Sustentabilidade

Fhinck é a vice-campeã

Essa startup de robôs tem como clientes mais de 30 grandes empresas de diversas indústrias, como Accenture, Unilever, Itaú e Atento, e começa a se internacionalizar

Compartilhar:

Robôs instalados nos computadores das empresas que analisam tempos e movimentos dos funcionários com os sistemas corporativos para identificar oportunidades de aumento de produtividade nas operações de escritórios e back-office. Essa é a contribuição que a Fhinck | Artificial Intelligence for Productivity traz ao mundo corporativo. 

A startup nasceu em 2015 no Google Campus São Paulo, fundada por Paulo Castello e Claudio Ferreira, que contaram com o equivalente a US$ 120 mil de capital inicial, vindos da aceleradora Startup Farm e de investidores anjo. 

A Fhinck tem mais de 30 grandes empresas de diversas indústrias utilizando sua tecnologia , tais como Accenture, Unilever, Itaú, Atento, Oncoclínicas, Assaí, EMS e Interfile, e alguns clientes a adotaram em unidades do México e do Peru, o que marca o início de sua internacionalização. E tudo isso é feito apenas com nove funcionários.

Além disso, a startup estabeleceu parcerias estratégicas com grandes consultorias, que utilizam sua tecnologia para identificar oportunidades para robotização de processos nos clientes – como Accenture, PwC, EY, KPMG, Totvs, Falconi, Everis, Elo Group, IEG, como conta o cofundador Paulo Castello, que concedeu entrevista à HSM Management.

**FATOS E NÚMEROS**

* Fundada em 2015
* 9 funcionários
* US$ 120 mil de investimentos
* 1º lugar na categoria produtividade

**QUE PROBLEMA VOCÊS RESOLVEM PARA AS EMPRESAS?**

Descobrimos, de modo automático, onde há oportunidades de aumentar a eficiência operacional nas atividades realizadas em todos os departamentos de uma empresa e fora dela, com fornecedores externos. Fazemos isso com softwares instalados nos computadores, que permitem acompanhar a navegação dos usuários em suas relações com grandes empresas – seja de fornecimento, parceria, participação na capital, mentoria de executivos etc.

**QUAL É SEU MAIOR DIFERENCIAL?**

Creio que é o uso de algoritmos proprietários de inteligência artificial para identificar tempos e movimentos na navegação dos usuários em suas relações com outras empresas – seja de fornecimento, parceria, participação na capital, mentoria de executivos etc. 

**COMO A STARTUP NASCEU?**

A Fhinck nasceu da experiência dos fundadores, que eram executivos de grandes multinacionais e especializados em otimização de processos. Nossa maior dor era fazer o mapeamento de todos os processos da organização. Era muito custoso, lento e ineficiente alocar uma equipe interna ou consultoria externa para mapear as coisas. Era preciso entrevistar cada funcionário para saber como realizam as tarefas do dia a dia. Demorava tanto que, ao final do mapeamento, os processos já haviam mudado, os dados das entrevistas eram contestados. E a equipe de processos que deveria ter como prioridade pensar nas soluções gastava a maior parte do tempo entrevistando as pessoas e reunindo os dados. 

Como não havia soluções no mercado que atacassem esse problema, resolvemos montar a startup para oferecê-las. Afinal, todas as empresas estão cada vez mais pressionadas a fazer mais com menos.

Nossos primeiros passos foram montar um protótipo e colocar para testar em clientes potenciais em janeiro de 2015. Como éramos ex-executivos de multinacionais, já possuíamos um networking, que foi utilizado na época para instalar o protótipo e entender se a solução fazia sentido e gerava valor para potenciais clientes. Após oito meses de protótipo rodando em algumas empresas, e com resultados interessantes em termos de dados extraídos e potenciais insights para identificar oportunidades de otimização de atividades, procuramos uma aceleradora de startups para validar se estávamos no caminho certo. Ao final da aceleração, recebemos prêmio de “startup mais inovadora” no demo day realizado na Future.com [um dos maiores eventos de tecnologia e telecom da América Latina]. 

Nesse momento, resolvemos iniciar o planejamento para começar as vendas. Parte da estratégia era sermos selecionados para residir no Cubo, pois durante a aceleração, que ocorreu no próprio Cubo, percebemos um fluxo grande de grandes executivos de multinacionais visitando o local diariamente. Nessa mesma época começamos a nos relacionar com a Accenture, que estava montando uma diretoria de inovação aberta e que, como a maior tercerizadora de serviços do mundo, era nosso cliente-alvo ideal para começar. Em junho de 2016, fechamos um contrato global com eles para instalar nossa tecnologia nas operações deles e começamos efetivamente a comercializar a Fhinck no mercado. 

Foi importante nesse caminho termos tido mentorias engajadas de tecnologia, produto e gestão (Google), de business (Wayra, Cubo e Accenture) e de direito para startups (escritório Tozzini & Freire).

**QUAIS AS PRINCIPAIS DIFICULDADES ENCONTRADAS?**

As principais dificuldades iniciais foram:

• Grandes empresas no Brasil não sabiam direito o que era uma startup e, mesmo gostando da nossa solução e tendo orçamento, não conseguiam contratar a Fhinck porque seus processos internos previam que apenas fornecedores de “peso” fossem aceitos – com histórico, outros clientes, balanço dos últimos três anos, certificação ISO, que tivessem disaster recovery plan e business continuity plan, cujo contrato com aquele cliente não representasse mais que 10% do faturamento etc. 

Como uma startup não tem nada disso, claro, levamos bastante tempo para conseguir os primeiros clientes, que tiveram de mudar seus processos internos – em alguns casos, o próprio C-level teve de assumir o risco junto às áreas jurídicas, segurança da informação, compras em uma decisão top-down, mandando simplificar os processos para que pudessem contratar a Fhinck.

Encontramos também dificuldades no crescimento: 

• As leis e a burocracia brasileira são uma fórmula perfeita para fazer startups morrerem. Desde encargos trabalhistas que não incentivam a criação de novas vagas até as confusões de bitributações para empresas de tecnologia que usam software como serviço – Estado e município não se entendem e querem todos tributar a empresa, além de punirem a empresa que ainda não tem receita. 

• O acesso a investimento de risco no Brasil é escasso, as linhas de financiamento do governo são burocráticas e lentas e o acesso a crédito para startups é inexistente.

**VOCÊS PIVOTARAM?**

Sim. A Fhinck não nasceu como uma empresa de inteligência artificial; era para ser um timesheet automático. Quando os primeiros dados e análises começaram a ser produzidos na etapa de protótipo, percebemos que não devíamos ser uma empresa de software e sim de big data – e com muitas mentorias descobrimos que nossa vocação era inteligência artificial. 

A evolução é contínua. Éramos vistos como um instrumento de eficiência operacional e hoje o mercado começa a nos enxergar também com uma empresa de RH, pois os dados que extraímos permitem análises profundas de people analytics. 

**QUE FUTURO VOCÊS VISLUMBRAM?**

Em 2018 queremos quadruplicar o faturamento de 2017; o número de grandes clientes aumentou dez vezes do início até junho de 2018. Também começamos a internacionalização, e a expectativa é que já tenhamos clientes em mais de cinco países até o final de 2018.

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 08H00
Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 18H00
Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

17 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 13H00
Sua empresa tem um lab de inovação, patrocina hackathon e todo mundo fala em "mindset de crescimento". Mas o que, concretamente, mudou no seu modelo de negócio nos últimos dois anos?

Atila Persici Filho - CINO da Bolder e Professor FIAP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 07H00
Este artigo mostra como empresas de todos os portes podem acessar financiamentos e subvenções públicas para avançar em inteligência artificial sem comprometer o caixa, o capital ou as demais prioridades do negócio.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de abril de 2026 14H00
Em um mundo onde algoritmos decidem o que vemos, compramos e consumimos, este artigo questiona até que ponto estamos realmente exercendo o poder de escolha no mundo digital. O autor mostra como a conveniência, combinada a IA, vem moldando nossas decisões, hábitos e até a nossa percepção da realidade.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de abril de 2026 08H00
Organizações recorrem a parcerias estratégicas para acessar tecnologia e expertise avançada, como a implantação de plataformas ERP em poucas semanas

Paulo de Tarso - Sócio-líder do Deloitte Private Program no Brasil

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de abril de 2026 15H00
A era da produtividade limitada pelo horário terminou. Enquanto ainda debatemos jornadas e turnos, a produtividade já opera 24x7. Este artigo questiona modelos mentais e estruturais que se tornaram obsoletos diante da ascensão dos agentes de inteligência artificial.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
27 de abril de 2026 07H00
Com a nova regulamentação prestes a entrar em vigor, saúde mental, riscos psicossociais e gestão contínua deixam de ser discurso e passam a integrar o centro das decisões corporativas.

Natalia Ubilla - Diretora de RH do iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de abril de 2026 15H00
Da automação total às baterias do futuro, ao longo do festival em Austin ficou claro que, no fim das contas, a inovação só faz sentido quando melhora a vida e o entendimento das pessoas

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura
Empreendedorismo
26 de abril de 2026 10H00
Este artigo propõe um novo olhar sobre inovação ao destacar o papel estratégico dos intraempreendedores - profissionais que constroem o futuro das empresas sem precisar abrir uma nova.

Tatiane Bertoni - Diretora da ACATE Mulheres e fundadora da DataforAll e SecopsforAll.

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão