Uncategorized
Oferecido por:

Em busca do Santo Graal

Trabalhar menos tempo é uma demanda válida, porque nos permite viver outras identidades. Mas temos de trabalhar melhor –e estar dispostos a fazer sacrifícios.Essa é a mensagem-chave do britânico David Baker, ex-editor da Wired UK e professor da The School of life. Ele também tem uma sugestão para as empresas: respeitar quem não é workaholic
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

> **Saiba mais sobre David Baker**
>
>
> Quem é: Professor da The School of Life, coach e consultor; ex-editor da Wired UK. 
>
> Temas abordados: De economia a antropologia, passando por qualidade de vida. Suas vidas: Mergulhador profissional, leitor, cozinheiro, caminhante etc.

**Trabalhar 40 horas por semana ou mais é bom?**

Eu acho que não. Fazemos isso por sermos catastróficos: criamos a ilusão de que, se não trabalharmos tanto, vamos perder tudo. Não procede. O santo graal a perseguir deve ser trabalhar menos, mas melhor, porque a vida fora do trabalho é muito interessante. Uns 20 anos atrás, eu tinha várias ocupações, mas decidi trabalhar menos. Fiz sacrifícios: ganhar menos, gastar menos. Decidi mudar porque na vida fora do trabalho há grandes oportunidades de descobertas.

Segundo Herminia ibarra, do insead, uma pessoa tem talvez umas cem identidades dentro de si, só descobertas quando exploradas. O modelo tradicional do trabalho destrói a aventura dessas descobertas. 

**Muitos executivos dizem que o equilíbrio entre o trabalho e outras identidades é ilusório.**

Existem pessoas que creem nisso, mas eu penso que devemos buscar os três equilíbrios descritos pelo poeta David Whyte, o que ele chama de três casamentos: um com o trabalho, um com nós mesmos e um terceiro com os outros. Quando uma pessoa trabalha 18 horas por dia, não consegue manter o equilíbrio nem em dois desses casamentos. Equilíbrio é bom, mas não é tudo. Para mim, existe algo mais importante: os intervalos para não fazer nada. Neles é que surgem as oportunidades e as novas ideias. Não quero nunca parar de trabalhar, mas faço intervalos todos os dias. 

**Ajuda a lidar com a pressão?**

Nós, homens, gostamos de pressão, sabia? No entanto, devemos evitá-la; não precisamos dela, não gera resultados melhores nem piores. É algo inócuo. Quando participei da criação da Wired no Reino Unido, desenvolvi uma cultura de tranquilidade e funcionou. O ambiente calmo persiste ali até hoje. 

**Mulheres gostam de pressão tanto quanto homens?**

Menos, segundo minha observação. Acho que porque muitas têm fontes de recompensa mais variadas. lembro de, quando era jornalista foca, ter entrevistado a CEO de uma empresa de materiais de construção que havia ganhado o prêmio “Businesswoman of the Year” no Reino Unido. Eu lhe perguntei a diferença entre os homens e as mulheres nos negócios e ela disse: “Quando me reúno com mulheres, mesmo concorrentes, compartilhamos tudo, até leads, e é muito bom; já em reu niões com homens, ninguém compartilha nada para não ser roubado”. Pressão tem a ver com falta de confiança. Não sei quando foi que nós, homens, ficamos tão desconfiados.

**Como garantir que o horror ao workaholism não leve ao comportamento burocrático?**

O vício em trabalho é uma patologia, mas temos de aceitar que há alguns viciados de um jeito bom, que gostam muito do que fazem. a maioria das pessoas, no entanto, não tem a doença e possui outros interesses na vida, preferindo trabalhar menos. Para esses indivíduos não se tornarem burocratas, as empresas deveriam adaptar o trabalho a essas expectativas, o que faria com que eles gostassem de trabalhar. 

> **“O PORTUGUÊS DO BRASIL É MINHA LÍNGUA FAVORITA”**
>
> David Baker estava em Londres quando concedeu esta entrevista por Skype, falando quase totalmente em português. Recorreu ao inglês em poucas expressões. “Aprendi muito, mas quero aprender mais e melhor. O português do Brasil é minha língua favorita.” O elogio não é pouco, vindo de alguém que também fala francês, espanhol, italiano e hebraico, entre outros idiomas. “Falo muitas línguas, mas com muitos erros; o importante é me comunicar, porque assim surgem as amizades.”

**Os brasileiros são equilibrados? A sensação é que somos ruins de gerenciar o tempo…** 

Não posso responder a isso 100%, mas me parece que é funcional o modo como o tempo é gerido no mundo do trabalho no Brasil. Por exemplo, eu gosto de fazer reuniões de trabalho com brasileiros, porque o clima geralmente é descontraído, e isso leva a decisões boas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução