Liderança

Continuamos a zero dias sem acidentes emocionais

Após um ano de pandemia, continuamos pegando pesado no tratamento com colaboradores, entre líderes e pessoalmente, com as nossas questões internas. Esse artigo busca oferecer uma reflexão que vai na contramão dessa realidade atual
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Já fizemos aniversário de isolamento. Mais de um ano revendo nossa convivência, buscando aguentar firme nesse novo jeito de viver, cada vez mais ansiosos por uma vacina que nos permita voltar a nos relacionar olho no olho. Está demorando, muito, aliás, mais do que gostaríamos.

Logo nas primeiras semanas do fatídico mês de março (2020) que recomendamos que os brasileiros ficassem em casa, na medida do possível, escrevi um artigo sobre o pequeno caos que nos encontrávamos, descobrindo uma forma de lidar com a montanha-russa de afazeres e emoções. Eis que mais de um ano depois, a gente ainda vem colecionando causos, alguns engraçados, mas outros tantos bastante trágicos.

Foi também um bom ano para nos darmos conta de que saúde emocional conta, e conta muito. Cada pessoa reage de uma forma ao isolamento e isso tem trazido, pelo menos para mim, muitas reflexões, especialmente sobre empatia.

Sempre gostei de observar as pessoas. É o meu jeito de me importar com elas. Então, naturalmente, percebo rápido quando tem alguma coisa fora do lugar. Passei a perguntar mais: “como você está?”. Deixei de perguntar “você está bem?” porque percebi uma certa violência nisso.

Parece uma obrigação estar sempre bem. Parece que [a gente é frágil se não aguenta o tranco](https://www.revistahsm.com.br/post/o-ceo-que-lava-louca-e-a-importancia-da-vulnerabilidade). Sempre que vejo alguém dando um pito em outro alguém porque não está bem, me lembro da “sabedoria popular”: mimimi é a dor que só dói na outra pessoa. Então vamos pegar mais leve, gente.

## Leveza no tom

Essa coluna foca o papel da liderança, por isso não custa lembrar que as pessoas são diferentes, reagem ao isolamento de forma diferente e a gente pode tentar mediar isso da melhor forma possível. Que forma é essa? Não tenho uma resposta precisa, mas passa por dar um pouco de atenção individualizada.

Além disso, a resposta passar por entender como as pessoas estão, pegar leve na quantidade de pressão que colocamos nas coisas do dia a dia (inclua aí dez zooms / teams por dia, o que já tem sido considerado um “zoom fadigue”), dar um toque quando a gente vê alguém pegando pesado com outra pessoa.

Esse período uma hora vai passar, mas a memória afetiva desse período, não. Disso vamos lembrar durante um bocado de tempo.

Falo muito de time, mas é bom também olhar para os nossos pares, para a nossa liderança. No fim das contas, somos todos humanos. E quanto mais subimos na escalada de carreira, menos gente temos para conversar.

Adivinha o que a gente faz quando falta válvula de escape? Álcool, drogas, mais trabalho, mais comportamento explosivo. Há também quem se encontre nas leituras ou desconte o estresse em algum esporte, por exemplo. Mas os pobres esportes e livros são apenas uma opção entre várias outras desastrosas: fácil se perder e depois se arrepender.

## CUIDADO

Com mais consciência sobre isso, a gente pode cuidar mais uns dos outros. Dar suporte. Apoio. Pegar leve. Recomendar um(a) especialista da área de saúde, se for o caso. Ninguém devia largar a mão de ninguém.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Menos chat, mais gente

Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar – e pensar por conta própria

ESG, Estratégia
9 de março de 2026
Crescimento não recompensa discurso; recompensa previsibilidade. É por isso que governança virou mecanismo financeiro, não vitrine institucional

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de março de 2026
Falta de diagnóstico, de planos de carreira, de feedbacks estruturados e programas individualizados comprometem a permanência dos profissionais mais estratégicos nas organizações brasileiras

Maria Paula Paschoaletti - Sócia da EXEC

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...