Saúde Mental
Oferecido por:

“E eu, que era a rainha da zoeira, perdi a vontade de gargalhar”

Neste 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, além de falar da minha história, faço também um convite à reflexão
Fundadora e CEO da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas. Engenheira civil de formação, possui MBA Executivo pelo Insper e especialização em Empreendedorismo Social pelo Insead, escola francesa de negócios. Empreendedora, palestrante, TEDx Speaker e produtora de conteúdo sobre saúde mental e bem-estar, foi reconhecida em 2023 como LinkedIn Top Voice e, em 2024, como uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Linea.

Compartilhar:

Hoje, 10 de outubro, é Dia Mundial da Saúde Mental. Data importante para todos que lutam diariamente contra o [adoecimento emocional](https://www.revistahsm.com.br/post/saude-mental-no-trabalho-otimizando-o-roi-do-seu-maior-ativo “adoecimento emocional”) e os sintomas de doenças como a depressão.

Acordei pensando que deveria escrever algo a respeito. Ao pesquisar um pouco de história, descobri que a data foi estabelecida em 1992, pela World Federation for Mental Health. O objetivo? Ampliar o debate sobre as doenças mentais, reduzir o estigma e elevar o grau de conscientização à respeito de um assunto rodeado de preconceito.

A organização citada acima nasceu em 1948, em Londres, e há 62 anos tem como propósito mudar a percepção das pessoas sobre as doenças mentais.

Desde 1992 um programa anual foi criado como forma de dar mais atenção às doenças mentais e seus efeitos na vida individual, no trabalho, na família e na estabilidade geral de comunidades e países. Em 2020, o tema de trabalho será ‘Saúde mental e doenças de longa duração: a necessidade de cuidados continuados e integrados’.

## Primeiras reflexões
Após ler algumas informações, me pego pensando: o que temos feito desde 1992? O que tem sido feito aqui no Brasil? Por que ainda é tão difícil falarmos abertamente sobre o adoecimento emocional? Sobre o sofrimento psíquico? Por que será que ainda ouvimos pessoas falando que ir a um psicólogo é coisa de gente fraca, louca, preguiçosa etc?

O que há de errado com nossa sociedade? Gastamos rios de dinheiro com diversos tipos de serviços estéticos, mas deixamos de lado o cuidado com uma das peças mais importantes do corpo: a mente.

Quando queremos manter corpos belos e saudáveis, praticamos atividade física, mantemos uma alimentação balanceada e investimentos em uma série de procedimentos para garantir aparência mais jovem. Só falta mesmo dormir no formol. Mas, e as emoções? Como será que elas estão?

## Adoecimento silencioso
Lembro, como se fosse hoje, como era assustador me dar conta da minha própria mudança de humor. Uma mulher alegre, extrovertida, de bem com a vida que, por consequência de situações adversas da vida e de um evento traumático, acabou conhecendo a senhora depressão.

A depressão tira a cor, a graça, o sabor, o cheiro das coisas e das situações da vida. Absolutamente tudo fica insosso. A gente simplesmente perde a vontade de levantar da cama. Eu que costumava ser a rainha da zoeira, perdi minha vontade de gargalhar. O choro fácil, o desânimo, a desesperança, a pouca certeza de dias melhores à vista. Eu não pedi para ter depressão. Acho que ninguém pede ou deseja sentir uma tristeza tão profunda. Mas ela aconteceu e eu precisei aprender a lidar com ela.

Estou falando de uma doença, sim doença, como outra qualquer. Só que ela é silenciosa. Ela vem e se instala de mansinho, sem você perceber. Pode ser por um desequilíbrio químico ou hormonal do seu organismo, pode ser por decorrência de alguma situação ambiental (meu caso) e, em alguns casos, pode ser decorrente ainda de fatores genéticos.

Fato é que a depressão, assim como qualquer outra doença mental, requer tratamento, acompanhamento psicológico, psiquiátrico e muito apoio.

## É preciso ampliar a conscientização
E o que o dia da saúde mental tem a ver com isso? Oras, ele tem como objetivo trazer para o debate um assunto que muitas vezes queremos varrer para debaixo do tapete. O mundo, e nosso país também, ainda sofre de um mal chamado desinformação.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam para um suicídio a cada 40 segundos no mundo. Aqui no Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida. No entanto, pesquisas comprovam que 90% dos casos de suicídio poderiam ter sido evitados.

Hoje, com tristeza, recebi a notícia de que uma colega de infância foi encontrada ontem, 9 de outubro, enforcada em seu apartamento. Jovem, bela, bem sucedida, dona de um sorriso largo. Aos 37 anos, deixa um filho de 11 e a dor de uma partida sem explicação.

Escrevo esse texto, ainda meio em choque, me questionando: quantas pessoas mais ainda perderemos para nos darmos conta da importância de falar abertamente sobre saúde mental? Para conseguirmos de fato evitar uma tragédia precisamos entender o que acontece. [Educar, conscientizar, compreender os fatores e gatilhos que levam aos estados psíquicos debilitados](https://www.revistahsm.com.br/post/nao-ha-saude-sem-saude-mental).

Lembro-me agora do filme do Coringa, em que o personagem comenta que a pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse. O que é incongruente e triste, pois quando estamos doentes, precisamos de ajuda, de apoio, de tratamento e não ignorar os sinais da doença.

Quantas vezes não ouvi questionamentos e comentários que remetiam exatamente à frase do Coringa. “Tati, você tem tudo, um bom emprego, uma família legal, por que você fica triste? Você é linda, é jovem, tem uma vida inteira pela frente, não faz sentido ficar chorando o tempo todo” – só para dar um exemplo. A cada frase, um passo para trás. Ninguém compreendia o que se passava.

Para quem olha de fora, a [doença mental](https://www.vittude.com/blog/doencas-psicologicas/ “doença mental”) não tem explicação. Não se entende como ela surge ou porque pessoas são acometidas por ela. Por conta de uma sociedade não acostumada a lidar com os ditos transtornos mentais, somos sempre cobrados para agir como se não estivéssemos mal.

A ironia triste? Mesmo estando doentes precisamos fingir que estamos bem, ou as coisas podem piorar. Mais irônico ainda é que, ao fingir, as coisas de fato pioram.

## Um convite à reflexão
Será que estamos prontos para acolher as pessoas que sofrem com um transtorno mental? Estamos preparados para ouvir, não julgar, e oferecer apoio a quem precisa de ajuda?

Segundo a OMS, vivemos em um dos países com maior incidência de transtornos mentais do mundo. O que é contrastante com a imagem que as pessoas têm do Brasil como um lugar alegre, do samba, do futebol, das belezas naturais e do sorrisão no rosto. O problema é que boa parte disso é “fachada”.

Que tal aproveitarmos essa data para falar abertamente das nossas vulnerabilidades? Que tal usarmos o Dia Mundial da Saúde Mental para escancarar de vez o assunto? Deixo aqui um convite para que façamos do dia de hoje uma ponte para construção de um futuro menos doente emocionalmente.

Que possamos [propor ações educativas sobre saúde mental dentro de nossas empresas](https://www.revistahsm.com.br/post/como-criar-uma-cultura-de-alta-performance-sem-afetar-a-saude-mental-da-sua “propor ações educativas sobre saúde mental dentro de nossas empresas”). Que seja permitido falar abertamente sobre questões que nos afligem. Que sejamos aliados do bom combate.

Neste dia 10 de outubro, desejo apenas que todo ser humano possa se sentir livre e acolhido para falar sobre qualquer doença, física ou mental.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução