Gestão de Pessoas

Etarismo e Hábitos de Consumo

A expectativa de vida cresceu consideravelmente, chegando a 76 anos em alguns pontos no Brasil, então: é hora de reconhecer o poder econômico e os hábitos de consumo dessa população madura e diversa, que representa uma oportunidade valiosa para os negócios.
Head da Estúdio Eixo, onde mapeia o zeitgeist para co-criar possibilidades e soluções novas e melhores, Kika é produtora, jornalista, maker e entusiasta cultural. "Porque em um mundo tão plural, não posso ser apenas uma coisa." Tem mais de dez anos de experiência adquirida com diferentes players da indústria da comunicação nas duas maiores editoras do Brasil: Editora Globo e Abril. Três anos trabalhando na Foodpass, responsável pela estratégia criativa, design de experiência e liderança de projetos com Nespresso, Renault, Ifood, BR Malls, Andorinha e Food Female, o primeiro encontro para conectar e capacitar mulheres no setor de alimentos.

Compartilhar:

Com o desenvolvimento econômico e tecnológico mundial, a estimativa de vida aumentou consideravelmente. Hoje, no Brasil, a expectativa é de 76 anos, um número que reflete os avanços na área da saúde e qualidade de vida. No entanto, essa mudança impacta em diversos aspectos da nossa sociedade, especialmente nos hábitos de consumo, e exige uma série de transformações.

Até 2050, estima-se que uma em cada quatro pessoas que vivem na Europa e na América do Norte terá 65 anos ou mais. O mundo está envelhecendo e o grande problema é que ainda não aprendemos a lidar com isso. Um dos temas mais importantes que muitos países já estão enfrentando e que tende a se intensificar é a necessidade de repensar e reconstruir a ideia sobre o envelhecimento, especialmente falando das mulheres, que são as que mais sentem o peso nos ombros.

No Brasil, já existem cerca de 37 milhões de pessoas com mais de 60 anos, e as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que em 2050 teremos cerca de 68 milhões de idosos no país. Esse número colocaria o Brasil em sexto lugar mundial no ranking de população idosa, à frente de muitos países em desenvolvimento.

Essa mudança demográfica tem impactos profundos na economia e nos hábitos de consumo do país. Hoje, as pessoas com mais de 60 anos já são responsáveis por cerca de 20% do consumo no Brasil, de acordo com o Sebrae. Esta é a geração que mais fez dinheiro na história e, consequentemente, tem um poder de compra significativo.

Porém, ainda é comum nos depararmos com pontos de vista limitantes quando falamos em pessoas maduras. Apesar de representarem boa parte da população consumidora, os mercados de consumo e propaganda ainda acreditam que esse público só está preocupado em saber de aposentadoria, produtos anti-envelhecimento e presentes para os netos, por isso é comum assistirmos comerciais estereotipados da população mais velha e apenas para produtos específicos, muitas vezes voltados para retardar ou esconder a idade.

Hoje, segundo o C. Lab, o público maduro brasileiro movimenta R$ 1,6 trilhão ao ano na economia, só no mercado online são R$ 15 bilhões. Enquanto isso, 63% dos negócios ainda têm como público-alvo os millennials e 4 em cada 10 consumidores brasileiros acima dos 55 anos sentem falta de produtos e serviços voltados para eles.

Esse tipo de exclusão, que infelizmente estamos acostumados a presenciar, se chama etarismo, ou seja, preconceito por idade. Essa é uma questão que não é observada e até mesmo entendida por muitos de nós, mas ela está aí, mais visível do que nunca, e ignorar o problema não o fará desaparecer, pelo contrário, ele se tornará cada vez maior e mais preocupante na medida em que envelhecemos e teremos nós mesmos que lidar com isso.

As mulheres sofrem ainda mais com esse tipo de preconceito, uma vez que a régua de idade para nós é ainda mais baixa. Aos 45 já nos colocam para escanteio e assumem que já não temos vontades e desejos próprios como o restante da população.

Porém, apesar de ser muitas vezes ignorada, a população madura continua existindo e comprando como nunca. Segundo nosso estudo, o Elas 45+ – que reúne dados e relatos sobre as mulheres maduras brasileiras, seus principais desafios e hábitos de consumo -, 86% da população com mais de 55 anos tem renda própria, 63% dos 60+ são provedores de suas famílias e o poder de compra da população 65+ é de 16%.

# A população 45+ não são seus preconceitos

Para desconstruir essa ideia limitada da população madura e entender seus hábitos de consumo, é necessário se livrar dos tabus e preconceitos que envolvem a velhice e passar a reconhecer os 45+ como plenamente ativos e capazes.

Esse é um público que possui hábitos mais diretos de consumo, são menos influenciáveis e geralmente sabem muito bem o que querem. Gostam e sabem que merecem o melhor, eles estão em uma fase da vida onde podem finalmente focar mais em si e se dar alguns luxos que a juventude não permitia.

Os maduros gostam de consumir produtos de qualidade e também se importam em saber de onde vem seu consumo, entendendo a procedência e os processos internos da marca. Eles querem saber de alimentos orgânicos e saudáveis, negócios sustentáveis, marcas que se preocupam com seus colaboradores e costumam valorizar a cultura local.

A comida e a bebida vêm em primeiro lugar, mas as viagens também não ficam para trás. Segundo um estudo da EGC, no futuro, os principais gastos dos consumidores entre 55 e 80 anos se concentrarão em comida, viagens e tecnologia.

Portanto, essa é uma população que costuma ser mais seletiva ao que compra e preza muito pela qualidade acima do preço. E, ao contrário do que está impregnado no imaginário popular, os brasileiros e brasileiras com mais de 40 anos não estão desatualizados e totalmente ignorantes quanto às tecnologias e lançamentos atuais.

Durante nosso estudo, ouvimos de uma das entrevistadas que os 50 são a adolescência sem ilusões, afinal de contas, a vida não acaba quando se chega aos 50 anos, pelo contrário, ela está apenas começando, é uma nova fase que se inicia, com uma série de experiências e oportunidades para serem vividas.

Está mais do que na hora das marcas olharem para isso ao invés de continuarem reforçando uma mentalidade atrasada que, além de contribuir para a exclusão da população madura, atrasa seu próprio negócio. Estamos falando de um mercado que representa a terceira maior atividade econômica do mundo, a economia prateada já movimenta U$ 15 trilhões por ano em todo o globo. É uma oportunidade gigantesca que, como sempre, quem souber aproveitar, sairá na frente.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Sua empresa tem IA – mas continua decidindo como se não tivesse

O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma – fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Meu filho não usou IA, mas me ensinou algo sobre ela

A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Se a IA não te recomenda, você não está no jogo

A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra – e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Flexibilidade não pode ser benefício

E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

IA não fracassa no modelo – fracassa no negócio

Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados – e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de maio de 2026 13H00
O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma - fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão