Dossiê HSM

Disrupção possível quando o melhor da tecnologia encontra o melhor do humano

Nas próximas duas décadas, muitas tecnologias sintéticas ganharão escala. Associadas aos novos humanos – frutos da ampliação da consciência humana em curso –, dão origem às tecnologias humanas, que não apenas são a base para novos ecossistemas disruptivos como também um fator de segurança para algoritmos mal-intencionados.
Pesquisadora de futuros e fundadora do Voicers, promove experiências de futuros através de palestras, workshops, treinamentos e curadorias de festivais, com os temas novas tecnologias, novos humanos e novos ecossistemas.

Compartilhar:

Desde a descoberta do fogo, toda a tecnologia incentiva, de um lado, o progresso, e de outro desconstrói realidades culturais, sociais e pessoais e provoca certa desconexão de tempo e espaço nas pessoas. Para alguns, é o presente, e para (muitos) outros, ainda algo distante. Para que os futuros se disseminem igualmente, são necessários movimentos público-privados, no campo coletivo, e de educação e expansão da consciência, no lado pessoal.

O processo de transformação digital (e seus impactos culturais e sociais) se acentuou nos últimos dois anos, levando a Unesco 2020 a considerar a alfabetização de futuros (futures literacy) uma habilidade essencial para que as pessoas entendam melhor o papel que o futuro desempenha na realidade atual.
Com exercícios de cenários futuros, olhamos simultaneamente para o desenvolvimento humano e o tecnológico e podemos projetar novas formas de trabalho, negócios, economia e sociedade. Para criar esses cenários, é preciso conhecer as novas tecnologias que estão chegando e seu potencial de impacto. Vamos lembrar os anos 2010, quando duas tecnologias maduras – smartphones e internet acessível – foram a origem de unicórnios até a transmissão de pensamentos com alguns cliques.

Tendo isso em mente, vejamos a lista das principais tecnologias esperadas para os próximos anos.

## Tecnologias maduras
## (5 A 10 anos)
__5G nos moverá para geração “Doors”__
Realidades imersivas, potentes assistentes virtuais (IA) e internet em todas as coisas serão comuns. Das janelas (windows), o acesso ao mundo digital passa para as portas (doors).

__Inteligência artificial como assistente de atividades & dados rotineiros__
Do lembrete da reunião até o apagar das luzes com a voz, a automatização de atividades rotineiras é a melhor forma de experimentar a busca pela voz, que substituirá a busca via navegador.

__Tecnologias imersivas são portas para o metaverso__
Antes restritos à ficção científica, os multiuniversos imersivos e digitais fundem a realidade e o mundo virtual.

__Escritórios infinitos são realidades__
Óculos VR transportam você para um escritório virtual, grande ou pequeno. Tudo depende do desejo e da necessidade do momento.

__IA e realidades imersivas criam influenciadores atemporais__
Clones digitais rompem a barreira de tempo-espaço e da comunicação. Seus “gêmeos digitais” fazem apresentações ou aulas em qualquer lugar e no idioma local. Afinal, falam qualquer idioma e não precisam descansar.

__Realidades mistas: holoportação & Compartilhamento holográfico__
Projete-se em seu eu mais realista por realidade mista e interaja como se estivesse fisicamente presente com a holoportação (teletransporte holográfico) e com o compartilhamento holográfico.

__Inteligência artificial e realidades imersivas criando ponte espaço-tempo__
Memórias 2D serão recriadas pixel a pixel e se transformarão em álbuns 3D, que permitem explorar o passado, revisitar momentos e pessoas e viajar na linha do tempo em mídias sociais.

__RV como meio digital de transporte__
Com realidade virtual, o viajante viverá experiências digitais imersivas. Viagens ganharão outra dimensão e escala. Que tal um destino interplanetário?

## TECNOLOGIAS MADURAS
## (10 a 20 anos)
__Computação quântica__
Aplicações da computação quântica podem encontrar novas formas de modelar dados financeiros, isolar fatores de risco e fazer, em três minutos, cálculos matemáticos que levariam 10 mil anos para ser processados na computação binária.

__Blockchain como tecnologia de transparência radical__
Protocolos de blockchain serão a base da Economia da Confiança, pois exigem dados altamente organizados e processos radicalmente transparentes. Uma poderosa força de combate à corrupção no planeta.

__Leitura de pensamento por pulso__
Pensamentos geram micromovimentos, que serão capturados por uma pulseira que reconhece um clique e possibilita navegar na internet com comandos feitos pelas mãos ou mente.

__Transmissão de pensamento__
Os avanços na restauração das funções sensorial e motora e no tratamento de distúrbios neurológicos um dia poderão levar à transmissão de pensamento consentida.

__Teletransporte quase instantâneo__
Viajar por levitação eletromagnética permite a sensação de teletransporte.

## Novos humanos
A aceleração digital na última década levou à desmaterialização e à democratização de acessos e, em contraponto, à pluralidade de pontos de vista e de busca por educação, autoconhecimento e expansão da consciência. Na mesma medida que o desenvolvimento das máquinas se acelerou, os humanos começaram a expandir seu autoconhecimento e sua consciência, formando os “novos humanos”. E é o que nos diferenciará, no futuro, das máquinas.

Toda tecnologia avançada mimetiza ou copia funções e partes do corpo físico, mas não do emocional e do energético. Quanto mais praticamos autoconhecimento, mais profundamente nos reconectamos com os diferentes níveis de tecnologias que podemos produzir.

“Novos humanos”, integrados com “novas tecnologias”, dão origem a “tecnologias humanas”. Algoritmos e máquinas apoiarão o desenvolvimento do bem-estar, da democracia e do ambiente de informação livres, para que humanos busquem suas melhores versões. Essa consciência expandida nos torna mais imunes a processos de manipulação pessoal ou algorítmica, como contraponto de segurança para uma inteligência artificial mal-intencionada. E do encontro desses novos humanos e das novas tecnologias, surgem novas formas de trabalho e novos ecossistemas.

Quando o Fórum Econômico Mundial diz que “65% das profissões do futuro não existem hoje”, um dos principais motivos para esse percentual tão alto é porque o uso massivo das tecnologias não chegou ao ponto de dar origem a esses novos “fazeres”.

Como não temos repertórios abundantes para traduzir o que está por vir, exatamente por ser algo tão disruptivo, os exercícios de cenários futuros se mostram tão importantes. Eles nos ajudam a visualizar, no presente, os sinais fracos e fortes nas mais diversas áreas.

Encerro lembrando que estamos saindo do padrão mecanicista a passos largos. Na última década, o mundo já entendeu a necessidade de corpos e emoções saudáveis. Energias saudáveis são a próxima fronteira a ser integrada nessa década.

Em um mundo onde pós-verdades e deep fake coexistirão com verdades pessoais e sutis, será essencial ter fluência energética, sinestésica e empática. Somente os sentidos físicos não serão suficientes para navegar nesses futuros altamente imersivos, artificialmente inteligentes e interconectados por biossensores e multiversos.

[Conheça as tecnologias destacadas neste artigo](https://revistahsm.com.br/post/d6_tecnologia)

![Imagens-04](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/hPAGjnY6kzweA29WzmhZ7/e749434699dbf9ce89f50db85be162f0/Imagens-04.jpg)

Como inovar colocando o cliente
no centro de tudo

por Ricardo Garrido

Falar do futuro da tecnologia é falar de nossos clientes. Na Amazon, esses dois fatores sempre caminharam – e seguem caminhando – juntos. É o princípio, o meio e o fim de nossa cultura: colocar o cliente no centro de tudo. Por isso, trabalhamos percorrendo o caminho inverso, iniciando o processo de inovação a partir de quem compra com a gente e dos vendedores parceiros, que também consideramos nossos clientes.

Mas ser obcecado pelo cliente é mais do que ouvir o consumidor e entregar o que ele deseja e como ele deseja. É preciso entender profundamente os clientes e inovar proativamente em nome deles. Pode-se dizer que 90% das inovações da Amazon surgiram a partir dos anseios de nossos consumidores. Os outros 10% foram criados com base em necessidades que eles não verbalizaram diretamente, mas que foram detectadas nas sutilezas e nas nuances de seus depoimentos.

Um exemplo real de inovação da Amazon ajuda a entender essa ideia na prática. O FBA – Logística da Amazon, conhecido em outros países como Fulfilment by Amazon, é um programa em que a empresa se torna responsável por todo o processo logístico do vendedor: desde o armazenamento e empacotamento do produto, até o envio e o atendimento ao cliente. Lançado no Brasil em dezembro de 2020, o serviço permite que vendedores parceiros possam aderir ao FBA de forma automatizada e que agendem a coleta ou enviem seu estoque de produtos para a própria Amazon, tornando todo o processo ainda mais simples e rápido.

A partir do momento que a Amazon disponibiliza sua infraestrutura para cuidar de toda logística, o vendedor parceiro pode se concentrar naquilo que é de fato o núcleo de seu negócio: expandir suas vendas, cuidar de sua marca e ampliar a variedade de produtos para seus consumidores. Ou seja: ao tornar a vida do vendedor mais ágil, consequentemente a experiência do cliente também é aprimorada.

Quando um consumidor fala, em geral ele revela suas necessidades individuais. Com a visão macro de diversos depoimentos, podemos visualizar as necessidades coletivas. Provavelmente nenhum consumidor da Amazon pediria um programa de logística da Amazon – é evidente que o consumidor não tem essa visão. Mas ao cruzar os dados das necessidades de toda a cadeia, ficou nítido que oferecer benefícios para os pequenos e médios empresários que vendem conosco seria a estratégia inovadora correta a ser adotada.

Uma coisa é certa: apesar de as necessidades das pessoas mudarem o tempo todo, elas jamais abrirão mão de três fatores: bons preços, ampla seleção de produtos e conveniência. E é essa tríade que nos dá a sustentação necessária para enxergar além e, junto de nossos clientes, cocriar as invenções que pavimentam essa sinuosa estrada rumo ao futuro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Empreendedorismo
15 de julho de 2026 15H00
Construído sobre a área que durante décadas abrigou a fábrica e a recreativa da Tigre, o Cidade das Águas nasceu de uma pergunta pouco comum ao mercado imobiliário: antes de erguer torres, que tipo de bairro vale a pena construir?

Sandra Regina da Silva - Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios

12 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth, User Experience, UX
15 de julho de 2026 08H00
Enquanto a IA assume processos, diagnósticos e tarefas repetitivas, cresce a importância de competências exclusivamente humanas. O desafio das lideranças não é automatizar mais, mas decidir onde a presença humana gera valor que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
14 de julho de 2026 18H00
Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

16 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo