Uncategorized

Construindo o ecossistema de dados e analytics

Apostando no crescimento do setor, o SAS Brasil está criando seu centro de inovação local, como conta seu presidente
Presidente do SAS Brasil desde agosto de 2017. Com mais de 30 anos de experiência no setor de tecnologia, atuou em empresas como SAP, Oracle, BEA Systems e Tibco Software. Graduado e mestre em filosofia pela PUC-RS, é também escritor de ficção. Já teve nove de suas obras publicadas e uma delas, em 2015, foi selecionada como finalista do prestigioso prêmio Jabuti. Já teve uma editora de livros.

Compartilhar:

**5 – O site oficial diz que o sas nasceu no departamento de agronomia da north carolina state university, em 1976, para fazer a análise estatística de colheitas, sementes, clima, solo etc. Como isso evoluiu?**

O pioneirismo do SAS no desenvolvimento de software para apoiar processos que requerem o uso de analytics avançado define muito de nosso sucesso, assim como a explosão de dados com a internet. Mas um dos pilares desse crescimento foi, sem dúvida, o desenvolvimento de soluções orientadas a diversos problemas de negócios específicos, como gestão de riscos, prevenção de crimes financeiros, customer intelligence e soluções para atender marcos regulatórios importantes, como o GDPR agora.

**4 –  E no brasil? O que esse crescimento implica aqui, em termos de mão de obra, estratégia e capitalização nas diferentes regiões?**

O mercado de data science tem crescido de maneira expressiva aqui também. O uso contundente de instrumental analítico tem demandado mão de obra mais qualificada – e mais bem remunerada –, que precisa ser formada. Nas regiões Sudeste e Sul, as universidades têm promovido cursos voltados para cientistas de dados e, de algum modo, têm disponibilizado profissionais para esses mercados. O SAS tem colaborado com professores, pesquisadores e estudantes, disponibilizando a plataforma “SAS on Cloud” sem custo para as universidades. 

**3 – As grandes empresas já entenderam a importância dos dados e do analytics. E as de pequeno e médio porte?**

As pequenas e médias empresas começaram a despertar recentemente para o poder do analytics. E o mercado de pequeno e médio porte também é foco da estratégia do SAS. A adoção de advanced analytics acontece por níveis de maturidade de empresa e as PMEs tendem a ser o primeiro nível de adoção. Nossa estratégia inclui a constituição de um ecossistema de parceiros [distribuidores] capazes de ofertar e implementar nossas soluções a um custo apropriado e esses parceiros estão preparados para trabalhar de maneira eficiente com o primeiro nível de adoção de analytics.

**2 – Qual é a velocidade com que os dados e a inteligência artificial devem se disseminar no brasil? Como impactarão o trabalho?**

O grande número de incubadoras e centros de inovação que se vê no mercado brasileiro é um bom termômetro para mensurar a capacidade do País de contribuir para o desenvolvimento de tecnologias de IA e ML [machine learning]. Acreditamos tanto nisso que, em breve, teremos no SAS Brasil um centro de inovação próprio, onde startups serão convidadas e apoiadas para complementar soluções de negócio que fazem uso dessas tecnologias.

Quanto ao trabalho, o impacto é imenso. Grande parte das tarefas monótonas, que dependem de pessoas, serão automatizadas facilmente, claro, pois têm um padrão previsível de atividades repetitivas possível de ser replicado por algoritmos de machine learning. Mesmo certas atividades de grande complexidade, como aquelas que demandam o processamento de grandes conjuntos de dados em tempo real (por exemplo, veículos autônomos), aproveitarão os recursos da IA – seja observando, seja decidindo ou agindo em tempo real por meio de funções de otimização bem definidas.

A questão da empregabilidade diante de algo tão impactante é representativa, porque nunca o desenvolvimento do capital humano esteve tão dependente de uma estratégia lúcida e de longo prazo. A estratégia deverá estar fundamentada na ideia de aprendizagem contínua e exigirá políticas sociais e econômicas que lhe deem suporte. Precisará ser pautada pelo reconhecimento de que, em uma economia global que se transforma em grande velocidade, o conhecimento valioso de um trabalhador jovem poderá ser inútil nas décadas seguintes.

**1 – Você tem formação de humanas. Qual é sua visão a respeito de um profissional de humanas em um futuro em que o mercado será cada vez mais influenciado pela inteligência artificial?**

A área de humanas como um todo precisa ser o contraponto para o entusiasmo com a inteligência artificial e desenvolver uma crítica contínua da sociedade digital diante das grandes questões humanas, como a ética, a estética e a ontologia. Penso que a filosofia e a literatura precisam continuar sua missão de revigorar as discussões em torno dessas grandes questões.

Agora, costumo dizer que há na filosofia um caráter necessariamente inútil, no sentido de não servir para nada nem para ninguém – e, assim, não ser refém de nada nem ninguém. Quando a filosofia quer ser útil, ela vira ideologia; e ideologia exige que nada [dela] seja rediscutido.

Vale dizer que os profissionais de humanas ainda podem dar-se as mãos com as tecnologias, servindo-se delas para compreender as habilidades das pessoas – fazendo análises de correlações, constituindo a curva normal de comportamentos humanos. Mas precisam evitar a estereotipia, porque traz o risco de reducionismo. Categorizar desmedidamente as pessoas pode retirar da nossa espécie algo que foi extremamente importante para seu desenvolvimento: a diversidade. As diferenças é que nos possibilitam pensar fora da caixa.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Apartheid climático: Quando a estratégia ESG vira geopolítica

A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Quando uma guerra distante impacta os preços no mundo e no Brasil

Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários – começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
24 de março de 2026 14H00
Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários - começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
24 de março de 2026 07H00
À medida que a China eleva a inteligência artificial incorporada e as interfaces cérebro‑máquina ao status de indústrias estratégicas, uma nova disputa tecnológica global se desenha - e o epicentro da inovação pode estar prestes a mudar de coordenadas.

Leandro Mattos - Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de março de 2026 14H00
Entre inovação, sustentabilidade e segurança regulatória, o modelo de concessões evolui para responder aos novos desafios da mobilidade urbana no Brasil.

Edson Cedraz - Sócio-líder para a indústria de Government & Public Services e Fernanda Tauffenbach - Sócia de Infrastructure and Capital Projects

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
23 de março de 2026 08H00
Num setor que insiste em se declarar neutro, este artigo expõe a pergunta incômoda que a tecnologia evita - e revela por que ampliar quem ocupa a mesa de decisões é urgente para que o futuro não repita o passado.

Roberta Fernandes - Diretora de Cultura e ESG do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de março de 2026 08H00
Num mundo em que qualquer máquina produz texto, imagem ou vídeo em segundos, o verdadeiro valor deixa de estar na geração e migra para aquilo que a IA não entrega: julgamento, intenção e a autoria que separa significado de ruído - e conteúdo de mera repetição.

Diego Nogare - Especialista em Dados e IA

3 minutos min de leitura
Liderança, ESG
21 de março de 2026 11H00
Entre progressos estruturais e desafios persistentes, o Brasil passa por uma transformação profunda e se vê diante da urgência de consolidar conselhos mais plurais, estratégicos e preparados para os dilemas do século 21.

Felipe Ribeiro - Sócio e cofundador da Evermonte Executive & Board Search

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...