Tecnologia e inovação
Oferecido por:

[EVENTO] Transformação digital e impacto nos modelos de negócio

Digitalização e sustentabilidade podem gerar novos modelos de negócio se as empresas tiveram como propósito a criação de cadeia de valor para os clientes
Subeditor de digital para HSM Management e MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

A transformação digital pode gerar inovação nos modelos de negócio? A pergunta complexa e objetiva foi o foco do webinar *Transformação Digital: modelos de negócios de inovação*, realizado no dia 2 de setembro pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Na esteira das mudanças contemporâneas, o *Manual de Oslo*, um dos principais guias de inovação e editado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), classificou a inovação em modelos de negócio como uma referência de inovação global em sua quarta e última edição (2018).

A compreensão do conceito, no entanto, é mais ampla do que parece numa primeira leitura. Para a OCDE, esse tipo de inovação precisa estar articulado com a proposta de criação de cadeia de valor que uma empresa é capaz de estruturar de acordo com as suas entregas e o relacionamento com os seus consumidores.

E, para gerar essa cadeia de valor, a sustentabilidade e a transformação digital são pontos fundamentais para orientar os investimentos das organizações. São consideradas, atualmente, as principais forças de inovação dos modelos de negócio para o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ruy de Quadros Carvalho, doutor em economia do desenvolvimento pela University Of Sussex.

No evento, Carvalho explicou que as duas – transformação digital e sustentabilidade – precisam caminhar juntas nos processos de inovação em modelos de negócio. Isso porque, enquanto a primeira ocorre de maneira rápida e difusa, a sustentabilidade é mais lenta pois provoca mudanças profundas na cultura e na cadeia de valor das organizações.

## Investimento em transformação digital

Fenômeno amplo, a transformação digital incorpora desde a nanotecnologia até a construção de um aparato digital capaz de capturar, monitorar e analisar milhões de dados extraídos de inúmeras soluções, em especial de inteligência artificial, computação em nuvem e internet das coisas (IoT).

Nesse sentido, a relação entre as tecnologias da indústria 4.0 e a inovação nos modelos de negócio está na capacidade das empresas conseguirem renovar ou criar proposta de valor para os clientes. Em outras palavras, as organizações podem inovar em seus modelos de negócio ao investirem e utilizarem tecnologias disruptivas em praticamente todos os seus processos internos e externos, tendo como objetivo gerar valor de curto e longo prazos para os seus consumidores.

“Diferentemente de pensar em inovação tecnológica de um produto e de processos, a transformação digital tem um potencial mais amplo. Ela tem o poder de integrar, em um modelo de negócio inovador, a digitalização de produtos, serviços, processos do negócio, relações com os clientes e parceiros, além da própria organização e a cultura da empresa”, destacou Carvalho.

## Olhar estratégico da sustentabilidade

Além da transformação digital, como identificar o potencial da sustentabilidade na hora de aplicar inovação num modelo de negócio? Ocorre que vários elementos da transformação digital estão integrados com o conceito e com as práticas de sustentabilidade.

A transformação digital favorece, por exemplo, a desmaterialização de milhares de bens de consumo, tendo em vista que as empresas e os clientes priorizam o uso no lugar da posse de serviço e produtos. Também passaram a acessar bens que antes estavam na forma física e hoje ou já foram ou estão sendo digitalizados.

Outro exemplo é a digitalização do rastreamento de produtos, embalagens e outros materiais, além da aplicação de soluções inteligentes nos processos de reciclagem e remanufatura, fortalecendo a economia circular.

E essa relação com a sustentabilidade vai além. A transformação digital está diretamente vinculada com iniciativas de experimentação rápida, aplicando ativos sustentáveis em P&D e em manufatura aditiva (impressão 3D), por exemplo.

## Referências de inovação

No Brasil, há diversos exemplos de empresas que conseguiram somar sustentabilidade e transformação digital em seus produtos e processos e, a partir disso, estão começando a gerar modelos de negócio inovadores. A Votorantim, por exemplo, investiu na digitalização de processos discretos e soluções tópicas. A Vale, por sua vez, procurou digitalizar processos e produtos mais críticos, visando a sustentabilidade e a segurança.

Por outro lado, Petrobras, Natura e Embraer foram mais ambiciosas na proposta de inovação dos modelos de negócio, indo além da digitalização de produtos e processos, incorporando iniciativas 100% digitais e prioritariamente sustentáveis em seus ecossistemas de negócios.

Do ponto de vista de maturidade desse tipo de proposta, algumas empresas brasileiras e internacionais são referências: Weg, Grupo Fleury e Bosch. “Essas empresas estão num estágio em que geração de novos modelos de negócio estão incorporadas na estrutura, na forma de atuação, pois os modelos foram testados e estão gerando produtos”, afirmou Ruy de Quadros Carvalho.

## Caminhos da excelência em inovação

Embora não haja uma regra para que empresas possam alcançar o mesmo nível de inovação da Bosch, Weg e Grupo Fleury, o pesquisador da Unicamp apresentou um tripé que pode servir como guia para que as organizações reavaliem seus modelos de negócios a partir da perspectiva de transformação digital e sustentabilidade.

__1. Desenho organizacional específico__

Levar em consideração a criação de um desenho organizacional direcionado especificamente para a inovação do modelo de negócio. A Embraer, por exemplo, decidiu criar spin-off e a Bosch montou um hub global com foco em transformação digital e ecossistema de startups.

__2. Engajamento corporativo com startups__

O relacionamento mais próximo e construtivo com startups é outro elemento da inovação em modelos de negócio. Os processos de inovação aberta podem ocorrer por meio de investimento em corporate venture capital, venture builder ou com auxílio de incubadoras internas ou externas.

__3. Apoio e envolvimento do board e c-level__

Por fim, a direção da empresa precisa ter uma visão clara, tanto do líder quanto do conselho de administração, sobre a geração de um modelo de negócio inovador, sustentável, digitalizado e gerador de valor para os consumidores.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução