e
performance na organização, vamos precisar fazer a diferença no mundo.

[Nos próximos artigos](https://www.revistahsm.com.br/colunistas/davi-lago-e-augusto-jr) iremos trabalhar mais sobre as nove dimensões citadas. Aguarde…

__SUGESTÃO DE ATIVIDADE__
Enquanto espera pela coluna de abril, reflita acerca de dois insights de carreira:

1. Em qual dessas dimensões está o seu maior diferencial hoje?
2. E em qual você tem menos profundidade?

Então, rascunhe um plano de desenvolvimento olhando para essas dimensões.

Voltamos a falar!

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

O que significa educar quando as máquinas também aprendem?

Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

As pessoas vão permanecer mais tempo, sua empresa está pronta?

Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

A decisão mais difícil do roadmap de IA não é técnica

Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de junho de 2026 15H00
Dados, modelo e experiência competem pelo mesmo backlog, e cada frente pode apresentar uma justificativa tecnicamente correta para receber o próximo investimento. Decidir entre elas, exige uma maturidade que poucos times de produto desenvolveram, e uma clareza estratégica que poucas empresas conseguem articular.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo, professor de MBA na USP/ESALQ e FIAP, palestrante e especialista em Inteligência Artificial, Transformação Digital e Produtos Digitais

9 minutos min de leitura
Liderança
24 de junho de 2026 08H00
Este artigo propõe um deslocamento essencial: mais do que acumular informação, a liderança precisa desenvolver discernimento - a capacidade de interpretar com clareza quando a pressão empurra para decisões automáticas.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Liderança
23 de junho de 2026 14H00
Uma meta mal definida não impulsiona, trava. Este artigo revela como metas mal calibradas podem desconectar equipes e comprometer resultados, mostrando que o verdadeiro desafio da liderança está em equilibrar ambição e viabilidade para sustentar desempenho ao longo do tempo.

Denise Joaquim Marques -Consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
23 de junho de 2026 08H00
Em organizações que cobram inovação, mas penalizam o erro, este artigo revela um paradoxo central: sem espaço para frustração e aprendizado, equipes deixam de evoluir, e a transformação que se busca nunca acontece de fato.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 15H00
Talvez o maior erro da inovação seja tentar adivinhar o futuro, em vez de entender o que já está diante de nós.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
22 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra como o avanço da IA e da computação em nuvem está redesenhando a eficiência operacional, e por que uma nova geração de gestão de custos se tornou estratégica.

Paulo Laurentys - Chief Commercial Officer (CCO) da A3Data

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão