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Encontre vítimas de bullying

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Muitas pessoas criativas acreditam em si mesmas e na própria criatividade. Em geral, elas foram as mais espertas de todas as crianças da turma –e ainda acreditam nisso. E costumam estar certas. É por isso que podem ser tão desagradáveis. Muitas outras pessoas criativas, contudo, foram intimidadas e ridicularizadas por serem diferentes, por terem ideias estranhas ou por se vestirem de um jeito esquisito. As outras crianças zombavam delas o tempo todo. 

Os professores tentavam botar algum juízo na cabeça delas. Os pais se desesperavam ao pensar que os filhos jamais seriam “normais”. Algumas dessas crianças revidavam, mas muitas nunca se defendiam. Nada faz as pessoas se conformarem mais rapidamente que o medo de se machucar, de serem intimidadas ou ridicularizadas. A dor é um grande motivador. 

Da mesma forma como as outras crianças, professores e pais podem destruir a criatividade de uma criança, as empresas também podem minar a criatividade de seus colaboradores, destruindo sua autoconfiança ao longo do caminho. Isso é particularmente verdadeiro se a identidade da pessoa se fundamenta na criatividade. É quase impossível manter sua autoestima se você propõe uma ideia interessante após a outra e sua empresa se recusa a adotar qualquer uma delas –ou até mesmo deixa de levá-las em consideração. Pior ainda, a empresa pode ridicularizar suas ideias. Essa reação é uma forma de bullying tão degradante quanto a versão do pátio da escola. 

Isso deixa uma pessoa criativa extremamente frustrada e infeliz. Afinal, todas aquelas grandes ideias que ela achava que estava levando à empresa não deram em nada, e agora ela fica largada em sua sala, sentindo-se mal pela sua incapacidade de executar. Um grande número de empresas se vangloria das pessoas criativas que tem na equipe. Mas essas mesmas empresas não necessariamente levam a cabo as ideias criativas. Sabem que sairão bem na fita, gabando-se de serem empresas criativas, mesmo se não deixarem seu pessoal criativo agir com liberdade. Enquanto isso, seu pessoal criativo, infeliz e subutilizado, vai aos poucos sendo treinado para acreditar que a criatividade só os deixará em apuros. 

Assim, em sua próxima entrevista de emprego, essas pessoas minimizam sua criatividade. “Não quero mais passar por isso”, decidem. “Dessa vez, não vou arriscar.” Essas pessoas criativas precisam encontrar um emprego em que possam ser, digamos, inventivas –em outras palavras, em que possam ser elas mesmas. Em algum ponto você entrevistará uma pessoa como essa para um emprego. Tire-a da toca. Deixe-a à vontade. 

Ela pode não ter sido capaz de realizar nada em seu último emprego, mas leve-a a falar sobre suas vitórias criativas antes disso. Ela pode ter vencido um concurso de poesia na escola, ganhado o primeiro prêmio em uma feira de ciências ou atuado no papel principal no teatro do bairro. Com o tempo, ela aprendeu a esconder esse lado, que na verdade é sua característica mais interessante e valiosa. Alguns de meus melhores colaboradores vieram de empresas nas quais seus talentos foram totalmente desperdiçados. Lembro-me de uma empresa particularmente tóxica que costumava fazer um pequeno show com as ideias criativas de seus colaboradores. 

Elas nunca levavam essas ideias ao mercado, mas queriam exibi-las para se gabar de sua originalidade. Os colaboradores que se destacavam nesses eventos nunca conseguiam vender suas ideias em qualquer outro momento. Aqueles eventos acabaram se transformando em uma espécie de feira de emprego para essas pessoas, que eram escolhidas por outros empregadores capazes de enxergar e valorizar seu potencial. Um alerta às empresas que se recusam a promover seu pessoal criativo: não façam um show para apregoar esses colaboradores aos concorrentes.

> **ENCONTRE O PRÓXIMO STEVE JOBS**
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> Nolan Bushnell com Gene Stone • hsm • 2014
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> O empreendedor norte-americano Nolan Bushnell, famoso como fundador da icônica companhia de games Atari e da Chuck E. Cheese’s, rede de centros de entretenimento familiar dos Estados Unidos, tem, em seu currículo, o fato de ter empregado –e impulsionado– Steve Jobs. Bushnell agora escreve um livro sobre como identificar e atrair pessoas talentosas como o homem que viria a fundar a Apple, uma das empresas mais valiosas do mundo. Segundo ele, isso implica, entre outras coisas, procurá-las onde ninguém as procura e recrutá-las como ninguém faria. E também implica escrever um livro de recursos humanos que ninguém escreveria. É o que o célebre empreendedor faz em Encontre o Próximo Steve Jobs, que se inicia com o relato de uma festa em 1980 em sua casa de Paris, à qual Jobs, já como fundador da Apple, compareceu. Receitas inusitadas se sucedem, em capítulos curtos escritos de maneira provocadora e irreverente por ele e pelo coautor Gene Stone. HSM Management publica aqui dois desses capítulos, na íntegra.

> **CONTRATANDO NAS ARQUIBANCADAS**
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> Um de meus maiores prazeres da vida sempre foi comparecer aos eventos esportivos de meus filhos. Tenho muito orgulho deles e não me importo se ganham ou perdem. Reparei que muitas pessoas espertas também vão assistir aos eventos esportivos dos filhos… E ficam entediadas. Sim, poucas coisas são piores que seu filho decidir que quer participar de uma equipe de natação, porque as competições de natação são intermináveis e incrivelmente enfadonhas. E lá está você, sentado na arquibancada, enquanto um bando de crianças indistinguíveis a distância avança ruidosamente em uma piscina, chapinhando água por todos os lados. 
>
> Para aliviar o tédio, você acaba passando o tempo conversando com outros pais. Costumo falar sobre tecnologia e já aconteceu de eu contratar pessoas lá mesmo. Por exemplo, em um evento esportivo nos idos da década de 1970, estava batendo papo com o sujeito sentado ao meu lado, um homem chamado Bob Brown. Perguntei o que ele fazia, e respondeu que projetava chips customizados. Um assunto levou a outro, e logo estávamos conversando animadamente sobre a indústria dos games. Isso foi numa época em que muitas pessoas eram contra a guerra, e concordamos que criar chips para games era mais divertido que criar chips para aplicações militares. Antes do fim do evento, eu já tinha contratado Bob, um excelente engenheiro capaz de projetar praticamente qualquer coisa. Nunca pare de pensar em lugares para encontrar e contratar um bom pessoal.

**CONTRATE DEBAIXO DO SEU NARIZ**

O Observar as pessoas trabalhando fora da sua empresa é uma das melhores maneiras de encontrar pessoas criativas. Quando digo isso, as pessoas costumam rir. “Não posso simplesmente entrar em outra empresa e assistir”, insistem. Sim, você pode. Você só não está sendo criativo ao pensar onde essas pessoas podem ser encontradas. As pessoas criativas não trabalham necessariamente em empregos criativos. 

O problema do mercado de trabalho (e das práticas de contratação em geral) é que as pessoas criativas muitas vezes ficam sem emprego –ou pelo menos não conseguem encontrar um emprego na área que gostariam. Ser empolgado e interessante, por si só, não paga as contas, de modo que pessoas empolgadas e interessantes muitas vezes acabam em empregos sem graça, porque ninguém quer contratá-las. Contratei muita gente que me chamou a atenção por demonstrar criatividade em seu trabalho. 

Uma das melhores contratações que já fiz foi uma garçonete de uma rede de restaurantes. Ela era divertida, transformou todas as minhas patéticas tentativas de fazer graça em uma verdadeira comédia e fez com que todos se sentissem muito bem. Minha família e eu observamos admirados aquela mulher, como se ela tivesse um holofote de dez mil watts focado nela. Eu a contratei ali mesmo para desenvolver alguns programas de marketing inovadores. 

Ela se mostrou espetacular na função, espalhando, na nossa empresa, a mesma energia positiva que fazia dela uma garçonete incrível. Em outra ocasião, estava em uma loja de equipamentos de camping em Palo Alto, Califórnia. O jovem vendedor que me ajudou sabia tanto sobre os equipamentos e era tão apaixonado por acampamento que foi um enorme prazer conversar com ele. É raro encontrar um vendedor ao mesmo tempo tecnicamente competente, encantador e divertido. Soube imediatamente que seria perfeito para a Chuck E. Cheese’s. 

Ele foi alocado no atendimento ao cliente, já que seu talento para isso era óbvio, e subiu ao topo do departamento em apenas um ano. Normalmente as pessoas só enxergam o que esperam ver. Se você esperar ver apenas uma garçonete, só verá uma garçonete. Se observar todo mundo como um colaborador em potencial para sua empresa, todo um novo mundo de possibilidades se revelará para você. Abra os olhos. As pessoas criativas estão por toda parte. 

Não deixe de procurar só porque você não está na empresa. Algumas das pessoas mais criativas que você encontrará estão escondidas à vista de todos. Atenção, candidatos a emprego: não importa qual seja o seu trabalho atual, se pelo menos uma pessoa estiver assistindo, você está no palco. Você nunca sabe quando alguém vai lhe oferecer seu próximo emprego. Na verdade, você pode nem precisar sair do escritório para encontrar pessoas criativas escondidas em empregos comuns. O simples fato de terem sido contratadas não significa que estejam no melhor cargo possível. Pelo contrário, podem ter sido vítimas de um equívoco de alocação. Uma das melhores maneiras de encontrar pessoas criativas é praticar a gestão de corredor. 

Em outras palavras, quando você tem um problema, saia da sua sala e vá conversar com a recepcionista, com a mulher da contabilidade, com o cara de vendas. Por quê? Para começar, você estará incluindo pessoas que normalmente são ignoradas, o que, por si só, já é bom. Além disso, não é raro obter uma nova perspectiva sobre um problema, de alguém que conhece bem o negócio dele. Opiniões e sugestões diversificadas são tão necessárias para o crescimento criativo da sua organização quanto a água é para a vida. As expectativas impulsionam as ações. Se a criatividade não for esperada na sua organização, ninguém será criativo. Por outro lado, se criar uma organização na qual a criatividade é esperada, as pessoas se empenharão para atingir essa expectativa.

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