Inovação

Economia de projetos é o futuro para empresas e colaboradores

A pandemia mudou a forma de trabalho que conhecíamos. Líderes terão de lidar com questões complexas para se reinventar
Diretor-Geral do Project Management Institute (PMI) para a América Latina, premiado e reconhecido internacionalmente na área de gestão de projetos. Com mais de 25 anos de experiência, é consultor em Habilidades Interpessoais e Gerenciamento de Projetos. Graduado no PMI Leadership Master Class, morou e trabalhou em vários países nos últimos 20 anos, gerenciou e prestou consultoria em projetos e programas em diversos setores (governo, mineração, construção, telecomunicações, serviços financeiros, TI e projetos de desenvolvimento, entre outros) para organizações privadas e governamentais na América do Norte e Latina, Europa, Ásia e África. Cidadão colombiano e mexicano, é fluente em Português. Como palestrante, se apresentou em Congressos de Gerenciamento e Liderança de Projetos nos últimos 15 anos em vários países.

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Não é novidade que a pandemia de covid-19 trouxe inúmeros desafios para o mercado de trabalho. Questões antes inimagináveis se tornaram cotidianas e exigiram a reinvenção do que chamávamos de trabalho em um passado recente. Empresas ao redor do mundo passaram por uma mudança de paradigmas e se viram obrigadas a se adaptarem ao home office, buscando novas maneiras de garantir o bem-estar e a produtividade de seus colaboradores, enquanto navegavam em águas desconhecidas.

O gerente de projetos se mostrou uma peça fundamental, como um farol, que orienta as empresas neste momento de incertezas. Estamos falando de um profissional responsável por gerenciar os mais diversos projetos estratégicos dentro das organizações, em todas as suas etapas.

Nesse cenário, enxergamos um número cada vez maior de empresas que buscam reorganizar suas atividades com base em metodologias ágeis de gestão de projetos para alcançar melhores resultados. As organizações também estão apostando em permitir que os chamados “changemakers” (agentes de mudança, em português) impulsionem o impacto nas empresas. São indivíduos que impulsionam a mudança e os esforços de transformação para empresas, pessoas e a sociedade em geral.

## A “economia de projetos” é o futuro
O local de trabalho já vinha passando por várias transformações, muito antes da pandemia, especialmente pelo contínuo desenvolvimento de novas tecnologias para aprimorar o atendimento ao cliente e facilitar o trabalho remoto. A disruptura digital, particularmente, é uma das megatendências para 2022, conforme o recente relatório [Global Megatrends 2022](https://www.pmi.org/-/media/pmi/documents/public/pdf/learning/thought-leadership/pmi-megatrends-2022.pdf?v=2fdbcb02-0c74-4fd6-8a62-774c5b26e486&sc_lang_temp=pt-BR) do Project Management Institute (PMI). O mercado global de transformação digital deverá chegar a US$ 2,8 trilhões até 2025. Propósito, inovação e aceleração tecnológica continuarão a guiar as empresas em um mundo pós-pandemia.

Isso também impulsionou o surgimento da economia de projetos – uma mentalidade global na qual o trabalho se concentra cada vez mais na entrega de valor e no impacto econômico por meio de projetos. Também conhecida pelo termo em inglês, “the project economy” é a economia do futuro. As empresas estão se transformando rapidamente devido aos avanços na tecnologia, à evolução do consumidor e à mudança constante da relevância do mercado. Todas essas mudanças e transformações são feitas por meio de projetos, e o mundo está se “projetando” por causa dessas mudanças tectônicas.

As empresas estão tendo de repensar a forma como seu trabalho é feito porque, em muitos casos, os serviços que fornecem também estão mudando. Essa mudança na maneira como estamos trabalhando está igualmente acelerando a transformação organizacional, com equipes de pessoas se movimentando entre áreas funcionais, sem os limites das áreas de finanças, RH, jurídico e outros silos tradicionais. Nos últimos dois anos, as organizações que prosperaram na economia de projetos são aquelas que se adaptaram a novas formas de trabalho e continuam a treinar seus funcionários para liderarem como agentes de mudança.

## Transforme suas ideias em realidade
Na economia de projetos, as pessoas têm as habilidades necessárias para transformar ideias em realidade. Nesse contexto, capacitar os colaboradores para que eles se tornem agentes da mudança é essencial – independentemente da função que exercem. As empresas devem apoiar seus funcionários criando a cultura e as plataformas necessárias para permitir que os agentes de mudança causem impacto nos negócios e continuem a produzir resultados.

Para acompanhar o ritmo, as organizações devem aumentar o investimento na qualificação de seus funcionários. Com isso, a organização eleva a sua habilidade de influência para garantir liderança colaborativa e comunicação eficaz, empatia por clientes e colegas, pensamento inovador e capacidade de construir relacionamentos de confiança.

Assim, é possível construir perspicácia de negócio para contar com funcionários bem equilibrados, que não apenas têm experiência em suas funções e projetos específicos, mas entendem como seus esforços se relacionam com o macroambiente, os objetivos estratégicos e outras partes do negócio.

## Agilidade pronta para o futuro
A pandemia nos fez (e ainda faz) refletir sobre como podemos ajustar as diferentes formas de trabalho em um novo ecossistema. Abraçar a economia de projetos e a integração da tecnologia nas práticas de negócios agora é responsabilidade de todos os líderes, independentemente da função de trabalho ou do setor. Para ter sucesso, os líderes devem capacitar seu pessoal para desenvolver um conjunto diversificado de habilidades que inclui maneiras de trabalhar, perspicácia nos negócios e “habilidades de poder” interpessoais, como liderança colaborativa e comunicação.

Finalmente, mantenha-se ágil. A agilidade empresarial é a capacidade de mover-se rapidamente e adaptar-se em meio à incerteza e à mudança. Para que as empresas tenham sucesso na economia de projetos, elas precisam ser mais ágeis nas mudanças e nos projetos. Necessitam também preencher a lacuna entre o design e a entrega da estratégia – a “lacuna do dizer e fazer” – e comprometer-se com o desenvolvimento dos profissionais membros do time. Nossa pesquisa do PMI descobriu que 61% das organizações pioneiras usam a tecnologia para facilitar o aprendizado ágil, inovador e contínuo, e quase metade (45%) oferece oportunidades de micro aprendizado sob demanda.

Todos nós devemos ser proativos em moldar o futuro. À medida que as tecnologias digitais se tornam cada vez mais arraigadas em nosso trabalho diário, as organizações devem pensar no futuro para garantir que os colaboradores estejam preparados para navegar e gerenciar as mudanças, prontos para o futuro.

Não há dúvida de que a economia de projetos será essencial para sustentar as mudanças que surgem no pós-pandemia e permitir que empresas e indivíduos transformem suas ideias em realidade.

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