Cultura organizacional

Em mar revolto, a área de finanças é apenas uma das preocupações do CFO

Acaba sendo necessário articular trocas proveitosas e estratégicas com líderes de outras áreas
Felipe Brunieri é sócio-fundador da Assetz, consultoria boutique de recrutamento focada em líderes de finanças.

Compartilhar:

As projeções econômicas para o próximo ano apontam para um cenário um tanto desafiador, não apenas para o Brasil, mas para o mundo todo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial têm feito alertas recorrentes sobre o risco de recessão global. Segundo o FMI, ao menos um terço dos países do planeta deve entrar em recessão em 2023 e, mesmo aqueles que conseguirem escapar do vermelho, não passarão ilesos.

A iminente recessão global, a crise energética na Europa, a desaceleração na China e o aumento dos juros nos Estados Unidos são alguns dos fatores que podem afetar negativamente o Brasil nos próximos meses. A continuidade de um cenário incerto e imprevisível iniciado nos últimos anos, agravado sobretudo pela pandemia, deve seguir impactando fortemente o dia a dia das empresas brasileiras – e, consequentemente, o cotidiano dos CFOs de grandes corporações no País.

Se, até pouco tempo atrás, o diretor financeiro de uma companhia era tido como um profissional mais técnico e avesso ao risco, responsável por garantir que as informações financeiras estivessem em ordem, os impostos pagos devidamente e o fluxo de caixa controlado, na atualidade as companhias têm exigido dele uma atuação consideravelmente mais estratégica, justamente para responder a conjunturas que parecem ganhar novas formas a cada instante, aceleradas pela tecnologia cada vez mais avançada. Em um contexto em que a turbulência se transformou em uma constante, o papel de mero disciplinador de números já não cabe mais.

## *O Perfil do CFO no Brasil*
Recentemente, lançamos, em parceria com o Insper, a segunda edição da pesquisa *O Perfil do CFO no Brasil*, que trouxe um raio-X dos executivos que hoje ocupam essa cadeira nas maiores empresas do País. No estudo, quando questionados sobre as habilidades técnicas que devem ser cada vez mais exigidas de um diretor financeiro, a gestão de projetos estratégicos e o suporte ao negócio foram pontos destacados por 49% dos entrevistados.

Cada vez mais, o CEO espera desse executivo um parceiro que o apoie no desenvolvimento de estratégias, contribuindo para a tomada de decisão e alocação de recursos, de modo que sejam identificadas oportunidades para incremento da receita e, consequentemente, aumento da lucratividade. Cabe, ainda a este novo CFO, uma visão mais macro e sistêmica do negócio, capaz de guiar as demais áreas da companhia nas suas devidas análises e avaliações.

Atualmente, é impensável garantirmos a eficiência real de uma corporação sem que o diretor financeiro esteja em contato direto com times como os de marketing, vendas e operações. O executivo precisa estar presente, conhecer a operação, o dia a dia e os desafios de cada uma dessas áreas, entendendo como cada processo, no fim, soma na equação de geração de valor.

## Olhe cuidadosamente para o marketing
Tomemos como exemplo a aproximação entre o CFO e o *chief marketing officer* (CMO). Tal sinergia pode soar paradoxal para muitos, principalmente aos olhos daqueles que enxergam o investimento em marketing como uma despesa e não como um investimento. A muitos profissionais carece o entendimento de que a área é um canal essencial para o fortalecimento da relação entre a companhia e seus consumidores – conexão sem a qual negócio algum se sustenta, independentemente da indústria em que está inserido.

Ao se relacionar com o time de marketing, o líder financeiro de uma companhia acaba por se aproximar de seu cliente final, podendo compreender a fundo suas reais necessidades e anseios. Naturalmente, esse movimento lhe trará um olhar mais holístico e transversal do negócio. O seu produto de fato atende à demanda de seu público? O que é preciso para se destacar entre os seus concorrentes? O investimento em projetos de inovação se faz necessário? São questionamentos naturais em meio à disposição das áreas em dividir – para, então, multiplicar.

E, se por um lado, o marketing traz mais concretude para o dia a dia do time de finanças por estar estrategicamente mais próximo ao cliente final, a área financeira pode contribuir com a metrificação das atividades que integram o cotidiano dos profissionais de marketing. A projeção de margens saudáveis, o cálculo do custo para a aquisição de novos clientes e a priorização dos investimentos são algumas das inúmeras análises passíveis de serem realizadas em conjunto.

A esse CFO do futuro – que já é presente – cabe a missão de articular trocas tão proveitosas e estratégicas junto a líderes de outras áreas. Apesar das especializações e visões de negócio distintas que cada um desses profissionais carrega, é preciso lembrar que, na essência, todos têm um objetivo comum em prol do crescimento da companhia.

Em meio a uma conjuntura de crescente digitalização, abraçar eventuais riscos, antecipar tendências e propor mudanças de rota frente às movimentações da concorrência são movimentos primordiais e que podem ser decisivos para o sucesso de uma organização. É preciso responder às circunstâncias colocadas pelo mercado com agilidade e, nesse sentido, perspectivas complementares tendem a tornar essa jornada um tanto mais tranquila e assertiva, ainda que realizada sobre mares revoltos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Inovação & estratégia
5 de outubro de 2026 08H00
Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

Camila Wasserman e Sabrina Serafim -

6 minutos min de leitura
Liderança
4 de outubro de 2026 14H00
Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de outubro de 2026 08H00
Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio-diretor da FC Partners

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
3 de outubro de 2026 14H00
Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance
3 de outubro de 2026 08H00
Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de outubro de 2026 14H00
Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por: POK
11 minutos min de leitura
Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução