Desenvolvimento pessoal

Contagem Regressiva com Izabela Toledo o Ego e a Liderança

A consultora do Fesap Group conta que observa a consciência das pessoas quanto a seu ego; a ausência desta pode levar a decisões que não beneficiem a organização

Compartilhar:

**SAIBA MAIS SOBRE IZABELA TOLEDO**

**Quem é:** Sócia e diretora do Fesap Group. Especialidade: Desenvolvimento organizacional e coaching.

**O Fesap Group:** É considerado a maior operação de retained executive search da América Latina, comandado por Carlos Guilherme Nosé. 

**5 – VOCÊ É UMA CONSULTORA QUE PRESTA ATENÇÃO AO EGO DOS EXECUTIVOS PARA AJUDAR A RECRUTÁ-LOS. POR QUÊ?**

O ego pode atrapalhar seu desempenho. Amit Goswami [estudioso de física quântica] já disse que as decisões costumam ser tomadas com base nas memórias e nos egos, e grande parte de nós, gestores, não tem autoconsciência suficientemente apurada para perceber quando o ego nos domina. Por exemplo, a necessidade de ter poder é ligada ao ego – tomar decisões para aumentar poder é bastante comum e, muitas vezes, pode não ser o melhor para a organização.

Conto uma história que aconteceu comigo. Certa vez, em uma reunião, um projeto não foi aprovado e era ótimo. Fui conversar com um dos executivos que tinham o poder de decisão para entender a razão da negativa e recebi a seguinte resposta: “O projeto realmente era bom, mas a Fulana não veio me perguntar o que eu achava dele antes da reunião. Não fui envolvido e, portanto, não aprovei”. 

O ego pode ser mascarado nas organizações pela ideia de “alinhar”. Questiono o real sentido de “alinhar”: significa fazer com que todas as pessoas tenham as mesmas informações para seguir em frente ou tem a ver com satisfazer o ego de quem propõe um alinhamento? 

**4 – QUANTO O EGO PESA NA DECISÃO DE UM LÍDER, QUANDO COMPARADO COM VONTADES, INTERESSES E NECESSIDADES?**

Como estamos em um mundo onde o ego é inflado o tempo todo, as coisas se misturam. Quando alguém fala que sente falta de reconhecimento, isso pode, ou não, estar misturado com seu ego. É muito fácil um líder buscar aprovar um projeto não pelo benefício que este trará ao negócio, mas porque ele ganhará mais dinheiro assim (por interesse), e/ou porque quer agradar a alguém (por vontade e/ou necessidade), e/ou porque deseja brilhar (por ego). 

Eu diria que as decisões de um líder no início da carreira tendem a receber mais influência do ego do que dos outros elementos, porque o impulso de provar valor, a si mesmo e aos outros, é naturalmente maior nos primeiros degraus. 

Isso deveria significar que, na outra ponta, os líderes mais experientes têm maior consciência de suas escolhas e atos e do desafio que é controlar o próprio ego. No entanto, o fato é que nem sempre idade traz sabedoria; há jovens líderes com bem mais maturidade que alguns veteranos. 

Independentemente da idade e da experiência, a lógica é que as pessoas mais imaturas emocionalmente vivem situações mais primárias, ligadas ao ego, enquanto as mais maduras decidem com maior sofisticação – aparente. 

**3 – MENOS EGO SEMPRE TRAZ MAIS VANTAGENS? UMA PESQUISA DE WHARTON QUE PUBLICAMOS INDICA QUE MULHERES EMPREENDEM MENOS PORQUE TÊM MAIS HUMILDADE…**

Acho que o fato de uma pessoa ser ou não humilde não está ligado necessariamente a um perfil empreendedor. Algumas pessoas nascem com habilidades, atitudes e vontades voltadas para o empreendedorismo e outras não. É claro que vejo a humildade com bons olhos, para homens e mulheres. A palavra “humildade” vem do latim humilitas; é a virtude que consiste em conhecer as próprias limitações e fraquezas, agindo de acordo com essa consciência. Ter humildade, nesse sentido, significa que a pessoa tem maior autoconsciência, e isso ajuda a controlar o ego. Quando temos humildade e estamos abertos ao aprendizado, nossa escuta se torna mais ativa, o que é muito positivo para as relações e as construções em equipe. 

**2 – É POSSÍVEL DESCOBRIR SE OS EGOS DE ALGUNS VÃO PREJUDICAR A EMPRESA?**

Onde há ser humano, há ego, não podemos ignorar isso. Mas alguns contextos permitem que o ego seja mais danoso do que outros. 

Vale a pena identificar os contextos da empresa, como o sistema de remuneração. O sistema incentiva o trabalho em equipe ou o desempenho individual? O segundo tipo dá mais margem a puxadas de tapete movidas a ego do que o primeiro. 

Outro ponto importante é a cultura da organização. Ela fomenta a ética, a comunicação clara e transparente, o respeito ao ser humano? E, mais importante, a prática dessa cultura é para valer ou se trata só de discurso? 

Também é fundamental observar a postura dos líderes. Que exemplos eles dão para suas equipes? Como se relacionam com seus pares? São autoconscientes? 

**1 – ENTÃO, O POTENCIAL ESTRAGO DO EGO PODE SER NEUTRALIZADO…**

Sim, na minha percepção, as decisões pautadas em egos podem ser minimizadas. Consegue-se isso usando processos que fortaleçam o diálogo e o coletivo – estimulam-se a troca de ideias e as decisões tomadas em grupo. Também é bom priorizar líderes com autoconsciência.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Sua empresa tem IA – mas continua decidindo como se não tivesse

O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma – fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Meu filho não usou IA, mas me ensinou algo sobre ela

A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Se a IA não te recomenda, você não está no jogo

A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra – e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Flexibilidade não pode ser benefício

E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Inovação & estratégia
20 de maio de 2026 08H00
Grandes decisões não cabem em um post. Este artigo mostra por que as decisões que realmente importam continuam acontecendo longe da timeline.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de maio de 2026 13H00
O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma - fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão