Diversidade

Fale para o seu time que está tudo bem

Se você também está em um papel de liderança, nunca esqueça de dizer isso para o seu time: está tudo bem. Talvez seja isso que eles precisam escutar em um momento delicado.
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Esses dias uma pessoa da minha equipe nos contou que está grávida. Onde eu trabalho o nascimento de bebês é motivo de grande alegria e ficamos todos muitos felizes por ela. Eu, pai que sou, nem disfarcei a minha empolgação. Sempre falo pra todo mundo que ser pai foi o melhor e mais desafiador momento da minha carreira.

Quando nasceu a minha pequena, tanto o meu gerente quanto a empresa foram sensacionais. Eu tive quatro meses de licença paternidade e o total apoio do meu líder. Ele me deu muita flexibilidade para usar esse período como eu quisesse e fez uma coisa que mostrava bem o bom líder que ele é: deixou claro que essa pausa não iria interferir na minha carreira, nos meus projetos e nem no meu crescimento.

Contudo, eu sei que isso não é a reação comum no mercado. Longe disso. Ainda temos muito preconceito – velado ou não – para quem embarca nessa jornada.

Principalmente para as mulheres.

Por isso fiz questão de dizer duas coisas para a futura mamãe do meu time: que eu estava muito feliz pela notícia e pela chegada de um novo pequeno no nosso time e que ela está em uma das melhores empresas do mundo para se ter um filho.

Eu queria que ela escutasse de mim, o líder do time, que está tudo bem. Depois, fui além. Em uma conversa sobre o seu futuro disse que sua carreira nunca seria prejudicada por isso, que ela poderia ter o seu pequeno em paz e saber que, quando voltar, vamos recebê-los de braços abertos.

Por que eu fiz isso?

Porque, como contei, já estive do outro lado dessa história em menores proporções e sei que o mercado é cruel com as novas mães. Se você é uma, com certeza sabe do que estou falando. A demissão na volta da licença maternidade, as perguntas indiscretas sobre filhos nas entrevistas e a remoção de cargos/responsabilidades porque agora você é uma mãe.

E o mercado não é apenas cruel com as novas mães, ele é cruel com qualquer circunstância que o tire da grande ilusão do funcionário “perfeito” e presente o tempo todo.

Esses dias me escreveu uma pessoa que não sabia o que fazer ou como falar com o seu gerente. O motivo? Ele foi diagnosticado com depressão e ia começar um tratamento que envolveria ficar um tempo fora. Estava absolutamente apavorado em ter que abrir a história para a empresa e sofrer algum tipo de retaliação ou até mesmo ser demitido mais para frente.

Quando eu perguntei porque ele achava que isso poderia acontecer, não sabia me dizer. Falamos um pouco e ele me contou alguns casos em que a empresa foi bem parceira em situações parecidas e ofereceu todo o suporte necessário. Contudo, não sabia se o mesmo aconteceria com ele e o pensamento em perder o emprego o apavorava.

É aqui que entra o papel do líder.

Diga para o seu time que está tudo bem.

Seja pela boa notícia de que um novo membro da família vai chegar, pelo infortúnio da doença ou qualquer outro evento inesperado (ou não) da vida. Quando isso acontecer com alguém do seu time, seja o primeiro a chamar a pessoa para uma conversa e diga que está tudo bem. Explique quais os prováveis cenários que podem acontecer e como vocês estão do lado dele nessa jornada.

Escutar isso da boca do líder do time não é apenas reconfortante, pode ser a força, alívio ou palavras necessárias para passar por aquela fase.

Eu tive um líder que fez isso comigo, hoje faço isso com minha equipe e espero o mesmo de qualquer gerente que esteja no meu time. Quero que todos saibam que está tudo bem, que somos um time e estamos juntos para o que der e vier.

Se você também está em um papel de liderança, nunca esqueça de dizer isso para o seu time: está tudo bem. Talvez seja isso que eles precisam escutar em um momento delicado.

O seu time nunca esquecerá disso.

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo