Cultura organizacional

Futuro da contratação: como manter o processo humanizado na era digital

Ainda que mais tecnologias sejam adotadas nas rotinas, os recrutadores sempre vão priorizar o elemento humano em uma contratação
Felipe Calbucci é diretor de vendas do Indeed no Brasil.

Compartilhar:

Ao longo do tempo, a tecnologia tem ajudado a facilitar a vida das pessoas. Tornou-se uma aliada no dia a dia, proporcionando inúmeros benefícios, principalmente quando se trata de identificar e contratar o candidato ideal para uma vaga de emprego.

Antes da pandemia de covid-19, na maioria das vezes, apenas processos seletivos presenciais eram considerados uma possibilidade, algo que já está mudando. Agora, muitas empresas estão atualizando seus métodos e implementando em sua cultura processos virtuais de entrevista e contratação. Ainda assim, essa não é a única tendência a ser observada com o avanço da tecnologia, muitos recursos estão surgindo para ajudar na busca por candidatos, filtrar currículos e encontrar uma pessoa que realmente corresponda à descrição da vaga.

Vale destacar que é sempre vantajoso considerar novas ferramentas e funcionalidades, mas também é importante preservar os aspectos que mantêm esse processo mais humanizado. O que não significa retomar unicamente o método de contratação presencial, mas, sim, incorporar tecnologias eficazes como aliadas e assim encontrar um ponto de equilíbrio de forma a oferecer oportunidades justas aos candidatos, sem abrir mão do aspecto mais importante: o contato humano. Mas como a tecnologia mudará o futuro dos processos seletivos? Para responder a essa pergunta, é importante considerar algumas questões principais.

## As máquinas vão substituir os humanos?
Na fase de recrutamento, a tecnologia e a inteligência artificial (IA) podem ser incrivelmente benéficas, pois têm a capacidade de conectar e encontrar um grande número de candidatos, das mais diversas regiões, inclusive fora do País. Além disso, a IA ajuda a filtrar algumas candidaturas e a procurar as que mais correspondem com a descrição do cargo, o que melhora consideravelmente a tarefa de encontrar e contratar pessoas.

Entretanto, o processo como um todo ainda exige um olhar humano do início ao fim, visto que nem sempre a tecnologia por si só consegue ajudar a selecionar o melhor candidato para cada vaga, simplesmente pelo motivo de existirem detalhes e particularidades que as máquinas ainda não são capazes de reconhecer.

E, mesmo na rodada inicial de entrevistas, é fundamental que os candidatos conheçam a equipe e tenham a possibilidade de se apresentar e descrever suas trajetórias profissionais e acadêmicas com mais detalhes, indo além do que é apenas apresentado no currículo. Essa é a chance do candidato conseguir impressionar a empresa e vice-versa, considerando que muitas pessoas podem ter outras características interessantes, que não estão descritas no currículo, e que podem ser um fator determinante para que sejam contratadas.

No fim das contas, a abordagem mais humanizada junto com a interação, mesmo que apenas virtual, demonstra que a empresa valoriza o contato e é capaz de reconhecer o candidato não só por um robô assistente, mas também pelo elemento certo que dá ainda mais precisão ao processo.

## Pensando fora da caixa
Investir em tecnologias de automação pode ajudar a acelerar os processos seletivos de empresas que precisam contratar de forma rápida para acompanharem as mudanças que estão ocorrendo na era digital. Isso permite que os recrutadores se concentrem no que fazem de melhor: fazer conexões humanas, economizando tempo e melhorando a experiência de cada candidato.

Pensar no futuro das soluções voltadas à contratação pode ser algo instigante, e embora também seja um desafio navegar pelas incertezas e mudanças constantes, os líderes de talentos podem ter um grande impacto no futuro de suas empresas, simplesmente por acompanhar as novidades que estão reformulando o setor, investindo em ferramentas que agilizam o processo de contratação e criando estruturas e culturas que incentivem a inovação e as pessoas por trás disso.

## Potencial para ir além
À medida que mais empresas procuram recrutar e reter talentos, atraí-los se tornou um aspecto cada vez mais significativo da contratação. E, nessa perspectiva, medir o potencial dos candidatos é altamente relevante, pois pode ser usado para avaliar como seria o futuro daquele funcionário na organização, se eles se adaptariam, se poderiam dar novas ideias e ir além, ou aprender novas habilidades e conhecimentos no trabalho.

Para essa análise, os principais quocientes considerados são: o de inteligência (QI), que avalia as habilidades cognitivas; o emocional (QE), também conhecido como inteligência emocional (IE); e o quociente de adaptabilidade (QA), que leva em consideração a vontade e a capacidade de aprender, adaptar e desenvolver novas habilidades.

Embora o QI e o QE sejam avaliados há décadas, o quociente de adaptabilidade também está em evidência. Quando recrutadores visam um alto QA, eles procuram pessoas capazes de agregar à empresa, e isso não apenas expande sua rede de talentos, mas também ajuda com a retenção.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro da liderança passa pelas mulheres

As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Liderança, Estratégia
7 de julho de 2026 14H00
Entre Polônia e Brasil, teatro e negócios, cultura e estratégia, a autora propõe uma reflexão instigante sobre pertencimento, inteligência cultural e a capacidade, cada vez mais rara, de pensar com independência em um mundo saturado de narrativas.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

15 minutos min de leitura
Liderança
7 de julho de 2026 08H00
As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Luiza Helena Trajano - Presidente do Conselho do Magazine Luiza e Presidente do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
6 de julho de 2026 16H00
Enquanto o networking superficial busca visibilidade, as conexões que realmente transformam carreiras nascem da credibilidade construída em projetos, desafios e relações pautadas pela confiança.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
6 de julho de 2026 09H00
Com a aceleração da inteligência artificial e a explosão de conteúdo, a liderança passa a exigir menos consumo de informação e mais capacidade de interpretar tendências, conectar contextos e tomar decisões em meio à complexidade.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
ESG
5 de julho de 2026 14H00
O maior risco do ESG não está no “E” nem no “S”, mas na fragilidade da governança que deveria sustentar ambos. Este artigo mostra como a NBR ISO 37301 ajuda organizações a transformar ética, compliance e gestão de riscos em evidências concretas de maturidade ESG.

Fernando Palamone - CEO da RT-One

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
5 de julho de 2026 09H00
Enquanto as marcas continuam disputando atenção nos feeds, as conversas que realmente influenciam percepções e decisões migraram para espaços mais fechados e menos visíveis. Este artigo mostra por que o futuro da relevância pode estar justamente onde os algoritmos não alcançam.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

4 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
4 de julho de 2026 14H00
A Psicologia Positiva desafia uma crença comum nas organizações: a de que líderes geram resultados principalmente corrigindo falhas. A ciência sugere outro caminho, fortalecer aquilo que já funciona para ampliar desempenho, engajamento e resiliência.

Valter Bahia Filho - Autor, palestrante e consultor educacional

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de julho de 2026 08H00
A partir de casos reais do agronegócio, este artigo mostra por que decisões baseadas em análises isoladas tendem a falhar e como a integração de múltiplas variáveis pode transformar a gestão de risco, dentro e fora do campo.

Kallil Chebaro - CEO e Head de Produto na Agscore

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth
3 de julho de 2026 15H00
Se o cliente já sabe tudo, o que ainda falta ao vendedor? Este artigo mostra como a tecnologia expôs o vendedor despreparado e como isso mudou o jogo das vendas.

Mari Genovez - CEO da Matchez

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Comunicação, Estratégia
3 de julho de 2026 08H00
Se a sua mensagem interna viralizar amanhã, você sustentaria o que disse?

Ana Paula Soares - Fundadora e diretora-geral da Encaso Assessoria

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo