Carreira

Critérios de carreira: como a clareza de valores melhora a trajetória profissional

Descrevemos sete critérios fundamentais e três insights para que você possa guiar, de maneira flexível, a sua vida profissional e a construção de uma carreira
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

As decisões na carreira profissional não podem ser aleatórias, emotivas e irresponsáveis, sobretudo nesses dias pandêmicos com precarização do trabalho, falências e grande instabilidade do mercado. Como tomar decisões prudentes nessas condições? Mudar ou não de empresa? Iniciar ou não uma nova carreira? Aceitar ou não o convite para trabalhar em outra área na corporação?

Na literatura corporativa há um campo de pesquisa focado em compreender este tema: critérios de carreira, também conhecido como drivers de carreira. O objetivo deste artigo é esclarecer quais são os [critérios tangíveis e intangíveis da carreira profissional](https://www.revistahsm.com.br/post/tomando-decisoes-dificeis).

Em primeiro lugar, é necessário compreender que as pessoas trabalham baseadas em valores, objetivos e necessidades. O filósofo social Roman Krznaric que um trabalho significativo que considera os motivadores extrínsecos (ganhar dinheiro e vida boa; alcançar status) e os motivadores intrínsecos (fazer a diferença; seguir nossas paixões; usar nossos talentos).

O consultor [Richard Barrett](https://www.revistahsm.com.br/post/cultura-agil-e-desafios-comportamentais), por sua vez, afirma que os valores do trabalho vão da sobrevivência ao serviço em si, passando pelo interesse próprio, pela vontade de transformações e a motivação pelo bem comum. Baseados nessas linhas mestras, e em mais de uma década ajudando jovens em suas carreiras através de aconselhamentos, mentorias, palestras, livros e workshops, nós, Augusto Júnior e Davi Lago, procuramos identificar quais são os principais critérios para escolhas/decisões na vida profissional.

Nesse sentido, apontamos aqui pelo menos sete critérios fundamentais. Nossa sugestão é que cada leitor possa analisar cuidadosamente quais destes critérios se ajustam à sua vida, quais você acrescentaria e em qual ordem de prioridades:

__Dignidade e prestígio__ – Todas as pessoas querem um trabalho digno. Em sociedades desenvolvidas, além da dignidade, os [trabalhadores anseiam por prestígio e reconhecimento por suas realizações](https://www.revistahsm.com.br/post/entre-a-carreira-ideal-e-a-realidade). Os romanos antigos já diziam que as pessoas zelam por suas reputações e buscam melhorar o seu status.

__Recursos__ – Receber uma remuneração adequada pelo trabalho é outro fator essencial. Os antigos diziam: “digno é o trabalhador do seu salário”. Trabalhar sem precisar de contrapartida remunerada é um privilégio para pequena parcela da população. É através dos recursos que os trabalhadores podem suprir suas necessidades básicas e proporcionar conforto para si mesmos e àqueles a quem amam.

__Benefícios e comodidade__ – Outro critério é o conjunto de benefícios e comodidades que a decisão profissional acarretará. Por exemplo, fatores como: morar perto de onde trabalha; conseguir sair mais cedo para um hobbie ou atividade; ter um plano de saúde que envolva toda a família; receber descontos em cursos de pós-graduação.

__Significado__ – Como o propósito da empresa se conecta ao seu propósito de vida? Qual a percepção de diferença que você faz no mundo? Qual transformação você gera? Ter a [consciência que trabalha por algo maior do que você mesmo](https://mitsloanreview.com.br/post/se-o-seu-trabalho-desaparecesse-o-que-ficaria-de-voce) é fundamental para se escolher trabalhar em um lugar. Como diz Mário Sérgio Cortella, “emprego é fonte de renda, trabalho é fonte de vida, e todos queremos ter uma fonte de vida”. Ou seja, seres humanos demandam da atividade profissional algo maior que o mero mecanicismo “ação-recompensa”.

__Escalada__ – É o critério que leva em conta a proporção de desenvolvimento profissional pelo curso temporal. Ou seja, considerar qual a possibilidade de rápido crescimento e desenvolvimento da carreira em determinada atividade. Há pessoas que decidem trabalhar em uma empresa menor justamente por este critério: sua prioridade é a escalada corporativa.

__Aprendizado__ – Qual é sua curva de aprendizado? O quanto está sendo desafiado a sair da zona de conforto e aprender coisas novas? O critério do aprendizado é valioso para discernir a relação entre a atividade profissional e o prazer em aprender. Vale ressaltar a relação direta entre este critério e o critério dos recursos: quanto maiores os [fluxos de aprendizado](https://mitsloanreview.com.br/post/na-educacao-digital-o-diferencial-e-voce), maiores as possibilidades de remuneração e influência profissional.

__Relacionamento__ – Leva em conta a qualidade das suas relações com seus pares, colaboradores e liderança imediata. O quanto você tem proximidade, abertura, confiança e admiração é um fator que pesa bastante para a própria saúde emocional.

Reafirmamos que esses sete critérios são um ponto de partida, não de chegada. A partir deles você pode inserir outros que façam sentido para sua trajetória a longo prazo, ou num momento específico. Decidir sem critérios claros é como construir um edifício sem alicerces.

## Insights para sua carreira

__Examine em profundidade seus valores de vida:__ os critérios de carreira estão edificados sobre os seus valores de vida mais profundos. Mergulhe para saber quais são os [valores mais importantes para sua vida](https://www.revistahsm.com.br/post/o-cuidado-como-proposito-de-lideranca). Quanto mais você entende seus próprios valores, fica mais fácil definir seus critérios de carreira.

__Apure os fatos em primeira mão:__ antes de mudar de empresa, de setor ou até mesmo de carreira, apure por você mesmo o histórico recente do novo campo pretendido. Em decisões desesperadas muitas pessoas saem de um problema para um problema ainda maior. Portanto, tenha conversas com pessoas que trabalham e pessoas que já não trabalham mais no novo ambiente pretendido para entender de fato como as coisas estão.

__Compreenda os critérios dos outros:__ gestores inteligentes são capazes de entender rápido quais são os critérios mais importantes para seus liderados. A[ consciência dos critérios de carreira dos colaboradores ](https://www.revistahsm.com.br/post/quatro-elementos-para-construir-um-ambiente-que-inspira-e-desenvolve-pessoas)é vital para o desenvolvimento do trabalho em equipe e o rendimento de alta performance.

*Gostou do artigo escrito por Augusto Jr. e Davi Lago? Saiba que você pode se informar e aprender muito mais sobre gestão de carreira, negócios e liderança [assinando nossas newletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter).*

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução