Marketing e vendas

De olho em consumidor vegano, N.ovo amplia linha de produtos

Spin-off da maior produtora de ovos do Brasil, foodtech quer saciar a crescente parcela da população que não come carne
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

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É fato que a agropecuária é uma das grandes fontes de poluição do planeta. O setor respondeu por 27% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2020, segundo o Observatório do Clima. Aliado à crescente popularidade de dietas vegetarianas e veganas, isso tem criado oportunidades para empresas oferecerem produtos mais saudáveis para consumidores e para o planeta.

Foi para surfar nessa onda que o Grupo Mantiqueira, a maior granja do país, lançou, em 2019, a N.ovo. Amanda Pinto, à época na área de marketing e inovação do grupo, percebeu que alimentos à base de plantas eram a solução que a empresa buscava para tentar reduzir um dos grandes problemas do planeta hoje, a cadeia de produção alimentícia.

A Mantiqueira decidiu então investir em um produto substituto para ovos, de olho nos consumidores com alergia, intolerância ou que desejam consumir menos proteína animal. Trata-se de um nicho nada desprezível: segundo o Ibope Inteligência, em uma pesquisa de 2018, 14% da população brasileira se declarou vegetariana, o que dava quase 30 milhões de pessoas.

## O ovo que não é ovo
O primeiro produto desenvolvido foi o N.ovo Receitas, um pó substituto de ovos para ser usado como ingrediente no preparo de bolos, pães, panquecas e massas em geral. Hoje, há também o N.ovo Mexido em pó para omelete e ovos mexidos, uma linha de molho tipo maionese sem ovo, uma de substituto de frangos à base de ervilha e broto de bambu e uma nova, substituto de suíno à base de proteínas de trigo, ervilha e fibras de trigo

O objetivo é ter uma linha completa de alimentos 100% à base de vegetais. Para isso, todos os produtos são elaborados com tecnologias específicas para replicar sabor, textura, cheiro e aparência das comidas de origem animal. A ideia é oferecer “nutrição com inovação ao prato, a preços acessíveis, gerando impacto positivo na saúde do consumidor e no planeta”, diz Pinto, hoje CEO da N.ovo.

Paralelamente, a empresa tem se dedicado à busca por proteínas alternativas que estejam disponíveis no solo brasileiro. “Conduzimos grandes pesquisas junto a alguns dos principais polos tecnológicos do Brasil (como a Embrapa) e do mundo (como a Berkeley University).”

## Spin-off da Mantiqueira
“Hoje, a foodtech é uma spin-off do grupo, e segue visando seu crescimento rápido. Em 2021, dobrou seu número de colaboradores e cresceu em torno de 60% em capacidade de produção, comparado ao ano anterior”, explica a executiva.

Além do aumento do portfólio, há planos de entrada em outros mercados. “O Brasil já é um dos principais exportadores de proteína animal e, por isso, tem tudo para ser um líder na exportação de proteína vegetal também”, afirma.

De acordo com ela, a expectativa de crescimento está calcada sobretudo pela preocupação cada vez mais intensa das pessoas sobre o consumo de carnes em relação a uma dieta mais saudável. “Esses adeptos das dietas à base de vegetais e mesmo os carnívoros que diversificam estão levando o mercado para a casa dos bilhões de dólares. Essa tendência está cada vez maior aqui no Brasil também”, diz Pinto, ao lembrar de uma pesquisa do Euromonitor que estima um crescimento de 70% do segmento nos próximos seis anos. “Somente no ano passado o mercado movimentou US$ 82,8 bilhões. As perspectivas são bastante otimistas.”

## Barreiras
A diretora comercial da N.ovo, Maria Marzotto, lista os desafios a serem superados:
1. O tempo de maturação do mercado.
2. A cultura no consumo desses alimentos como substituto da carne, como algo normal e igualitário, no que diz respeito ao valor nutricional.
3. A adesão maior do setor supermercadista em oferecer esses produtos.
4. Incentivo fiscal para a cadeia vegetal, que tem um impacto dez vezes menor do que a cadeia animal.

## Números da foodtech
– 343% de crescimento em quilos vendidos em 2021, em comparação ao ano anterior.
– 302% de crescimento em faturamento em 2021 sobre 2020.
– 123%: salto de janeiro a julho de 2022 em relação ao mesmo período de 2021.

Alguns clientes de revenda: GPA, BIG, Angeloni, St. Marche, Casa Santa Luzia, Savegnago, Super Muffato, Supermercado Zona Sul, Zaffari, Guanabara, Supermarket, Super Verde Mar, Prezunic.

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