Inovação
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Contrato de trabalho moderno e gestão antiga: um entrave para a produtividade

7 anos depois da reforma trabalhista, empresas ainda não entenderam: flexibilidade legal não basta quando a gestão continua presa ao relógio do século XIX. O resultado? Quiet quitting, burnout e talentos 45+ migrando para o modelo Talent as a Service
A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais 45+ sob demanda. Faz parte do Grupo Talento Incluir e é idealizadora do Hub Sênior para Sênior. Foi finalista do ‘Prêmio Inovação Social da Fundação MAPFRE’, na categoria “Economia Sênior” e é acelerada pela Seniortech Ventures. Foi uma das startups convidadas a participar do Fórum ‘Davos Innovation Week’, sobre inovação em Davos (2024) para apresentar o conceito pioneiro de Talent as a Service (TaaS) na contratação de profissionais maduros.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

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Mais de sete anos após a aprovação da reforma trabalhista (2017), as empresas ainda não estão conseguindo usufruir do aumento da flexibilidade trazido pela lei para gerenciar suas equipes e aumentar a produtividade. Essa reforma, que foi tanto questionada pela massa assalariada, pode sim ter sido vista por muitos empresários como uma possibilidade de pagar menos impostos e manter os talentos. E é aí que ela foi subestimada. 

Ao permitir novos formatos de contratos de trabalho, a reforma abriu caminho para um redesenho da lógica industrial do século XIX, que se baseava no controle rigoroso do tempo. As regras trabalhistas anteriores eram (e em parte ainda são) desenhadas para proteger os abusos que vieram na revolução industrial, como colocar as pessoas trabalhando muitas horas ao dia, em condições insalubres e sem descanso semanal ou férias.

Esse modelo, originado como medida protetiva contra os abusos da Revolução Industrial, ainda persiste nos dias de hoje, muito mais por hábito e conveniência do que por eficácia. A jornada fixa virou uma “desculpa” para quem tem dificuldade em avaliar desempenho de forma personalizada. Afinal, é mais simples elogiar quem “chega cedo, sai tarde e não falta” do que negociar metas reais, alinhadas com entregas específicas e mensuráveis.

O fato é que esse tipo de gestão está entrando em colapso diante da nova realidade do trabalho — e dos trabalhadores. No modelo tradicional, o profissional recebe o valor fixo e deve trabalhar 8 horas por dia. Em início de trabalho, esse profissional tomado de estresse positivo, trabalha 10,12 horas por dia porque quer fazer a diferença. Mas, hoje em dia, os profissionais que dominam ferramentas de automação, inteligência artificial e metodologias ágeis estão entregando mais em menos tempo. E aí surge a grande pergunta: o que fazer com as horas que sobram?

O profissional usa esse tempo de sobra para estudar, descansar ou investir em bem-estar, sem prejuízo nos resultados. Ou é pressionado a preencher o vazio com novas tarefas, sem ajuste contratual, reconhecimento ou promoção, o que leva à desmotivação, frustração e, muitas vezes, burnout.

Então, o problema não está nas novas tecnologias, na reforma da lei. Está no entendimento sobre as transformações do mundo do trabalho. Muitos gestores e áreas de RH insistem em manter o relógio como principal critério de produtividade. É esse desencontro de regras e realidade que acarreta as críticas à geração Z, o quiet quitting, e danos à saúde mental.

É neste cenário que os profissionais maduros estão experimentando novas vivências profissionais, com contratos de trabalho flexíveis no conceito Talent as a Service, que permite ao profissional 45+ negociar os dias/horas que ele pode dedicar a cada empresa que desejar atender com sua experiência acumulada. A vantagem para as empresas é contar com os conhecimentos desse profissional e que poderá ser utilizada em um projeto específico ou para a solução de problemas.

Os principais benefícios do formato seguem para que contrata e para quem é contratado. As empresas experimentam um incremento às inovações com times de profissionais de diferentes gerações, mais atraentes para a inovação. Os profissionais experientes, são contratados por apenas algumas horas por semana, o que lhes permite atender outras empresas. Além disso, as empresas que contratam profissionais maduros nesse formato, aumentam a inclusão da diversidade e se fortalecem como agentes de mudança social.

O modelo propõe o compartilhamento de talentos com experiência de mercado e permite ao profissional maduro prestar serviço para empresas em qualquer lugar do mundo, diminuindo o cenário de escassez de talentos.

Os desafios para os líderes estão em realizar a transição da cultura do controle para a cultura da confiança. É hora de abandonar o modelo de comando-controle e atualizar, com coragem, o software mental da liderança. Senão, seguiremos com contratos do século XXI e práticas gerenciais do século XIX.

Avaliar por entrega, respeitar a autonomia, exige adaptação nas metas e mais esforço, mais escuta. Dá trabalho, mas o resultado é a construção de times mais engajados, criativos e saudáveis. Nós temos todas as tecnologias para vivermos melhor, porém a “tornozeleira cultural” ainda segura gestores do presente!

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