Sociedade, Transformação Digital

Educação precisa focar nas necessidades do mercado em transformação

Com o modelo de educação formal posto em dúvida, as empresas e escolas corporativas estão prontas para viver as mudanças provocadas pelo ensino digital?
É fundador e CEO do DOT Digital Group.

Compartilhar:

Para os executivos brasileiros, a pandemia acentuou a percepção da importância da capacitação. Um levantamento feito pela empresa de auditoria e consultoria Grant Thornton, no primeiro semestre de 2021, identificou que os gestores estão mais dispostos a investir em qualificação de suas equipes nos próximos 12 meses. Entre os 253 executivos brasileiros entrevistados, 74% consideram [aumentar os investimentos para desenvolver novas habilidades](https://mitsloanreview.com.br/post/brasil-na-rota-global-da-transformacao-digital) em seus times.

Investir em educação corporativa é importante para elevar as habilidades, técnicas e competências da equipe, obter níveis mais altos de engajamento do colaborador, aumentar a retenção de profissionais e, claro, melhorar a produtividade. Hoje, o desenvolvimento e o aprendizado são apontados como principais motivadores para a permanência numa empresa. O investimento em capacitação também se faz necessário porque a pandemia passou a exigir maior desenvolvimento de habilidades comportamentais.

As soft skills já eram consideradas tão importantes quanto as hard skills antes mesmo desses novos tempos pandêmicos. Com a chegada da covid-19, e com a necessidade de nos mantermos produtivos, veio a exigência de uma nova organização da rotina, respostas mais rápidas às mudanças, adaptabilidade em um cenário incerto, comunicação 100% a distância, tolerância com os imprevistos, saber trabalhar de forma autônoma e estabelecer relações de confiança, entre outros desafios.

Para o desenvolvimento desses comportamentos são necessárias habilidades como organização, flexibilidade, foco, empatia, priorização, inteligência emocional e, sem dúvida, a criatividade para lidar com as surpresas de cada dia com um olhar otimista, gerando novas ideias e soluções em um cenário complexo e em constante mudança.

Algumas empresas já despertaram para essa nova realidade e passaram a investir em soluções de desenvolvimento contínuo, entendendo que as habilidades que hoje são necessárias, amanhã poderão se tornar obsoletas.

## Concorrência de formatos

O aumento da demanda por estruturação de programas de treinamento e capacitação ou por migração de programas do presencial para o digital vem sendo sentida desde meados do ano passado. Isso ocorreu, principalmente, nas universidades corporativas e em programas de treinamento permanentes. Atualmente, a maior parcela dos orçamentos de treinamentos das grandes corporações é destinada à capacitação online ou ao sistema híbrido de treinamento. Essa é uma nova realidade, que deve se consolidar, pelos ganhos de escala, redução de custos e melhores resultados.

Uma das grandes vantagens da modalidade a distância é a economia de recursos, pois elimina os custos com estrutura física e permite um ganho de tempo no ensino. A ideia de que o aprendizado somente se adquire por meio de uma educação formal, como uma graduação ou formação superior, não é mais verdadeira. Esse formato de ensino já não dá conta do conteúdo exigido quando migramos da escola para o ambiente de trabalho.

A educação a distância irá democratizar o ensino e quebrar fronteiras tradicionais na educação. A tendência será o compartilhamento de conteúdo de forma aberta para em rede. Os serviços de banda larga, especialmente o 5G, deverão receber mais investimentos, proporcionar e permitir a criação de [ambientes totalmente virtuais e online](https://mitsloanreview.com.br/post/ia-e-o-aprendizado-customizado-personalizado-e-adaptado) para o aprendizado na prática.

A educação formal perderá importância à medida que o ensino digital conquistar mais adeptos, já que é mais escalável, mensurável e econômico. Novas profissões surgirão todos os anos e o EaD acompanhará esta evolução, oferecendo cursos de “especialização”, em vários formatos e de menor duração, que vão muito além do que as universidades oferecem e focados nas necessidades desse novo mercado em transformação.

As primeiras décadas de evolução da educação a distância (de 1990 e de 2000) foram importantes para a adequação das novas metodologias de ensino e aprendizado. No entanto, esse avanço é contínuo e deve influenciar mudanças significativas para o futuro da educação nos próximos anos.

*Gostou do artigo do Luiz Alberto Ferla? Saiba mais sobre educação corporativa e transformação mercadológica assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Morte: a próxima fronteira do bem-estar

Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Os rumos da agenda de diversidade, equidade e inclusão nas empresas brasileiras em 2026

Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência – com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Quando tudo vira conteúdo, o que ainda forma pensamento?

A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo – e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de março de 2026 15H00
Números não executam estratégia sozinhos - pessoas mal posicionadas também a sabotam. O verdadeiro ganho de eficiência nasce quando estrutura, dados e pessoas operam como um único sistema.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de março de 2026 06H00
No auge do seu próprio hype, a inovação virou palavra‑de‑ordem antes de virar prática - e este artigo desmonta mitos, expõe exageros e mostra por que só ao realinhar expectativas conseguimos devolver à inovação o que ela realmente é: ferramenta estratégica, não mágica.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de março de 2026 18H00
Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...