Liderança, Times e Cultura

Criatividade distribuída

Na maioria das organizações, são sempre as mesmas (poucas) pessoas que dão ideias. No entanto, é onde mais gente se sente incluída e autorizada a ser criativa que as coisas fluem melhor. A melhor maneira de promover isso é trocar estruturas tradicionais, antiquadas para os tempos atuais, por estruturas libertadoras, como as descritas neste artigo.

Compartilhar:

Talvez você ainda não tenha ouvido falar de Henri Lipmanowicz e Keith McCandless, certo? Eles são inovadores da gestão organizacional. Inspirados pela necessidade de métodos que rompam com as abordagens gerenciais tradicionais, desenvolveram as chamadas “estruturas libertadoras”, lançadas em livro em 2014 como uma inovação no campo das estratégias de facilitação. O objetivo? Promover a participação ativa dos funcionários de uma organização e sua colaboração em grupos de trabalho.

Em contraste com as técnicas convencionais, que em geral incluem processos muito centrados na figura do líder ou do facilitador, as estruturas libertadoras se destacam pela ênfase na inclusão de participação, na geração rápida de ideias e na tomada de decisões coletiva.

O conceito surgiu da observação de que, em muitos ambientes corporativos, a criatividade e a participação são limitadas por estruturas e práticas antiquadas, nada inclusivas, que favorecem a participação de poucos. Lipmanowicz e McCandless vislumbraram um conjunto de práticas que poderiam liberar o potencial criativo e colaborativo das equipes, independentemente de suas posições hierárquicas. Essas práticas, embora simples, têm o poder de transformar fundamentalmente a maneira como as equipes interagem, se comunicam, compartilham perspectivas, geram novas ideias, inovam e resolvem problemas.

O desenvolvimento dessas estruturas foi influenciado por vários campos do conhecimento, como psicologia organizacional, teorias dos sistemas e da complexidade, inovação em processos.

![ilustra materia d16](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/4ZzSUbdL3rrlNfo9PzftEs/7423fb2276907f86f12589263f97e4c3/ilustra_materia_d16.jpg)

## Como elas catalisam

Já entendemos que a agilidade e a inovação não são mais apenas desejáveis em uma organização; hoje, são essenciais para a sobrevivência e crescimento no ambiente corporativo contemporâneo, marcado por rápidas mudanças e competitividade acirrada. Estruturas libertadoras são frameworks que atuam exatamente sobre esses dois elementos vitais direta ou indiretamente, com base na lógica ilustrada nos círculos acima. Lipmanowicz e McCandless desenvolveram 33 estruturas. Aqui compartilhar quatro delas, que resolveram quatro necessidades reais.

__Resposta rápida ao mercado.__ Uma empresa de tecnologia, enfrentando a rápida evolução de seu mercado e a necessidade de constantes atualizações de produto, utilizou a estrutura chamada “1-2-4-All”. Ela estimulou a geração de ideias em uma espécie de brainstorming turbinado, encorajando todos a contribuírem. Iniciou-se com reflexões individuais (1 minuto cada), progrediu para conversas em duplas (2 minutos) e em quartetos (4 minutos), e depois toda a equipe compartilhou (5 a 8 minutos). Isso deu a eles a capacidade de gerar rapidamente soluções inovadoras e implementar mudanças em um ritmo muito mais rápido do que o das abordagens tradicionais.

__Criação de novos produtos.__ Em uma empresa de design, houve a aplicação da estrutura “Troika Consulting”, que promove a consultoria mútua, na qual os membros da equipe ajudam uns aos outros a encontrar soluções para desafios específicos. As pessoas foram encorajadas a participar porque lhes pediram ajuda e mostraram valorizar soluções locais. Isso permitiu que membros de diferentes departamentos se reunissem regularmente para discutir desafios de design. Essas sessões de consultoria mútua, com duração aproximada de 30 minutos, geraram ideias criativas que levaram ao desenvolvimento de produtos inovadores, refletindo a diversidade de perspectivas e experiências.

__Processos internos.__ Uma corporação multinacional implementou a estrutura “appreciative interviews”, que fomenta um ambiente positivo, focando sucessos e potencialidades, em vez de problemas e deficiências, para identificar e expandir práticas de sucesso dentro da organização. Ao focar suas histórias de sucesso e possíveis áreas de crescimento, os funcionários da multinacional se sentiram mais empoderados, motivados e capacitados a trazer ideias criativas para melhorar processos internos. Somadas as etapas, a estrutura demanda 45 a 60 minutos.

__Estratégias de marketing.__ Uma agência de publicidade usou a estrutura “25/10 Crowdsourcing” para envolver funcionários de todos os níveis em sessões de geração de ideias para campanhas de marketing. Isso levou ao surgimento de ideias inovadoras – e estas vieram de funcionários que não estariam envolvidos em tais discussões, demonstrando o valor de uma abordagem mais inclusiva e democrática. O tempo previsto pela ferramenta é de 20 a 30 minutos.

## DESAFIOS E CONSIDERAÇÕES

Aplicar estruturas libertadoras requer a coragem dos líderes de incluir mais vozes no desenho dos próximos passos e, na verdade, toda uma mudança de mindset. Elas podem parecer um convite ao caos, descontrole ou desordem em um primeiro momento, mas, na verdade, são um experimento seguro para que todos contribuam com o máximo de sua capacidade para que as empresas desenhem seu futuro.

Não é raro ouvir queixas de que os funcionários são desengajados e não aproveitam bem a autonomia quando a têm. Pois há solução – e está aqui.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Isolamento nas empresas não é só físico: é cultural

Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo