Coprodução HSM Management + Softys

E se o Brasil parasse de perder os 40% da água potável que trata?

Não fossem os vazamentos, um enorme volume de água poderia chegar à população sem a necessidade de construir novas estações de tratamento. Soluções inovadoras, como o projeto Softys Contigo, visam ajudar a solucionar o problema da água no Brasil
André Schröder é colaborador da HSM Management

Compartilhar:

Um novo relatório divulgado em junho pelo Instituto Trata Brasil mostra que 40%
da água tratada no país é perdida antes de chegar às torneiras. Segundo a organização, o volume desperdiçado anualmente poderia abastecer 66 milhões de habitantes — quase o dobro dos 35 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso à água potável. Para cumprir a meta do Novo Marco Legal do Saneamento, de garantir o recurso para 99% da população até 2033, o Brasil precisa diminuir as perdas – baixando para 25% da água tratada. O objetivo é considerado realista, mas carece de uma série de aperfeiçoamentos no sistema de distribuição.

A maior causa de desperdício são os vazamentos. A rede precisa de pressão para que a água alcance as moradias, em especial nos lugares mais altos. Porém, essa pressão tensiona a tubulação debaixo da terra, gerando fissuras e rompimentos. A questão é que os derramamentos só costumam ser notados quando a água aflora na superfície, muitas vezes após vários dias de escape. A triste realidade do sistema é que reparos costumam ser feitos apenas depois que grandes quantidades de água tratada já foram perdidas.

De acordo com Luana Siewert Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, a solução do problema começa com uma setorização adequada da cidade, com redes de distribuição mais bem planejadas para cada área. O primeiro benefício dessa ação é preventivo, pois evita pressão excessiva na tubulação em regiões menores ou planas.

Há ainda vantagens corretivas porque a divisão torna mais eficaz a identificação dos vazamentos com ajuda de sensores de vazão e outros dispositivos capazes de achar o trecho danificado. “Essa falta de setorização das redes das cidades é um entrave para a implantação de soluções tecnológicas existentes para melhorar o sistema”, afirma Pretto.

As ações para reduzir a perda de água potável no país concorrem com investimentos para a ampliação da coleta de esgoto e a construção de novas estações de tratamento. O objetivo do estudo do Trata Brasil é fornecer dados em busca de um maior equilíbrio entre esses três esforços. “Quando falamos na redução de perdas é sobre um volume de água que poderia chegar à população sem precisar construir uma nova estação de tratamento. É possível abastecer um número maior de pessoas com o recurso que estava sendo perdido”, explica a presidente-executiva do Trata Brasil. “De qualquer forma, o Brasil precisa ampliar os investimentos na área para melhorar a situação”, ressalva.

## Na trilha das soluções
Atenta a essas questões, a iniciativa privada tem investido em projetos para minimizar os problemas de água e saneamento. Um exemplo é a Softys que no final de abril anunciou investimento de 6 milhões de dólares para garantir o acesso à água potável e saneamento a famílias de áreas populares na América Latina. Nos próximos cinco anos, com a ajuda da Organização Não Governamental Teto, a companhia de produtos de higiene e cuidados pessoais quer construir 2 mil soluções de água e saneamento para favorecer cerca de 30 mil pessoas. Entre as estruturas estão unidades sanitárias, recursos de água potável, sistema de captação de água da chuva para consumo humano e pias comunitárias.

Como parte do projeto Softys Contigo, no ano passado a empresa implementou 15 sistemas de captação de água da chuva no bairro de Calcárea (em Caieiras, São Paulo) em parceria com a Teto e a Isla Urbana, startup mexicana que desenvolve projetos de captação de água da chuva, beneficiando 52 moradores diretamente, mas com impacto indireto para mais de 200 pessoas. Apesar de estar presente em oito países, a companhia optou pelo Brasil para lançar o projeto devido ao potencial de crescimento do mercado local. Já a escolha por Caieiras está de acordo com a política da Softys de cuidar das comunidades onde ela está inserida já que a companhia tem uma fábrica na cidade.

Além do Brasil, a iniciativa ajudará comunidades e assentamentos no Chile,
México, Peru, Colômbia, Argentina, Equador e Uruguai. “Somente através do
acesso seguro e oportuno à água e ao saneamento podemos contribuir para
melhorar as condições de higiene em nossas comunidades, cumprindo com o
nosso propósito de fornecer os melhores cuidados que as pessoas precisam em
seu dia a dia”, afirma Gonzalo Darraidou, gerente-geral corporativo da Softys.

## De olho no futuro
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) estima que 12% da
água doce do planeta está no Brasil. Apesar de abundante, a riqueza não é bem
distribuída. A faixa costeira abriga mais de 45% da população e apenas 3% dos
recursos, o que já provoca episódios de estresse hídrico. O cenário vai ficar mais delicado diante do aumento da demanda previsto para os próximos anos, com
retirada de água 42% maior em 2040. Há ainda preocupações com os efeitos
das mudanças climáticas, que podem alterar o regime de chuvas, criando
dificuldades para regiões até agora imunes aos problemas de abastecimento.

Diante dessas perspectivas inquietantes é imprescindível reduzir o desperdício
de água potável no país. Para Jefferson Nascimento de Oliveira, professor de hidrologia e gestão ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), novas tecnologias podem ajudar na redução dos desperdícios. Mas é ainda mais fundamental ter parcimônia no uso da água, pois em grande parte do país o recurso é limitado.

“Precisamos parar com essa história de por sermos o maior detentor de água do
mundo acharmos que as fontes são inesgotáveis. É hora de uma mudança de paradigma, de conceito. O Brasil precisa ter uma política de Estado para a água
para estimular o uso consciente e investir em iniciativas de reutilização”, defende o especialista.

À procura de um benchmark, o Brasil poderia aprender com Israel – onde mais da metade do território é desértico. O país localizado no Oriente Médio sempre contou com a água do Jordão, mas o rio está secando, com volume cada vez menor. Para não deixar mais de 9 milhões de habitantes na seca, Israel adotou uma série de medidas para garantir o fornecimento hídrico e tornou-se o maior exemplo mundial quando o assunto é usar a água com sabedoria para evitar desperdícios. Antes de mais nada, esse esforço exigiu uma mudança cultural.

Os israelenses foram educados para economizar água, aceitando o fato de que esse recurso fundamental é escasso na região. Além disso, gastar mais que o necessário pode doer no bolso, pois a água lá é cara. O aumento dos preços incentivou a instalação de torneiras com arejadores para reduzir a vazão, além da adoção de outras medidas para conter o consumo. Lá o reaproveitamento agora é política nacional. O país reutiliza três quartos de seus rejeitos na agricultura — o esgoto da cidade é tratado para irrigar plantações no deserto. O sistema de irrigação é por gotejamento, que usa menos de 5% da água dos métodos de aspersão aplicados na maior parte do mundo. Por fim, Israel investiu em soluções tecnológicas em busca de segurança hídrica, abrindo espaço para empresas desenvolverem inovações que já são exportadas para outros países.Entre os avanços estão sensores e outros instrumentos para detectar vazamentos e reduzir perdas.

“Desafios de água e saneamento no Brasil” será tema do Deep Dive by __HSM Management__, transmitido pelo canal do YouTube da __HSM Management__ no dia 14 de julho, a partir das 10h. O evento contará com a participação dos executivos da Softys, do Trata Brasil, da Aegea, do Grupo Águas do Brasil e da ONG TETO. [Inscreva-se aqui](https://materiais.revistahsm.com.br/lp-b2b-deep-dive-by-hsm-desafios-de-agua-e-saneamento-no-brasil-softys).

Compartilhar:

Artigos relacionados

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo