Comunidades: CEOs do Amanhã, Sustentabilidade

ESG: a década decisiva para o planeta e o futuro do capitalismo

ESG não é uma linha de chegada, não é um selo ou um carimbo, mas uma jornada
Engenheiro químico, mestrando em sustentabilidade e gerente de finanças sustentáveis na Resultante ESG. Trabalha por um mercado financeiro mais sustentável e inclusivo. Faz parte da comunidade Young Leaders.

Compartilhar:

“Nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”. A frase, atribuída ao escritor francês Victor Hugo e já um pouco gasta por seu uso recorrente nas redes, não poderia ser mais oportuna quando falamos da grande mudança de paradigma que vem ocorrendo no mundo corporativo e no mercado de capitais.

Essa modificação, motivada por uma transformação de consciência das novas gerações em relação ao papel do trabalho em nossas vidas, ao papel das empresas no sistema capitalista e pelas mudanças climáticas inequivocamente atribuídas à ação humana, foi potencializada pela pandemia de covid-19. Tivemos, como humanidade, uma amostra de quais podem ser os efeitos de uma crise de proporções globais, como aquela que se avizinha com o aprofundamento das mudanças climáticas, para a economia e para a organização das sociedades.

Neste contexto, assistimos a uma disseminação do uso da sigla ESG pelas empresas e meios de comunicação. Embora ela seja traduzida ao pé da letra como os critérios Ambientais (Environmental), Social (Social) e de Governança (Governance) observados na gestão de uma companhia ou na tomada de uma decisão de investimento, agrada-me mais uma tradução próxima ao que, na prática, significa no dia a dia das organizações: [ESG como a governança ambiental, social e corporativa](https://www.mitsloanreview.com.br/post/o-g-do-esg-inversao-da-sigla-e-diferencial-para-perpetuar-negocio) de uma empresa. Como meus colegas consultores e eu costumamos dizer: “Sem o G, não temos E, nem S”.

## Rompendo barreiras
Antes de mergulhar na discussão do que isso representa para as empresas, consumidores, colaboradores e investidores, deixe-me dar um passo atrás e trazer alguns dados que mostram o porquê de estarmos vivendo esse momento de transição.

Uma representação bastante didática e de fácil comunicação é a visão das fronteiras planetárias, apresentadas pela primeira vez em 2009 pelo cientista sueco Johan Rockström e um grupo de 28 cientistas de renome internacional, e recentemente representadas no documentário *Rompendo barreiras: nosso planeta*, disponível na plataforma de streaming Netflix.

Os autores deste estudo elencaram os nove sistemas terrestres que determinam o estado do planeta e [possibilitam a manutenção da vida](https://www.revistahsm.com.br/post/esg-questao-de-sobrevivencia-para-as-empresas-familiares) tal qual a conhecemos (e sim, isso inclui a vida humana). Eles afirmam que cruzar qualquer um dos limites desses sistemas pode trazer consequências deletérias ou mesmo catastróficas, servindo como gatilho para mudanças ambientais com impacto em escala planetária.

Acontece que, segundo as informações mais recentes disponíveis, nós já cruzamos a barreira de segurança para quatro destas fronteiras: perda de integridade da biosfera; os ciclos biogeoquímicos; mudanças no uso da terra e mudanças climáticas.

Se isso pode soar para nós como muito científico e distante de nossa realidade, pensemos nas catástrofes ambientais que acompanhamos pelo noticiário acontecendo por todo o planeta (ou naquelas que sentimos na pele): incêndios na Califórnia, Portugal, Canadá e no pantanal brasileiro, a seca enfrentada pelo Brasil e pelos EUA (que registrou sua estação mais seca desde 1580), as enchentes na China e Europa em 2021, e as nuvens de poeira recentes em algumas cidades brasileiras.

Contudo, apesar de todos esses sinais, ainda convivemos com esta fase de transição, na qual ainda persiste uma velha visão que enxerga as [questões ambientais como mera externalidade no cálculo econômico](https://www.revistahsm.com.br/post/capitalista-sim-consciente-nem-tanto). Só não podemos esquecer que são essas externalidades que levarão a espécie humana à extinção se não forem devidamente internalizadas e endereçadas pelas companhias.

## Gerações, propósito, ESG
Por outro lado, somada a este cenário, vemos a questão do propósito das companhias se manifestando em três áreas dentro do mundo dos negócios: os investidores, com 77% da geração dos millennials (nascidos entre 1980 e 1994) considerando os fatores ESG como uma prioridade ao tomar decisões de investimento; os colaboradores, onde 83% se dizem mais leais a uma empresa que possibilita uma contribuição socioambiental positiva; e os consumidores, com 91% dos millennials declarando que trocariam um produto que consomem regularmente por outro de uma empresa dirigida por propósito.

A questão ESG tem, portanto, extrema importância para as empresas e deve ser integrada ao seu planejamento estratégico e [assimilada em todos os níveis hierárquicos](https://www.revistahsm.com.br/post/como-o-esg-esta-relacionado-com-a-gestao-de-pessoas). ESG não é uma linha de chegada, não é um selo ou um carimbo, mas uma jornada. Uma empresa não é nem se torna ESG, mas integra a temática em todas as suas áreas, de modo que este seja um valor internalizado por todos e não somente pela área de sustentabilidade da organização.

Trabalhemos e sonhemos, inclusive, com o dia no qual as áreas de sustentabilidade não sejam mais necessárias e que as governanças ambiental, social e corporativa estejam plenamente integradas de maneira transversal por toda a companhia.

## Em busca de sustentabilidade
Não raro escutamos de alguns clientes que trilhar a jornada ESG trará custos para a empresa. Esta afirmação pode até ser verdadeira, mas ignora um ponto ainda mais importante: o custo de não se fazer nada é muito maior. A mudança de mentalidade no mundo corporativo é urgente. Diferentes empresas estão em diferentes estágios de maturidade dentro dessa agenda, e não há problema algum nisso.

Precisamos, contudo, adaptar toda nossa produção atual a uma lógica que estimule o [contínuo desenvolvimento da humanidade](https://www.revistahsm.com.br/post/observe-como-voce-esta-falando), aqui entendido como muito além do crescimento material, enquanto colabora para a manutenção de um planeta resiliente e sustentável do ponto de vista da manutenção de todas as formas de vida, sem deixar ninguém para trás.

Essa missão está em nossas mãos e, por isso, esta é uma época extraordinária para se estar vivo. A mudança já começou.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Mobilidade interna: Por que quando o tema é talentos estamos sempre olhando para a grama do vizinho?

A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo