Gestão de Pessoas

Demanda por talentos: como encontrar a função correta para cada pessoa?

Dois pontos devem chamar a atenção de recrutadores: avanço tecnológico torna habilidades obsoletas e informalidade faz com que talentos surjam de lugares improváveis
É líder de pessoas e cultura da Fhinck.

Compartilhar:

Com atual processo de maturidade em transformação digital, há um aumento no grau de exigência das organizações na seleção e contratação de funcionários. No entanto, tendências apontam para um recrutamento sem estereótipos e mais focado em habilidades, cultura e valores.

Além disso, sem dúvida, o boom da inteligência artificial, o avanço das soluções de machine learning e de outras tecnologias da indústria 4.0 somou-se à necessidade latente por profissionais qualificados e com expertise para atuar em novas áreas e espaços de atuação recém-criados.

Há muitas vagas abertas no País, cerca de 14,8 milhões de pessoas desocupadas, segundo o IBGE, o que é antagônico. A conta não fecha. Existe uma enorme concorrência pela busca por talentos em determinadas áreas e, do outro lado, milhares de pessoas se candidatando para uma vaga, mas nenhuma parece “ter fit”. Como equilibrar isso?

Sem dúvidas, é necessário que gestores e os times de pessoas passem a ter um [novo olhar não só para o recrutamento, mas, também, para a capacitação](https://www.revistahsm.com.br/post/o-tripe-do-novo-recrutamento), bem como para o desenvolvimento e retenção de talentos, embasados por sua cultura e valores.

Mais do que encontrar a pessoa certa para uma determinada posição, hoje, tornou-se importante também encontrar a função correta para cada pessoa. Identificar rapidamente as características que fazem da pessoa um talento é essencial para construir times de alta performance. A proposta, na verdade, representa um desafio de olhar à frente do tempo e das circunstâncias mais imediatistas de contratação.

## Impacto tecnológico na geração de talentos

Um estudo realizado pela consultoria Gartner examinou algumas mudanças no cenário de força do trabalho. Pesquisadores identificaram três práticas que estão tornando obsoletos os formatos tradicionais de recrutamento. Uma delas aponta que as habilidades, em muitos casos, têm vida útil, isso também por conta dos avanços tecnológicos. O levantamento realizado com 3.500 gestores mostrou que, apenas 29% das pessoas contratadas tinham todas as habilidades requeridas para a posição.

O mesmo estudo revelou que, nas principais ocupações atuais (financeiro, TI e vendas), dez novas habilidades vão surgir em um período de 18 meses. Nesse cenário, contratar somente pelas habilidades requeridas para uma determinada posição não é suficiente e nem necessário.

O mais importante é ter [um olhar para as necessidades futuras da organização](https://mitsloanreview.com.br/post/a-arte-de-promover-pessoas), independente de área. O olhar de quem contrata deve ser para o potencial e o caminho percorrido pelas pessoas para tornar possível a execução das estratégias futuras da empresa.

Olhar internamente é essencial. Pessoas que já fazem parte da organização conhecem e vivem a cultura da empresa, adaptando-se mais rapidamente e demonstrando maior habilidade de navegação operacional e de gestão. Além de ser um aliado, o funcionário mais antigo costuma ter mais comprometimento e conhecimento das estratégias e visão da companhia, e geram resultados mais rápidos, bem como promovem maior engajamento dos demais colaboradores e novos talentos.

Outro ponto levantado como retrocesso da área é que, geralmente, a fonte em que recrutadores usam para encontrar talentos também está obsoleta. Candidatos talentosíssimos podem ser encontrados fora dos grupos tradicionais ou mesmo fora do seu trabalho diário, já que estão adquirindo habilidades e conhecimentos específicos informalmente e de outras maneiras. Talentos podem emergir de lugares improváveis e são atraídos pelo propósito da organização.

### O individual somado ao coletivo

Cabe à empresa desenhar estratégias de comunicação que gerem conexão e identificação com as pessoas de maior potencial de engajamento com sua cultura e valores. Parece básico, mas vale lembrar: atualmente empresas e marcas não são somente geradoras de produtos e prestadoras de serviços. Hoje, as pessoas, incluindo funcionários e clientes, ajudam a construir produtos, serviços e a reputação das organizações.

Assim, busque complementar habilidades na sua organização. Ao trazer uma nova pessoa ao time, seja por meio de um recrutamento interno ou externo, busque perfis, comportamentos, conhecimentos e habilidades complementares, pois além de aumentar o repertório do time, essa atitude estratégica gera uma interação mais ampla na busca do compartilhamento e no desenvolvimento de cada colaborador.

No entanto, não foque somente no desenvolvimento individual, mas no que promove o desenvolvimento do grupo. Por meio desta ótica, o indivíduo se desenvolve como consequência.

## Tendências e valores para novas contratações

Os gestores e times de pessoas precisam ampliar o seu olhar para o mercado de potenciais talentos, pois, sim, eles existem. Pensando em talentos, você enxerga o copo meio cheio ou meio vazio dentro da sua organização? Quantos potenciais talentos não deixamos de trazer para nossos times por não enxergarmos as mudanças que estavam acontecendo bem diante de nós?

Outra tendência apontada pelos pesquisadores diz respeito ao “poder” que os candidatos detêm nas mãos. Eles estão cada vez mais seletivos sobre para quem trabalham, “obrigando” as empresas a incorporar propostas de valor de maneira atraente.

Por fim, o employer branding é o conjunto de estratégias de uma empresa para trabalhar o engajamento e interesse dos funcionários e manter vivo o DNA da cultura e do propósito. Qual seria o equilíbrio perfeito entre os interesses dos profissionais e as demandas da empresa? Essa resposta deixo para vocês.

Gostou do artigo da Sarah Hirota? Saiba mais sobre recrutamento de talentos assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Mobilidade interna: Por que quando o tema é talentos estamos sempre olhando para a grama do vizinho?

A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo