Gestão de Pessoas

Dormir bem e sonhar em ser unicórnio são coisas incompatíveis?

No mundo corporativo e das startups, é preciso redefinir a cultura da pressa e acabar com ideia errônea de que o descanso é para os fracos
Fred Alecrim é diretor de recursos humanos (CHRO) e cofundador da Credere, startup de compra e venda financiada de veículos

Compartilhar:

A equação do tempo é delicada. Não diria que algo sem solução, mas é bem difícil de ser resolvida. A pressão por superar etapas, evoluir e de atingir o coração dos investidores é imensa. Os integrantes do ecossistema das startups sabem e até brincam com isso. Quem nunca ouviu, por exemplo, a frase “dormir é para os fracos”?

Claro que essa questão cultural não está presente apenas no mundo das startups. No universo corporativo, poucas são as empresas que já encontraram o equilíbrio no seu jeito de funcionar dentro do novo normal. O que é home e o que é office?

Tanto se fala sobre customer experience, mas tão pouco sobre [employee experience](https://www.revistahsm.com.br/post/rh-5-0-o-equilibrio-entre-demandas-do-negocio-e-employee-experience). No entanto, será que, sem uma boa experiência do funcionário, dá para gerar uma boa experiência para os clientes? Sinceramente, acho que é quase impossível, e aí está o desafio — formar um time eficiente, com foco e vontade de trabalhar duro, que também tenha tempo para se realizar e curtir a vida pessoal. Uma prática não é possível sem a outra.

Tenho ouvido muitas pessoas comentarem que trabalham muito e dormem pouco. Alguns períodos exigem esticar o expediente, ou mesmo aquela virada de noite com fast food. E como é compensador ver o resultado desses dias e noites dedicadas ao trabalho. Faz parte, mas não pode ser regra.

## Redefinido ambientes e a cultura

Essa preocupação me levou a ressignificar a palavra RH. A meu ver, recursos humanos passou a ser (r)evolução humana. Abrir espaço para ações de diversidade, inclusão e equidade e não ficar apenas na teoria e planejamento.

Assim, utilizar ferramentas para identificar e entender as angústias de líderes e funcionários, bem como abrir um canal de diálogo para receber denúncias de comportamentos ruins, é essencial.

Essa (r)evolução inclui, ainda, estimular debates com temas fundamentais na sociedade, como antirracismo e antimachismo, e outras formas de abrir o diálogo e a troca de experiências.

Essa arquitetura tem a ver com a filosofia que acredito, a de que o trabalho não é nossa vida, mas parte dela. Neste sentido, o termo já meio desgastado, “gestão do tempo”, ganha uma acepção verdadeira. Valorizo o tempo, pois acredito que tempo é vida. E o gestor precisa desse tempo para olhar as pessoas e entender o que elas pensam, precisam e sentem.

## Culto da exaustão e outros modismos

O burnout não nasceu com a pandemia, [mas se agravou a partir dela](https://mitsloanreview.com.br/buscar?query=Burnout%20%C3%A0%20luz%20da%20Covid) e não podemos ignorar isso. A experiência me mostrou que, no nosso dia a dia, temos que investir em trabalho assíncrono, reuniões objetivas e respeito ao tempo das pessoas, diminuindo interrupções e distrações, para que elas possam ser mais produtivas, efetivas, mas que curtam e se dediquem à vida pessoal.

Ainda que a cultura do nosso ecossistema diga outra coisa, prefiro pensar que se criou um modismo em torno das startups — e que, como todo modismo, é possível mudar.

Um bom começo é se perguntar: “Por que tenho que fazer desse jeito?”. Você já se questionou? A solução é entender o problema e buscar a resposta na própria pergunta. Se o ambiente de trabalho é tóxico, não há férias que curem o esgotamento mental. Poder sair do mode on por alguns dias é sempre bom. Entretanto, se nada mudar na volta, acaba sendo mais um paliativo.

Quem tem pressa de crescer, acaba passando por cima de muita coisa. Se fizer tudo na base do ctrl+c e ctrl+v, com a pressão de apresentar resultados, só vai conseguir repetir modelos. Sem questionar se aquilo faz sentido, se é a melhor ferramenta. E, se todos estão fazendo igual, a tendência é que saia tudo igual.

Não tenho respostas prontas, mas os caminhos que trilhei no nosso ecossistema vêm dando certo, tanto em crescimento quanto em realização pessoal.

Não vamos confundir mundo ágil com pressa. Dá para crescer e bater metas sem abater pessoas. E não, dormir não é para os fracos.

*Gostou do artigo do Fred Alecrim? Saiba mais sobre gestão de pessoas, saúde mental e cultura em startups assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

A migração do poder para pessoas que resolvem problemas reais

Neste artigo, exploramos por que a capacidade de execução, discernimento aplicado e proximidade com a realidade estão redefinindo o que significa liderar – e por que títulos, discursos sofisticados e metodologias brilhantes já não bastam para garantir relevância em 2026.

O futuro que queremos construir e as conversas difíceis que precisamos ter!

Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica – e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Tecnologia & inteligencia artificial
17 de março de 2026 17H15
Direto do SXSW 2026, surge um alerta: E se o maior risco da IA não for errar, mas concordar demais?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Empreendedorismo
17 de março de 2026 11H00
No SXSW 2026, Lucy Blakiston mostrou como uma ideia criada na faculdade se transformou na SYSCA, um ecossistema de mídia com impacto global.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
17 de março de 2026 08H00
Neste artigo, exploramos por que a capacidade de execução, discernimento aplicado e proximidade com a realidade estão redefinindo o que significa liderar - e por que títulos, discursos sofisticados e metodologias brilhantes já não bastam para garantir relevância em 2026.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
16 de março de 2026
A tecnologia acelera tudo - inclusive nossos erros. Só a educação é capaz de frear impulsos, criar critérios e impedir que o futuro seja construído no automático.

Adriana Martinelli - Diretora de Conteúdo da Bett Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de março de 2026 14H30
Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica - e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
15 de março de 2026 11H00
Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Estratégia
15 de março de 2026 08H00
Quando empresas tratam OKR como plano, roadmap como promessa e cronograma como estratégia, não atrasam por falta de prazo - atrasam por falta de decisão. Este artigo mostra por que confundir artefatos com governança é o verdadeiro custo invisível da execução.

Heriton Duarte e William Meller

15 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de março de 2026 14H00
Direto do SXSW 2026, uma reflexão sobre o que está acontecendo com a Gen Z chegando ao mercado de trabalho cheia de responsabilidades de adulto e ferramentas emocionais de adolescente.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

2 minutos min de leitura
Estratégia
14 de março de 2026 08H00
Feiras não servem mais para “aparecer” - quem participa apenas para “marcar presença” perde o principal - a chance de antecipar movimentos, ampliar repertório e tomar decisões mais inteligentes em um mercado cada vez mais complexo.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Liderança
13 de março de 2026 14H00
Diretamente do SXSW 2026, uma reflexão sobre como “autoridade” deixa de ser hierarquia para se tornar autoria - e por que liderar, hoje, exige mais inteireza, intenção e responsabilidade do que cargo, palco ou visibilidade.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...