Transformação Digital

Covid-19: a necessária revolução digital da indústria automotiva

Transformadas pelos impactos recorrentes da pandemia, montadoras e concessionárias aceleram formatos de vendas digitais, principalmente no e-commerce
Diretor de marketing digital e mídia da General Motors da América do Sul. Formado em publicidade e propaganda pela UFRJ e com um MBA em marketing pelo IAG-PUC-RJ, iniciou sua carreira na Infoglobo, foi trainee na C&A e teve sólidas passagens por empresas como Nike e ABInBev. Bruno é mestre em administração de empresas pela EAESP-FGV (MPA) e tem um canal no Youtube, o @MarketingFC, para falar de marketing, mídia e um pouco de futebol.

Compartilhar:

Apresentando exemplos, nas próximas colunas vou escrever sobre segmentos e empresas que se reinventaram e não apenas sobreviveram ao Covid-19. Antes de mais nada, não sou negacionista e reconheço que hoje vivemos a pior fase da pandemia no Brasil, com recordes diários de mortes. No entanto, [isso não impediu empresários de reagir](https://mitsloanreview.com.br/post/a-pandemia-tornou-urgente-a-transformacao-digital), do ponto de vista de estratégia e adaptação, a essa nova realidade. Quem dormiu no ponto, só pode esperar a vacinação em massa. Dito isso, gostaria de começar esta série com um segmento centenário e de suma importância no PIB brasileiro: o automotivo.

A covid-19 apenas evidenciou e tornou inevitável a transformação do modelo de negócio, trazendo o digital para o centro da estratégia de concessionárias e montadoras. O exposto foi facilitado por uma nova perspectiva de marketing que surgiu com a digitalização da jornada do consumidor de carros. O crescimento da eficiência do marketing digital passou não só a influenciar negócios online, mas também suas versões tradicionais no mundo real.

A importância de [combinar fortes estratégias de marketing online e offline ](https://mitsloanreview.com.br/post/marketing-digital-e-estrategia-ou-tatica-para-seu-negocio)e, com ambos, fomentar negócios digitais, tradicionais ou um mix dos dois. Para as empresas, o efeito foi acompanhado por uma transformação no comportamento do consumidor. A internet trouxe novas possibilidades, principalmente ligadas à facilidade de comparação e pesquisa sobre produtos e serviços. O consumidor, antes dependente de informações de terceiros em lojas, showrooms ou call-centers, agora possui mais de uma ferramenta que viabilizam maior estudo prévio sobre um carro ou marca.

## A primeira quarentena

Em março de 2020, o Brasil encarrou a inédita situação de ter que impor, pela primeira vez em sua história, uma quarentena e restrições de circulação na maioria das grandes cidades. O negócio de vendas de carros, 100% dependente das lojas físicas, tanto para venda de novos, quanto usados e serviços, ficou sem chão, e principalmente, sem vendas. As montadoras tiveram que correr para apresentar soluções às suas redes.

Até antes da pandemia eram tímidas as iniciativas das montadoras em [marketing digital e vendas](https://www.revistahsm.com.br/post/os-milagres-ou-pecados-da-midia-programatica) que não fossem focadas na geração de leads (formulários com oportunidades de vendas de clientes querendo saber mais sobre um carro) para concessionárias.

Embora o processo de melhoria, tanto de montadoras e concessionárias neste sentido, objetivava sempre levar o consumidor a agendar uma visita ou um test drive, com a covid-19 e o fechamento das lojas, as montadoras tiveram que acelerar outras opções. O Mercado Livre foi o primeiro a sair com algumas soluções que permitiam a reserva de carros pela plataforma com o pagamento de uma pequena entrada. BMW, Chevrolet, Volks e FCA foram algumas que testaram esta plataforma.

## Inovação em meio à pandemia

No meio do furacão que passava pela saúde e política brasileira, as montadoras e concessionárias acharam [espaço para inovar](https://mitsloanreview.com.br/post/separar-ou-integrar-inovacoes-disruptivas-em-empresas-estabelecidas). Nesse sentido, o aplicativo WhatsApp foi decisivo para uma transformação do modelo de lead para o modelo de conversação. Todas as montadoras iniciaram processos e projetos usando o WhatsApp para facilitar o contato entre clientes e concessionárias.

Hoje as lojas têm na plataforma comprada pelo Facebook em 2014 um grande canal de vendas – e na pandemia foi o epicentro do contato entre vendedores e clientes para continuar vendendo carros. Dentre as iniciativas, e sem nepotismo, destaco o trabalho da Chevrolet em parceria com o WhatsApp e a startup mineira Take.

A montadora norte-americana criou no Brasil, e já exportou para Equador e Argentina, uma inteligência artificial que permite que qualquer cliente entre em contato com qualquer vendedor, de qualquer loja, em questão de minutos, além de responder qualquer dúvida sobre os produtos e serviços. Em breve será possível, inclusive, simular financiamento pelo WhatsApp.

## A segunda onda

Renault, Nissan e VW lançaram plataformas de venda online, com possibilidade de pagamento de entrada, venda do seu usado e simulação de financiamento e, desde então, tem possibilidade de oferecer às suas redes opções de vendas mesmo mediante a um novo lockdown que iniciou em março de 2021.

FCA e GM já anunciaram que lançarão suas versões de e-commerce ainda em 2021. Parece que a chegada de um modelo de vendas digitais e de facilitação de contato entre consumidores e concessionárias está na pauta de todas as montadoras e será inevitável neste ano. A notícia é ótima para o setor, que vive preocupado há anos com a dispersão do consumidor, que não tem se mostrado mais empolgado em ir às lojas físicas e feirões aos fins de semana.

## EM PLENA ATIVIDADE

Estamos em novo lockdown e novamente o setor automotivo hoje está mais preparado para isso. Embora o problema agora seja muito mais produto, devido a um blackout de matérias-primas, que causou o fechamento temporário de fábricas das principais montadoras no Brasil e no mundo, o setor parece estar pronto para a revolução digital. Quem diria que o centenário e incumbente setor automotivo estaria hoje no centro da transformação digital. Como diria o velho ditado: a necessidade faz o homem, e as empresas também.

*Gostou do artigo? Confira o [primeiro artigo dessa série](https://www.revistahsm.com.br/post/covid-19-sua-empresa-se-reinventou-ou-apenas-sobreviveu) escrita pelo Bruno Campos. Aproveite e saiba mais sobre transformação digital assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcastas](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) na sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Tudo que aprendi sobre a gestão da nova hotelaria nos últimos cinco anos

Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

O SaaSpocalypse chegou? Talvez a pergunta esteja errada.

A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução