Dossiê HSM

Criaremos nossas vertentes da Revolução 4.0

O uso de tecnologias digitais para a bioeconomia e o esg dará vantagem competitiva ao brasil, dizem acadêmicos
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

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O Brasil e suas empresas talvez consigam finalmente se apropriar do conceito e das ferramentas de indústria 4.0, ou seja, aplicá-la criativamente para seus desafios específicos. Quem sugere isso é o professor da FEA-USP, Moacir Oliveira Jr.

Ele dá um exemplo do que pode ser essa apropriação: o Amazônia 4.0, projeto ambicioso que envolve a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto prevê realizar “pesquisa, desenvolvimento e inovação do bioma amazônico para ser útil para a sociedade”. Em outras palavras, o objetivo é criar um cluster mundial de pesquisa de bioeconomia a partir da biodiversidade da região Norte.

Como esse, há outros projetos que sinalizam essa adaptação do Brasil ao mundo das tecnologias digitais da quarta revolução industrial: hospital 4.0, agro 4.0, escola 4.0, universidade 4.0 etc. Todos deverão nos trazer vantagens competitivas, segundo Oliveira Junior.

## Revolução ESG também
Nunca se falou tanto em ESG, né? Vide a edição anterior de HSM Management anterior. Para Aldemir Drummond, VP da Fundação Dom Cabral, o futuro é de quem já entendeu que empresa só como geração de riqueza não tem futuro. “Ninguém mais duvida que o capitalismo está gerando mais exclusão e desigualdade”, diz ele. “A empresa que não tiver reconhecimento social por seu papel (nos fatores ambientais, sociais e de governança) correrá muito risco. A maioria vai se apressar para incorporar questões como a inclusão de diversidade em sua gestão”, aposta Drummond, até porque a inclusão é um tema especialmente urgente no Brasil. Somos a 12ª economia mundial e a 86ª em desenvolvimento humano (IDH).

Para Elaine Tavares, diretora do Coppead- -UFRJ, nosso atraso em relação ao mundo nas providências para reverter a desigualdade tende a tornar o ESG inadiável. “Caso contrário, veremos a pobreza crescer de forma exponencial.”

Fábio Borges, da ESPM-SP, aposta num futuro em que a gestão inclusiva ocorrerá em três esferas: contratação, consumo e abordagem na comunicação. “Não é modinha, e o debate só vai aumentar”, diz ele. A liderança inclusiva até já ganhou MBA em Harvard e Stanford.

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