Uncategorized

Construa Confiança com Empowerment e Transparência

Pesquisa mostra que as empresas líderes em confiança delegam mais e melhor as tarefas e também tomam decisões com transparência

Compartilhar:

**Vale a leitura porque…**

… empresas líderes em confiança são aquelas cujos colaboradores afirmam que seus dirigentes tomam decisões consistentes, previsíveis e transparentes.

… tais organizações têm chance 2,5 vezes maior de também serem líderes no aumento de faturamento e de inovarem mais.

… elas ainda superam significativamente as demais no que diz respeito a fidelizar e reter clientes, em posição competitiva no mercado e em comportamento ético. 

Desde a crise econômica de 2008, meus colegas e eu nos dedicamos a estudar a confiança no ambiente de trabalho e seu impacto no desempenho das empresas. Definimos confiança como “a disposição para correr riscos pessoais com base nas ações de outro indivíduo” e comparamos as práticas de companhias de diversos setores. Descobrimos que elas se organizam em um continuum que vai das “líderes em confiança” às “retardatárias em confiança”. 

As líderes em confiança são 10% das empresas. Seus funcionários concordam unanimemente com a afirmação: “Os colaboradores confiam nos líderes e na organização”. Cerca de 96% dos funcionários afirmam que seus chefes tomam decisões consistentes, previsíveis e transparentes. Por sua vez, nas companhias retardatárias em confiança, também 10% do todo, os colaboradores opinam que a afirmação “não descreve sua empresa”. 

Os benefícios de ser uma organização líder em confiança são muitos: ela tem chance 2,5 vezes maior de também ser líder no aumento de faturamento e supera significativamente as demais no que diz respeito a alcançar objetivos empresariais como inovação, fidelidade e retenção de clientes, posição competitiva no mercado e comportamento ético. 

Os dirigentes das empresas que vivem “falta de confiança” crônica precisam agir, pois isso afeta seus resultados. Muitas vezes eles relutam em alterar o status quo mesmo que reconheçam a necessidade de evolução, porque ficam muito presos ao que lhes é familiar. 

Para ilustrar, considere o caso de uma empresa real com o nome fictício BWI. Há tempos líder de mercado em tecnologia de regulamentação de transportes, ela atravessou de maneira bem-sucedida a transição do mercado de equinos para o de fabricação de equipamentos automobilísticos originais. 

Entretanto, conforme os carros se tornam mais sofisticados, os clientes exigem soluções cada vez mais avançadas. Assim, a BWI precisa migrar, tanto organizacional como estrategicamente, da engenharia de produto para um ambiente mais ágil e colaborativo. 

Recentemente, dirigentes da BWI pediram nossa ajuda para avaliar se a empresa estava apta a implementar as mudanças comportamentais necessárias à migração. 

Conforme examinamos os resultados, um padrão apareceu. Colaboradores subordinados ao CEO disseram que às vezes não se sentem capacitados, que acham que suas decisões não são levadas em conta e que são microgerenciados. Quando falamos com colaboradores de um nível abaixo, as respostas foram piores ainda. 

Essa cascata de reclamações apontou duas necessidades básicas da BWI, e acreditamos que elas predominam em qualquer organização problemática em confiança: 

**1. EMPOWERMENT OPERACIONAL**

Em termos operacionais, o empowerment é fundamental, pois, em nosso ambiente efêmero, a falta dele prejudica a capacidade de resposta dos colaboradores, às vezes provocando resultados desastrosos. 

Ambientes empresariais dinâmicos exigem tomadas de decisão rápidas e descentralizadas. Se não conseguem empoderar as pessoas que trabalham para eles, os gestores podem rapidamente se transformar em gargalos do processo e obstáculos para a tomada de decisão. 

**2. EMPOWERMENT PESSOAL**

Os colaboradores ficam irritados quando são microgerenciados. Se os líderes de todos os níveis querem ser empoderados, por que não empoderam pessoas que eles lideram? 

Acreditamos que eles não levam em conta os elementos que motivam os colaboradores, como já apontou Daniel Pink. O trabalho motivador: 

**a)** tem ligação clara com um propósito – os colaboradores precisam ver como seus esforços contribuem para atingir objetivos maiores;

**b)** oferece oportunidades para desenvolver a maestria – os colaboradores têm de continuar aprendendo e desafiando os limites de suas capacidades;

**c)** desenvolve a autonomia, para que os colaboradores possam tomar decisões de maneira discreta e sejam empoderados a agir.

**UM MODO FÁCIL DE MEDIR A CONFIANÇA**

Como não poderia deixar de ser, a credibilidade no líder é artigo de primeira necessidade também no ambiente organizacional brasileiro. A meu ver, esse item é construído, em primeiro lugar, pela coerência do líder no dia a dia e, em segundo, pela descentralização no processo decisório, mencionada neste artigo. 

No mundo corporativo atual, seja em qual país for, não há mais espaço para o líder centralizador, que toma decisões sozinho, informa e manda “cumpra-se”. 

Como combinar as duas ideias, da coerência e da descentralização? É importante que o líder solicite a opinião do colaborador, mas que também esclareça o que espera cada vez que faz isso, pois o processo de decisão precisa ser mais transparente.

Se a equipe contribuir com suas opiniões e depois decepcionar-se porque nada do que disse foi levado em conta, isso minará ainda mais a confiança. 

Quando o líder já tem uma decisão tomada, é coerente ele não fazer uma rodada pedindo opinião ou fazê-la abrindo o jogo: “Tomei uma decisão e gostaria de saber o que pensam dela”. Aliás, essa é uma forma ótima de medir o nível de confiança interno. Se a equipe só o aplaudir, ou o líder é um gênio (pouco provável), ou todos sabem que não podem discordar dele. Aí é hora de implementar medidas para aumentar a confiança.

**Por ELIANA DUTRA,** coach e CEO da Pro-Fit Coaching & Treinamento. 

**PASSO A PASSO**

Os gestores dizem que evitam delegar porque não querem correr o risco de obter um resultado abaixo dos padrões de qualidade. Eles não percebem que assim criam uma série de outros problemas – colaboradores desmoralizados, sufocamento do desenvolvimento de habilidades e aumento do risco devido aos gargalos que surgem. 

Todo líder deve aceitar o risco inerente ao empowerment se quiser construir confiança. Como fazer isso? Com base em nossa experiência, “alargar tarefas” é uma das formas mais eficazes de empoderar e desenvolver as habilidades das pessoas. 

A experiência inicial que muitos gestores têm em “alargar a delegação” pode apenas reiterar a percepção de que delegar é muito arriscado. Um líder com alta aversão a riscos verá essa imersão inicial como prova de que a delegação é má ideia e parará o experimento antes que a melhora no desempenho ocorra. No entanto, o experimento tem de continuar. 

Os gestores começarão a obter empoderamento, inovação e outras vantagens que vêm com o fato de uma empresa ser líder em confiança seguindo cinco passos:

**1.** Oferecer o contexto empresarial para o trabalho que está sendo delegado, em vez de simplesmente atribuir uma tarefa. Isso permite que os colaboradores façam trade-offs mais inteligentes para cumpri-la.

**2.** Identificar diretrizes e quaisquer restrições que possam surgir.

**3.** Estabelecer expectativas claras sobre o conteúdo e a frequência dos check-ins em progresso.

**4.** Fazer acordos explícitos sobre os recursos a serem oferecidos para apoiar o trabalho.

**5.** Acompanhar a realização da tarefa para avaliar o que deu certo e o que pode ser melhorado – tanto de seu ponto de vista como da perspectiva do colaborador.

Outra descoberta importante em nossa pesquisa foi a de que colaboradores teriam mais confiança em seus líderes se estes fossem mais transparentes no processo de tomada de decisão. Isso significa o líder solicitar contribuições antes de tomar decisões que afetam esses funcionários. Também requer do líder que dê contexto e background para que os colaboradores possam entender melhor a lógica por trás das decisões. [Veja o quadro sobre o líder confiável.]

Transparência constrói confiança, tanto nos colaboradores como nos próprios dirigentes. Quais as formas mais eficazes de colaboradores e dirigentes construírem confiança por meio da transparência? 

Os colaboradores precisam praticar uma comunicação mais forte e se comportar de maneira a reduzir o risco para os supervisores. 

Para os dirigentes, o objetivo deve ser o de praticar mais transparência no processo de tomada de decisão. 

Aderindo a esses princípios, os líderes colherão os benefícios do empoderamento dos colaboradores; e há grandes chances de a criação de inovação e valor estar bem próxima. 

**5 CARACTERÍSTICAS DO DIRIGENTE CONFIÁVEL**

**1 -** Ele pede a contribuição das pessoas em decisões que as afetam. 

**2 -** Ele explica o que está por trás de cada decisão para que os outros possam entendê-la melhor.

**3 -** Ele prepara seu pessoal para ter sucesso com treinamento e recursos.

**4 -** Ele admite seus erros.

**5 -** Ele não pune as pessoas por fazerem questionamentos, ou seja, não mata o mensageiro.

**Você aplica quando…**

… entende confiança como “a disposição para correr riscos pessoais com base nas ações de outro indivíduo”.

… conscientiza-se de que a confiança é nutrida pela delegação de tarefas e responsabilidades de maneira estruturada e também pela transparência na tomada de decisão.

… comporta-se como um líder digno de confiança ao explicar o que está por trás das decisões e ao admitir erros, entre outras coisas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Contratar, promover ou buscar fora: a decisão que separa o líder do gestor

Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

O retorno ao escritório e a ilusão do controle

O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo