Business content

ESG é importante na evolução do modelo de negócio

Nova edição do “Eixo Exponencial SAP” explorou as experiências de uma empresa tradicional, a Wickbold, e uma startup, a iugu, em sua adaptação à aceleração promovida pela Covid-19; HSM Management integrou a bancada de entrevistadores
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

Pouco mais de um ano atrás, ninguém imaginava a pandemia de Covid-19 e, muito menos, as transformações tecnológicas e comportamentais aceleradas por ela. Em resultado, as empresas se viram tendo de priorizar o futuro em formação, sob o risco de desviar a atenção dos temas urgentes do presente. Especialmente, dos temas relacionados com a sigla que mais ganhou relevância nestes tempos: ESG, uma tradução do tipo de sustentabilidade que investidores e reguladores cada vez mais requerem das empresas, ao levar em conta seus impactos ambientais, sociais e de governança.

O ESG foi uma das discussões mais quentes da mais recente edição do [“Eixo Exponencial SAP”](https://www.revistahsm.com.br/post/futuro-no-agora-negocios-conscientes-responsaveis-e-humanizados) realizado no dia 4 de março último, cuja ambição inicial era debater “O futuro no agora: existe um caminho certo para os modelos de negócio?”. De fato, o programa de entrevistas organizado pela SAP Brasil expôs na tela assuntos relevantes como o melhor uso de dados nas decisões (atendendo à Lei Geral de Proteção de Dados), e a agilidade proporcionada pela nuvem.

Mas a conexão entre sustentabilidade e modelo de negócio inovador foi mais surpreendente. Não é usual enxergar que propósito (ambiental e/ou social), humanização e diversidade podem condicionar o sucesso dos modelos de negócio, pela influência que têm sobre os vários stakeholders das empresas.

Os convidados dessa edição do Eixo SAP foram dois: Leandro Roldão, CIO na tradicional fabricante de alimentos como pães, panetones e outros produtos à base de massa Wickbold, e André Luiz Gonçalves, CFO na [fintech iugu](https://www.mitsloanreview.com.br/post/iugu-pronta-para-voos-mais-altos-com-apoio-as-pmes), dedicada a estruturar e automatizar as operações financeira e de pagamentos de pequenas e médias empresas. Roldão e Gonçalves são executivos de duas organizações que têm conseguido se adaptar rapidamente aos desafios da aceleração pandêmica e mostraram ter muitos aprendizados e reflexões a compartilhar com a comunidade executiva brasileira em ESG.

Sob o comando da apresentadora Patricia Maldonado, uma bancada de quatro entrevistadores, entre os quais a editora-chefe de __HSM Management__, Cynthia Rosenburg, e o especialista em transformação digital Mario Tiellet, vice-presidente de midmarket da SAP Brasil, sabatinou-os durante quase duas horas.

## Propósito: crise climática e desigualdade
A crise climática e a desigualdade social crescente tornam urgente que o mercado corporativo incorpore o ESG na [evolução de seus modelos de negócio](https://www.mitsloanreview.com.br/post/como-um-modelo-de-negocio-evolui-dados-nuvem-lideranca), como destacou Rosenburg, ao perguntar para os entrevistados se suas empresas estavam conseguindo atuar nessa frente e em que direção.

Roldão contou que a [Wickbold criou um grupo de trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/wickbold-combater-a-desigualdade-aproveitar-a-oportunidade) capaz de desenvolver projetos para diminuir o consumo interno de recursos como água e luz e para dar embalagens mais sustentáveis aos diversos produtos da empresa. “Com ideias e inovação, podemos gerar vantagens para o planeta”, disse ele, antecipando que alguns dos projetos inovadores desse grupo serão apresentados ao mercado no decorrer de 2021. Ele também discorreu sobre o programa Origens Brasil, que a empresa conduz na Amazônia.

No caso da iugu, o contexto ESG está embarcado na preparação da fintech para a nova fase de seu ciclo de vida – ela recebeu no ano passado a licença para operar como uma instituição de pagamentos. Mas, além disso, a natureza do negócio da iugu, de automatizar os processos financeiros, já promove sustentabilidade por si só. “A automação é capaz de conferir escalabilidade aos negócios em nosso nicho de pequenas e médias empresas”, afirmou Gonçalves.

Então, quanto ao [desafio climático](https://www.revistahsm.com.br/post/de-um-reset-no-seu-proposito), a automação contribui porque reduz a impressão de papeis e harmoniza o fluxo de informações dentro da plataforma financeira, o que leva à economia e ao consumo mais consciente de recursos naturais. E, ao contribuir para a maior eficiência e o crescimento de PMEs, que são as maiores geradoras de empregos do País, a automação contribui para a redução da desigualdade social.

Os dois executivos destacaram que o modelo híbrido de trabalho, misto de presencial e remoto, que vem sendo considerado por suas empresas e muitas outras, irá reduzir as emissões de carbono já que menos pessoas vão se descolar diariamente para os escritórios.

## Humanização
Ao mesmo tempo que a influência da tecnologia sobre os modelos de negócio e o futuro avança, a expectativa é de uma [maior humanização do trabalho](https://www.revistahsm.com.br/post/a-escolha-da-gestao-humanizada-e-consciente-na-pratica), concordaram Roldão e Gonçalves.

Para o executivo da Wickbold, o ponto primordial para tomar as decisões nesse campo é algo tão simples quanto o respeito às pessoas. Roldão ponderou que a automação respeita as pessoas ao deixar o trabalho delas mais analítico e estratégico e ao eliminar o que é tarefa repetitiva. Entretanto, como Roldão acrescentou, é preciso que o ambiente automatizado seja agradável a ponto de as pessoas sentirem alegria de ir trabalhar lá.

E como é esse [respeito no trabalho remoto](https://www.revistahsm.com.br/post/compliance-no-home-office)? Na Wickbold, o home office começou em março e a previsão de retorno ainda é incerta, visto que ocorrerá somente após a vacinação. Até lá, disse Roldão, o foco dos líderes é o bem-estar dos funcionários, para que cada um deles possa trabalhar com saúde e tranquilidade. E ele garantiu que os resultados já são visíveis em forma de engajamento e produtividade. Além disso, detalhes a que os gestores atentam fazem diferença como manter a câmera sempre ligada nas reuniões, para não perder o olho no olho.

Gonçalves, da iugu, destacou que a humanização passa também pelos funcionários terem liberdade para poder se expressar e por uma priorização do trabalho conjunto em detrimento do individualismo. Na iugu, eles estão convencidos de que os resultados para a empresa são consequência desses valores humanos. “’Jogamos juntos’ é um dos nossos valores, reconhecendo que a união e sinergia são partes essenciais para alcançar resultados”, completa o executivo.

## Diversidade
Importante tanto para a inovação futura como para o presente urgente do ESG, a [diversidade](https://www.revistahsm.com.br/post/conecte-a-sua-estrategia-de-diversidade-a-pauta-esg) também foi debatida no “Eixo Exponencial SAP”. Na tradicional Wickbold, Roldão explicou que um grupo de trabalho interno ficou encarregado do tema, a ser levantado em reuniões semanais. Além de desenvolver projetos internos para maior inclusão da diversidade em suas várias vertentes, o grupo organiza palestras para todos os colaboradores, com o objetivo de fomentar e abrir novas portas para o assunto de alta relevância para a sociedade e para os negócios.

Já na iugu, segundo Gonçalves, a diversidade começa pelo ambiente que dá liberdade para cada um ser quem de[ fato é. O executivo também contou que o tema func](https://www.revistahsm.com.br/post/diversidade-e-inclusao-em-pauta-na-pandemia)iona como um filtro importante no recrutamento e seleção de profissionais. Para garanti-lo, os líderes da fintech são estimulados a fazer contratação às cegas – com base na experiência do candidato, não na escola em que ele se formou.

## Visão ampla de resiliência
Mario Tiellet, da SAP Brasil, encerrou o programa evidenciando o que Wickbold e iugu têm em comum: a resiliência. Ambas as empresas têm a capacidade de unir soluções inovadoras, tecnológicas e eficientes, explorando uma mentalidade que enxerga para além da crise atual.

O VP de midmarket da SAP Brasil também reconheceu a relevância do ESG na evolução dos modelos de negócio e na resiliência ao acrescentar que “empresas resilientes conseguem olhar para o mercado e reagir com transformação, seja social, cultural ou econômica, e com muita humanidade”.

Conheça mais sobre o [case da Wickbold](https://www.revistahsm.com.br/post/wickbold-combater-a-desigualdade-aproveitar-a-oportunidade) e como ela contribui para o combate à desigualdade ampliada pela pandemia.

Saiba mais sobre os principais conteúdos do Brasil sobre gestão, negócios e carreira [em nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter).

Compartilhar:

Artigos relacionados

Eleitor 70+: o valor do repertório em uma sociedade que envelhece

À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

A publicidade não disputa mais audiência. Disputa atenção.

O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo