Inovação
4 min de leitura

Contrato de trabalho moderno e gestão antiga: um entrave para a produtividade

7 anos depois da reforma trabalhista, empresas ainda não entenderam: flexibilidade legal não basta quando a gestão continua presa ao relógio do século XIX. O resultado? Quiet quitting, burnout e talentos 45+ migrando para o modelo Talent as a Service
A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais 45+ sob demanda. Faz parte do Grupo Talento Incluir e é idealizadora do Hub Sênior para Sênior. Foi finalista do ‘Prêmio Inovação Social da Fundação MAPFRE’, na categoria “Economia Sênior” e é acelerada pela Seniortech Ventures. Foi uma das startups convidadas a participar do Fórum ‘Davos Innovation Week’, sobre inovação em Davos (2024) para apresentar o conceito pioneiro de Talent as a Service (TaaS) na contratação de profissionais maduros.
Juliana Ramalho é CEO da Talento Sênior - A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais - e sócia-fundadora da Talento Incluir - um ecossistema da diversidade e inclusão pioneiro no Brasil. Além das operações da consultoria, é responsável por inovação, tecnologia e expansão internacional. Com 20 anos de experiência no mercado financeiro, passou por diversas áreas no banco Santander, incluindo a superintendência de área de estratégia. É formada em engenharia pela Escola Politécnica (USP), pós-graduada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (USP), MBA internacional na Columbia Business School, em NYC e com Formação Executiva em Mercado da Longevidade pela FGV. Co-autora do livro Economia Prateada — Inovações e oportunidades

Compartilhar:

Mais de sete anos após a aprovação da reforma trabalhista (2017), as empresas ainda não estão conseguindo usufruir do aumento da flexibilidade trazido pela lei para gerenciar suas equipes e aumentar a produtividade. Essa reforma, que foi tanto questionada pela massa assalariada, pode sim ter sido vista por muitos empresários como uma possibilidade de pagar menos impostos e manter os talentos. E é aí que ela foi subestimada. 

Ao permitir novos formatos de contratos de trabalho, a reforma abriu caminho para um redesenho da lógica industrial do século XIX, que se baseava no controle rigoroso do tempo. As regras trabalhistas anteriores eram (e em parte ainda são) desenhadas para proteger os abusos que vieram na revolução industrial, como colocar as pessoas trabalhando muitas horas ao dia, em condições insalubres e sem descanso semanal ou férias.

Esse modelo, originado como medida protetiva contra os abusos da Revolução Industrial, ainda persiste nos dias de hoje, muito mais por hábito e conveniência do que por eficácia. A jornada fixa virou uma “desculpa” para quem tem dificuldade em avaliar desempenho de forma personalizada. Afinal, é mais simples elogiar quem “chega cedo, sai tarde e não falta” do que negociar metas reais, alinhadas com entregas específicas e mensuráveis.

O fato é que esse tipo de gestão está entrando em colapso diante da nova realidade do trabalho — e dos trabalhadores. No modelo tradicional, o profissional recebe o valor fixo e deve trabalhar 8 horas por dia. Em início de trabalho, esse profissional tomado de estresse positivo, trabalha 10,12 horas por dia porque quer fazer a diferença. Mas, hoje em dia, os profissionais que dominam ferramentas de automação, inteligência artificial e metodologias ágeis estão entregando mais em menos tempo. E aí surge a grande pergunta: o que fazer com as horas que sobram?

O profissional usa esse tempo de sobra para estudar, descansar ou investir em bem-estar, sem prejuízo nos resultados. Ou é pressionado a preencher o vazio com novas tarefas, sem ajuste contratual, reconhecimento ou promoção, o que leva à desmotivação, frustração e, muitas vezes, burnout.

Então, o problema não está nas novas tecnologias, na reforma da lei. Está no entendimento sobre as transformações do mundo do trabalho. Muitos gestores e áreas de RH insistem em manter o relógio como principal critério de produtividade. É esse desencontro de regras e realidade que acarreta as críticas à geração Z, o quiet quitting, e danos à saúde mental.

É neste cenário que os profissionais maduros estão experimentando novas vivências profissionais, com contratos de trabalho flexíveis no conceito Talent as a Service, que permite ao profissional 45+ negociar os dias/horas que ele pode dedicar a cada empresa que desejar atender com sua experiência acumulada. A vantagem para as empresas é contar com os conhecimentos desse profissional e que poderá ser utilizada em um projeto específico ou para a solução de problemas.

Os principais benefícios do formato seguem para que contrata e para quem é contratado. As empresas experimentam um incremento às inovações com times de profissionais de diferentes gerações, mais atraentes para a inovação. Os profissionais experientes, são contratados por apenas algumas horas por semana, o que lhes permite atender outras empresas. Além disso, as empresas que contratam profissionais maduros nesse formato, aumentam a inclusão da diversidade e se fortalecem como agentes de mudança social.

O modelo propõe o compartilhamento de talentos com experiência de mercado e permite ao profissional maduro prestar serviço para empresas em qualquer lugar do mundo, diminuindo o cenário de escassez de talentos.

Os desafios para os líderes estão em realizar a transição da cultura do controle para a cultura da confiança. É hora de abandonar o modelo de comando-controle e atualizar, com coragem, o software mental da liderança. Senão, seguiremos com contratos do século XXI e práticas gerenciais do século XIX.

Avaliar por entrega, respeitar a autonomia, exige adaptação nas metas e mais esforço, mais escuta. Dá trabalho, mas o resultado é a construção de times mais engajados, criativos e saudáveis. Nós temos todas as tecnologias para vivermos melhor, porém a “tornozeleira cultural” ainda segura gestores do presente!

Compartilhar:

A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais 45+ sob demanda. Faz parte do Grupo Talento Incluir e é idealizadora do Hub Sênior para Sênior. Foi finalista do ‘Prêmio Inovação Social da Fundação MAPFRE’, na categoria “Economia Sênior” e é acelerada pela Seniortech Ventures. Foi uma das startups convidadas a participar do Fórum ‘Davos Innovation Week’, sobre inovação em Davos (2024) para apresentar o conceito pioneiro de Talent as a Service (TaaS) na contratação de profissionais maduros.

Artigos relacionados

O fim da educação cega: Learner 360 – uma nova forma de enxergar quem aprende

O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

O futuro do trabalho será criativo, conectado e escalável

A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Criatividade deixou de ser campanha. Tornou-se estratégia.

O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

O que os lugares ensinam sobre controle

Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Circulando pelo mundo, com sotaque brasileiro

Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Educação
23 de outubro de 2026 15H00
O artigo discute por que a personalização da aprendizagem exige ir além dos indicadores tradicionais e apresenta o conceito de Learner 360, uma proposta para construir uma visão mais integrada, dinâmica e significativa do aprendiz, capaz de apoiar decisões educacionais mais precisas e trajetórias de desenvolvimento verdadeiramente centradas no indivíduo.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de outubro de 2026 08H00
A IA vai tirar empregos ou reinventar o trabalho? A pergunta mais comum sobre inteligência artificial ainda gira em torno da substituição de empregos. O artigo propõe uma reflexão sobre o futuro das carreiras, questionando a estrutura tradicional das organizações e defendendo um modelo em que pessoas se concentram cada vez mais em criar, conectar, verificar e escalar, enquanto a IA assume grande parte das atividades operacionais.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Estratégia, Marketing & growth
22 de outubro de 2026 15H00
O artigo defende que a criatividade deixou de ser um recurso pontual para se tornar uma capacidade organizacional capaz de conectar tecnologia, inovação, cultura e estratégia, sustentando o crescimento contínuo e a relevância das empresas no longo prazo.

Thais Lima - Diretora da MarkUp

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
22 de outubro de 2026 08H00
O artigo explora como a colaboração entre montadoras, startups, centros de pesquisa e programas de fomento está acelerando a criação de soluções centradas na experiência humana, mostrando que o futuro da mobilidade será construído pela capacidade de conectar tecnologia, ecossistemas de inovação e necessidades reais da sociedade.

Ana Claudia Didier -

4 minutos min de leitura
Marketing, Estratégia
21 de outubro de 2026 12H00
Marca de empresa é criada, marca de lugar é descoberta. Os gestores corporativos têm muito o que aprender com o “place branding” sobre gerir algo que não tem dono

Caio Esteves

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de outubro de 2026 08H00
Os padrões abertos já permitem que uma credencial de competência seja lida em qualquer país. O que ela significa depende de quem constrói o trilho por onde ela passa. Europa e Ásia já fizeram essa escolha, e o Brasil tem todas as peças para fazer a sua.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por POK Brasil
8 minutos min de leitura
ESG, Liderança
20 de outubro de 2026 08H00
Ao celebrar 13 anos de atuação, o Grupo Mulheres do Brasil reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e diversa. Mas sua trajetória revela um impacto que vai além das causas e dos projetos: a força de uma rede capaz de conectar mulheres, criar oportunidades, fortalecer vínculos e promover desenvolvimento pessoal e coletivo.

Alexandra Segantin - CEO do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de outubro de 2026 14H00
Ao acompanhar o desenvolvimento de um levain, o autor encontrou paralelos inesperados com a vida nas organizações. Alimentar, observar, ajustar o ambiente e respeitar o tempo do processo são gestos que ajudam a entender uma das funções mais importantes da liderança: criar condições para que pessoas e equipes alcancem seu potencial coletivo.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

11 minutos min de leitura
Estratégia
19 de outubro de 2026 08H00
Este é o quinto artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira. Após examinarmos a posição global do país, o acesso a medicamentos e a capacidade científica e industrial, a conversa com Norberto Prestes, da Abiquifi, amplia a investigação para as conexões entre empresas, pesquisadores, universidades e financiamento. Como avaliar investimentos e resultados com informações pouco comparáveis? Entre orçamentos de P&D, incentivos acadêmicos e descobertas de pequenas equipes, buscamos parâmetros para examinar como o conhecimento se converte em aplicações, capacidade econômica e benefícios para a população.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
18 de outubro de 2026 15H00
Recursos avançados, aplicativos e conectividade impressionam, mas raramente são o motivo principal de uma decisão de compra. O que as pessoas realmente buscam é uma solução capaz de tornar a vida mais simples e agradável. O artigo explora por que o sucesso de produtos inteligentes depende menos das funcionalidades e mais da capacidade de entregar uma experiência intuitiva e consistente.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor responsável técnico da Hotfloor

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução