Tecnologia e inovação

[EVENTO] Como se adequar à LGPD e extrair valor para a sua empresa?

Em webinar, especialistas da DRZ Corporation e convidados apresentaram um passo a passo de como as organizações podem extrair valor no mercado se adequando à lei
Subeditor de digital para HSM Management e MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

Com cobertura da __HSM Management__, especialistas discutiram em webinar na quarta-feira (18) como as empresas podem aproveitar as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para o crescimento dos negócios. O encontro virtual foi promovido pela DRZ Corporation, empresa especializada em gestão de dados com escritórios no Brasil, Colômbia e Argentina.

Para quem ainda não conhece a LGPD, a [lei foi promulgada em 2018](http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm) e passou a regulamentar as atividades que coletam e tratam dados pessoais no Brasil, seja na esfera pública ou privada. Nesta __HSM Management__, aliás, [diversos artigos explicam o que é a LGPD](https://www.revistahsm.com.br/buscar?query=LGPD) e ressaltam como as organizações podem empreender de acordo com os princípios da lei.

Durante o evento, especialistas explicaram as etapas de preparação, organização e adequações das empresas diante da lei, bem como a continuidade dos processos de adequação. O primeiro movimento de uma iniciativa como essa deve, segundo os convidados do encontro, partir da alta gerência das organizações.

“Para que essa jornada tenha sucesso, é necessário um sponsor da alta gerência, um envolvimento total. Por se tratar de uma adequação legal, regulatória, é necessário que tenha o engajamento da alta direção, conforme você direcione os esforços para ter o melhor controle do processo de adequação à lei”, explicou o data protection officer da Beneficência Portuguesa, Eduardo Nicolau.

Dessa forma, para que o processo de adequação à lei não fique somente nas mãos dos profissionais de TI e de segurança dos dados, a alta gerência precisa apoiar e controlar os seguintes procedimentos na etapa de planejamento e organização:

__1.__ Formação de um comitê jurídico que inclua stakeholders da área de TI, segurança da informação e gestão do negócio;

__2.__ Agrupamento da legislação do setor em que seu negócio está inserido, além do texto da LGPD;

__3.__ Identificação dos diversos papéis dos titulares dos dados na organização;

__4.__ Realização de inventários de segurança, de TI e de governança de dados;

__5.__ Analise da qualidade dos dados dos titulares da organização;

__6.__ Apuração e registro das atividades de tratamento e inconformidades da primeira etapa.

## Processo de adequação

A segunda etapa consiste na adequação à LGPD em si, e passa por criar uma solução única e centralizada. Normalmente, as empresas adequam os contratos com colaboradores, fornecedores e outros parceiros de negócio, sem olhar para a LGPD ou utilizando a lei nacional mais importante na regulamentação dos dados pessoais como último estágio do processo de adequação.

No entanto, para que haja uma concordância com as normas, é precisa ter um esforço mais amplo, olhando as diversas legislações de maneira complementar e integral à LGPD.

“Hoje, o que está em alta é a LGPD. Só não podemos esquecer que muitos setores também têm outras regulações e é extremamente importante não criar um departamento de LGPD apartado das outras regulações, pois existem comunicações entre elas. Você pode maximizar e otimizar o que está sendo feito. Ou seja, tratar a LGPD como mais um item de privacidade. Não olhar como um projeto apartado ou setorial”, ressaltou Delmar Assis, CEO da DRZ Corporation.

Além disso, é preciso ter uma atenção com os dados estruturados e não estruturados, virtuais e físicos: “é importante também conhecer e mapear todos os seus dados. O que tenho visto é que as empresas estão focando primeiro nos dados do universo digital. Algumas organizações têm uma base muito sólida do titular no formato digital, mas ainda têm um legado ou processos manuais feitos no bom e velho papel. Então, o que deixo de ressalva é: não deixe de tratar o dado do papel”, acrescentou Eduardo Nicolau.

Além disso, na segunda de adequação, as empresas precisam se adequar à lei seguindo os seguintes passos:

__1.__ Realização de uma análise de risco e de prioridade nas inconformidades encontradas;

__2.__ Criação de uma estrutura de governança de dados pessoais; determinar também uma responsabilidade sobre essa estrutura;

__3.__ Mapeamento dos dados pessoais da organização e confirmar as informações com o data discovery (filtragem e otimização da coleta de dados);

__4.__ Rastreamento de todas as integrações sistêmicas da organização, na ótica do compartilhamento de dados;

__5.__ Exploração de recursos de alta tecnologia para garantir a qualidade dos dados que serão entregues aos titulares dos dados (pessoa física);

__6.__ Crição de um processo cíclico de reavaliar procedimentos e operações, de preferência de maneira automatizada e auditada porque a lei pode ser alterada, principalmente de forma setorial.

## Continuidade do projeto

Por um lado, todas as empresas que trabalham com dados pessoais de clientes meio ou finais precisam se adequar, de acordo com o seu setor, à LGPD. No entanto, as dinâmicas setoriais, com as inúmeras inovações tecnológicas e as mudanças no mercado digital, podem provocar alterações da LGPD de médio e até de longo prazo.
Assim, como destacou Delmar Assis, a etapa da continuidade observa e registra as mudanças da lei, desde portabilidade, multas, auditorias, etc: “estamos diante de uma meta de transformação da lei. E a gente vê, por exemplo, que as multas são muito pesadas (para as empresas). O tempo de adequação que a lei garante pode ser longo, mas, por exemplo, muitas empresas fizeram fusões recentemente e não têm um processo centralizado. Além disso, as organizações precisam ter esse processo auditado internamente e, se possível, auditado externamente, para ver se há pontos de vulnerabilidade na adequação”.

Assim, a terceira etapa do processo envolve:

__1.__ Criação e aplicação de programa de treinamento sobre privacidade e proteção de dados;

__2.__ Realização de ciclo PDCA dos processos de integralidade, confiabilidade, temporalidade e de governança da privacidade dos dados;

__3.__ Ações para refinar os acordos de níveis de serviços (os SLAs, em inglês) sobre a solução central da privacidade dos dados;

__4.__ Evitar surgimento de silos de informação sobre privacidade;

__5.__ Revisão e registro das operações de tratamento de forma contínua;

__6.__ Realização de auditorias internas e externas de forma periódica.

“Nós sabemos que mais 63% dos incidentes de segurança cibernética nas empresas são causados por uma má ação, ou uma ação sem conformidade, dos colaboradores. Assim, os incidentes de segurança começam por uma atitude interna e, no trato do dado pessoal, isso não vai ser diferente. Um vazamento, uma exposição indevida que causa constrangimento para um ou vários titulares começa, muito provavelmente, por uma manipulação inoportuna ou inexperiente de alguns colaboradores. Então é importante que essa conscientização aconteça continuamente”, destacou, por fim, Eduardo Nicolau.

*Gostou do artigo? Saiba mais regulamentação digital e gestão de dados assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

O que CEOs e CFOs realmente avaliam nas reuniões de orçamento

Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo