Inovação

É possível inovar mesmo em tempos de poluição de inovação?

Diante de um ritmo de inovação acelerado, manter uma equipe produtiva vem sendo um grande desafio. Aposte em diversidade e tenha um capital humano capaz de florescer diante das mudanças e incorporar, de maneira eficiente, as novas tecnologias
Candice Pascoal é fundadora da maior plataforma de crowdfunding do Brasil (Kickante), executiva de nível internacional com grande experiência na expansão de empresas americanas no exterior e best-seller do livro *Seu Sonho Tem Futuro*.

Compartilhar:

Inovação é a palavra do momento. O crescimento na popularidade do ChatGPT, produto da OpenAI, escancarou para o mundo um movimento que há tempos acompanho como gestora no setor de tecnologia: o mercado de inovação é voraz, e a inteligência artificial caminha a passos largos para ocupar cada vez mais espaços dentro da nossa sociedade.

Segundo o banco suíço UBS, apenas dois meses separam o lançamento do ChatGPT dos 100 milhões de usuários ativos, uma marca que quebrou todos os recordes existentes até o momento. Se por um lado, ficamos animados com o mar de possibilidades que se abre diante de tanta inovação, por outro, temos observado um impacto negativo nas equipes, por conta de pessoas que se sentem sugadas por esse turbilhão de acontecimentos.

Ao longo da minha trajetória profissional, observei muitas reviravoltas no mercado por conta dela, a inovação. No entanto, posso afirmar que, independentemente dos cenários que se desenham, certas coisas não mudam: nos negócios, prospera quem tem foco, competência e ousadia.

## Ameaça ou oportunidade?
A pesquisa de executivos de tecnologia e CIOs do Gartner de 2022 revelou que gestores estão cada vez mais favoráveis à adoção da inteligência artificial (IA) no local de trabalho: 48% dos CIOs consultados já implantaram ou planejam implantar tecnologias de IA e aprendizado de máquina nos próximos 12 meses.

Diante daquilo que é inevitável, cabe a nós escolher como queremos encarar a chegada da inovação: ameaças ou oportunidades? Para quem opta pelo segundo caminho, a receita envolve manter a saúde mental em ordem e a disponibilidade para aprender em alta. Afinal, como essas mudanças podem melhorar o dia a dia da minha equipe e gerar melhorias para o meu negócio?

Mesmo com tantas novidades tecnológicas, nosso papel como gestores é não esquecer que inovar é, principalmente, sobre pessoas. Ser uma empresa inovadora não significa ter todos os aparatos de última geração ao seu dispor, mas sim saber fomentar a criatividade, as soluções diferenciadas e a inovação de ideias dentro da sua equipe.

## Quer inovar? Aposte na diversidade
Existem muitas formas de estimular esse movimento constante de inovação no seu negócio e uma delas é garantir a diversidade entre os membros da sua equipe. Eu mesma, em todos esses anos de experiência, tenho visto e comprovei na prática como isso é eficaz. Vou dar um exemplo abaixo.

Imagine que você coloca em uma sala um grupo de pessoas – muito similares entre si – e pede para solucionarem um problema. É provável que eles concordem facilmente sobre o melhor caminho a seguir, explorando pouco os diferentes impactos desse problema em realidades que eles não conhecem. Por outro lado, se fosse um grupo diverso, teríamos um embate de posicionamentos capaz de estimular soluções muito mais criativas e inovadoras.

Um amplo estudo da McKinsey & Company, realizado em 2020 e com foco na América Latina, revelou que empresas que adotam a diversidade apresentam níveis muito mais altos de inovação e colaboração. Funcionários dessas companhias possuem 152% mais chances de propor ideias e tentar novas formas de fazer as coisas. Isso significa que a diversidade vem se revelando como uma prática-chave para quem deseja manter seu negócio inovador e rentável!

Considerando que é questão de tempo (e pouco tempo) para que a IA impacte para sempre empresas e profissões em todos os setores, cabe a nós, líderes de equipes, buscarmos sempre os melhores caminhos para manter um time seguro, diverso e criativo.

Por fim, deixo um questionamento e adoraria receber sua resposta para trocarmos: o que você tem feito para garantir que o seu negócio tenha um capital humano capaz de florescer diante das mudanças e incorporar, de maneira eficiente, as novas tecnologias? Inovação é principalmente sobre isso!

Compartilhar:

Artigos relacionados

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Contratar, promover ou buscar fora: a decisão que separa o líder do gestor

Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo