Uncategorized

Cooperativismo high-tech

Muito se sabe sobre o atendimento humanizado das cooperativas de crédito, mas pouco se fala em tecnologia. E há muito investimento e avanços nessa área.
Dirigente da Sicoob Credisul no Norte do Brasil, conselheiro fiscal do Sescoop/RO e presidente estadual da JARO - Junior Achievment/RO. Engenheiro de produção, com MBA em gestão empresarial e gestão do agronegócio, mais de 20 anos de experiência profissional, sendo 16 em grandes instituições financeiras nacionais e internacionais, atuando no estado de São Paulo.

Compartilhar:

Foi no dia 14 de novembro de 2018 que o Sicoob, um dos maiores sistemas de cooperativas de crédito do Brasil, fez sua primeira transferência de valores utilizando a tecnologia blockchain. Em estudo desde 2016, após firmar parceria com outras grandes instituições em 2017, foi possível colocar o blockchain no portifólio de tecnologias dominadas por cooperativas de crédito. E isso não é exceção ou experimento pontual. Ano a ano as cooperativas de crédito têm investido em recursos cada vez mais tecnológicos para atender seus cooperados. O problema é que pouca gente sabe disso.

Além do desconhecimento, outros fatores podem levar as pessoas a concluírem erroneamente que tecnologia não é prioridade em uma cooperativa de crédito. Afinal, uma instituição que: 

– Promove a inclusão financeira em localidades onde nenhuma outra instituição atua;

– Emprega a mão de obra local para seus pontos de atendimento;

– Busca o constante contato presencial com seus sócios;

– Está fortemente ligada ao agronegócio; 

– Concentra sua atuação no interior, fora dos grandes centros…

..não tem o mesmo nível tecnológico dos grandes conglomerados financeiros e nem profissionais qualificados para tal, certo? Errado.

Em termos de volumes totais, os sistemas investem em torno de R$ 350 milhões por ano, o que pode parecer pouco. Mas considerando que isso tudo é feito em conjunto com as cooperativas singulares, buscando atender as reais demandas dos associados de forma rápida e simples, os resultados obtidos são fantásticos. O aplicativo do Sicoob para smarthphones, por exemplo, foi destacado pelo Relatório Bancário de 2015 como o melhor do ano e, desde então, vem recebendo premiações e reconhecimentos Brasil afora. 

Todos os serviços oferecidos pelas instituições financeiras, tais como aplicativos, cartões de crédito, de cobrança, contas a pagar e adquirência (popularmente chamada de maquininha de cartão) também são disponibilizados pelas cooperativas, sendo uma boa alternativa, inclusive de preços, que costumam ser mais justos. 

Hoje alguns sistemas de cooperativas já possuem as aberturas de contas de forma totalmente digital, sem que em nenhum momento o associado precise se deslocar a um ponto de atendimento e em alguns casos até com limites pré-aprovados. Este recurso tem sido fortemente utilizado principalmente pelos mais jovens. Até inteligência artificial está sendo utilizada amplamente, como o reconhecimento facial para tornar o processo ainda mais seguro.

Outra novidade é a entrada em operação em novembro deste ano do PIX, um sistema onde as transferências monetárias entre instituições ocorrerão de forma instantânea, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Esse novo sistema trará além de maior agilidade e disponibilidade nas transações, mais segurança com menor custo aos usuários e isso também já está disponível para os associados das cooperativas.

## Pandemia e a prova de fogo das cooperativas

Como disse Sun Tzu, “Na paz, prepare-se para guerra…”. E foi o que os grandes sistemas, como Sicoob e Sicredi, fizeram ao investirem continuamente em tecnologia no mundo pré-pandemia. Por isso que, quando a quarentena foi decretada e o número de acessos digitais explodiu, a infraestrutura tecnológica das cooperativas conseguiu suportar o crescimento repentino. Foi a prova de fogo e o cooperativismo de crédito não desapontou.

Mesmo nos lugares mais ermos, um aumento em cerca de 50% de utilização dos canais digitais foi constatado, principalmente nos aplicativos para smartphones. Os colaboradores, de forma presencial ou online, tiveram um papel fundamental no auxílio daqueles cooperados que não eram familiarizados com os sistemas digitais. 

Um ponto muito importante a se destacar é que, mesmo após a flexibilização dos decretos em alguns lugares, os associados continuaram a realizar suas transações de forma direta, digitalmente em caixas eletrônicos, smartphones e notebooks, mas também passaram acessar as agências em busca de novos produtos. Algumas cooperativas singulares que estavam mais preparadas, apresentaram no primeiro mês mais de 40% de crescimento em seus ativos.

Com tudo isso, a conclusão é que é possível aliar a alta tecnologia, sofisticação e diversificação de produtos e serviços financeiros, sem perder a simplicidade, a excelência no atendimento, investindo de forma inteligente e otimizada, e o melhor: ainda distribuindo aos associados todo o excedente.* E, se você não conhecia esse outro lado das cooperativas de crédito, deixo aqui um convite para que passe essa informação adiante. Quem sabe você não nos ajuda a espalhar essa mensagem? =)

** Lembrando que todo o excedente financeiro de uma cooperativa não se destina a remunerar o capital, e sim retornar ao cooperado, na proporção de suas atividades, a parte que lhe compete.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo