ESG

ESG: a potência da aposta no pilar social nas empresas

Poucas são as organizações que fazem uso dos três pilares da agenda ESG. A inteligência artificial e o blockchain podem ser fortes aliados das empresas para o avanço da prática de governança ambiental, social e corporativa

Compartilhar:

Cada vez mais utilizada nos ambientes estratégicos de grandes companhias, a prática ESG (governança ambiental, social e corporativa, em português) ainda é um desafio quando o objetivo é utilizar todos os pilares propostos por ela. Recentemente, realizamos uma pesquisa na Mereo que trouxe um dado interessante: das 86% das empresas que analisam o ESG, apenas 33% delas focam nos três pilares ao mesmo tempo. Outros 57% avaliam dois pilares (ES, EG ou SG) e 10% somente um dos três (E, S ou G).

O universo das empresas pautadas pela agenda ESG foi expressivo: foram 105 entrevistadas no total, de 17 segmentos diferentes e 27 delas listadas em bolsa. Apesar de as companhias ainda não conseguirem gerenciar todas as dimensões do ESG de forma síncrona, questões sociais aparecem em 97% das empresas pesquisadas. É o pilar mais trabalhado nas organizações principalmente com foco na avaliação de desempenho (22%), no clima organizacional (20%), no treinamento e desenvolvimento (17%) e na diversidade e inclusão (17%).

Nos últimos anos, a evolução tecnológica acelerou a competição por talentos e a busca por reskilling (equivalente a requalificação ou reciclagem de um colaborador) e por ambientes mais diversos que favoreçam a inovação. Desta forma, ter métricas e projetos que irão assegurar um ambiente acolhedor, que engaje as pessoas e, ao mesmo tempo, proporcionem o desenvolvimento necessário do colaborador em prol do crescimento do negócio, tornou-se uma questão de sobrevivência, e o ESG veio reforçar a importância.

O pilar social captura esses tensionamentos, caso de aspectos geracionais, porque refere-se
ao impacto das atividades da empresa nas comunidades locais, nos funcionários, nos clientes e em outros stakeholders. Investidores e acionistas têm focado na forma como as empresas lidam com questões sociais, incluindo tópicos de justiça social, diversidade e inclusão. Entendo que, nos últimos dois anos, organizações e partes interessadas se concentraram no social especialmente em razão da crise humanitária desencadeada pela pandemia de covid-19, que afetou mais determinados grupos do que outros. Dessa forma, o social se transformou no coração da agenda ESG.

A pesquisa também revelou que 44% das empresas que apostam em todos os pilares têm atuação internacional – nacional (38%) e regional (18%). Ter mais recursos e capital humano e financeiro podem ser decisivos para o maior investimento nas diretrizes ESG. Empresas internacionais, principalmente aquelas listadas em bolsa, têm uma maior tendência a focar no pilar G, tendo em vista que podem estar mais sujeitas a riscos legais e de reputação.

Entre as principais dificuldades de implementação da agenda ESG estão a falta de conhecimento sobre a temática, a falta de recursos e o impacto de custos sobre operações financeiras da empresa, aponta o estudo. Além disso, o segmento da empresa pode impactar sobre a adoção ou não dessas práticas, visto que há mercados consumidores que acabam por priorizar outros aspectos dos produtos, como qualidade e preço, em detrimento das escolhas sustentáveis e sociais. Empresas sem práticas ESG correm o risco de não sobreviverem às mudanças trazidas pelas novas gerações. A integração deve envolver todos os stakeholders, e empresas de qualquer tamanho podem debater questões como racismo, inclusão LGBTI+, sustentabilidade e práticas de governança.

Percebo que há uma tentativa, por parte das companhias, de avançar na agenda ESG. A tecnologia, como a inteligência artificial (IA) e o blockchain, são fortes aliados, pois têm a capacidade de criar novas oportunidades de negócios, além de promover reformas estruturais em processos de empresas. Aquelas que estão dispostas a adotar novas tecnologias saem na frente no mercado. Entendo, também, que existe um diferencial competitivo nas empresas engajadas com os temas de inclusão e diversidade. Além de serem importantes para o bem-estar de seus funcionários, há pressões sociais e de mercado para que as empresas adotem essas práticas, com evidências de que uma força de trabalho mais diversa leva a melhores resultados.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que um anti-herói pode nos ensinar sobre liderança?

Neste artigo, a figura do Justiceiro, anti-herói da Marvel Comics, serve como metáfora para discutir o que realmente define o legado de um líder: a capacidade de sustentar princípios quando resultados pressionam, escolhas difíceis se impõem e o custo de fazer o certo se torna inevitável.

Quem vê as baratas cedo lidera melhor

Os melhores líderes internacionais não se destacam apenas pela estratégia. Destacam-se por perceber cedo os pequenos sinais de desalinhamento entre a matriz e os mercados, antes que eles virem problemas caros.

A NR‑1 encontrou a IA. O modelo antigo não sobrevive.

A nova norma exige gestão contínua de risco, mas só a inteligência artificial permite sair da fotografia pontual e avançar para um modelo preditivo de saúde mental nas organizações. Esse artigo demonstra por que a gestão de riscos psicossociais exige uma operação contínua, preditiva e orientada por dados.

Construa ou arrependa-se

Este artigo desmonta o mito de que “todo mundo já chegou” na inteligência artificial – os dados mostram que não é verdade. E é exatamente aí que mora a maior oportunidade desta década (para quem tiver coragem de começar).

Você não perdeu o controle – perdeu o monopólio da inteligência

O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas – mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
13 de abril de 2026 07H00
Quando "estamos investindo em inteligência artificial" virou a forma mais elegante de não explicar por que o planejamento de headcount falhou. E o que acontece quando os dados mostram que as empresas demitem por uma eficiência que, para 95% delas, ainda não existe.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

11 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
9 de abril de 2026 14H00
À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.

Renan Caixeiro - Co-fundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
9 de abril de 2026 07H00
O mercado não mudou as pessoas. Mudou o jeito de trabalhar. Este artigo mostra que a verdadeira vantagem competitiva agora não está no que você faz, mas no que você sabe delegar - e no que não delega.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
8 de abril de 2026 16H00
Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia - é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Ana Flávia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...