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Futuro no agora: negócios conscientes, responsáveis e humanizados

No pós-pandemia, clientes esperam consumir apenas marcas com propósitos claros, que respeitem os princípios ESG e valorizem modelos de trabalho humanizados
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

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Em todo início de ano, consultorias de gestão ou macroeconomia produzem estudos sobre tendências para o novo ciclo ou para a próxima década. No entanto, após o inesquecível ano de 2020, este exercício de futurismo exigiu mais do que apenas um toque de ousadia ou criatividade por parte dos pesquisadores. Defronte a um cenário ainda tão incerto, projetar o que dará certo quanto a inovações em negócios nos próximos anos parece tão arriscado quanto apostar todas as suas economias na loteria.

Ainda assim, muitos desses relatórios apresentaram pontos de intersecção impossíveis de serem ignorados pelos negócios, três deles que merecem atenção especial: o peso do propósito das marcas, a mudança no comportamento de consumo dos clientes e os modelos de trabalho flexíveis.

Segundo a pesquisa *[10 Principais Tendências Globais de Consumo 2021](https://go.euromonitor.com/white-paper-EC-2021-Top-10-Global-Consumer-Trends-PG.html)*, publicada pela Euromonitor International, no mundo pós-pandemia, o ativismo de marca ganhou um novo significado social, forçando empresas a priorizar ações sociais e auxiliando no desenvolvimento de produção e estilos de vida mais sustentáveis. O estudo mostrou que 69% dos profissionais esperam que consumidores se importem mais com a sustentabilidade do que antes da Covid-19; já 73% acreditam que iniciativas de sustentabilidade são essenciais para o sucesso das marcas.

Na mesma linha, estudo realizado pelo Instituto Akatu e GlobeScan, *[Vida Saudável e Sustentável 2020: Um Estudo Geral de Percepções do Consumidor](https://www.akatu.org.br/noticia/vida-saudavel-sustentavel-2020/)*, mostrou que mais de 80% dos consumidores esperam que as empresas sejam transparentes quanto aos impactos causados por seus processos produtivos na comunidade, sejam eles de ordem ambiental, política, econômica ou social, assim como mais de 60% aguardam que as corporações estabeleçam metas para tornar o mundo melhor.

Para o especialista em [transformação digital](https://www.revistahsm.com.br/post/transformacao-digital-pilares-e-fatores-criticos-de-sucesso) e vice-presidente de midmarket na SAP Brasil, Mario Tiellet, esses dados são correlatos às características identificadas nos negócios mais preparados para o futuro, uma vez que, acima de tudo, são companhias que têm de forma muito clara quais são os seus propósitos: “o lucro pelo lucro já não é a única variável agregadora de valor, o foco das novas empresas engloba mais do que o lucro, está também na experiência, na resolução do problema do seu cliente, na sustentabilidade do seu negócio, na produção econômica e ecologicamente viável”.

Ainda de acordo com Tiellet, por mais que estejamos todos pensando no modelo de negócio mais bem-sucedido para os próximos anos, o consumidor de hoje tem valores fortes e confiará apenas em marcas que estejam alinhadas ao que ele acredita.

## Consciência é ponto de partida
Chega de discurso bonito, mas pouca prática – é o que representa os dados do *[Relatório Varejo 2021](https://www.adyen.com/pt_BR/blog/relatorio-varejo-2021-analisa-comportamento-consumidor-brasileiro-no-pos-pandemia#:~:text=Relat%C3%B3rio%20Varejo%202021%20desvenda%20o%20consumidor%20brasileiro%20no%20p%C3%B3s%2Dpandemia,-Com%20uma%20pesquisa&text=Estima%2Dse%20que%20entre%20os,empresas%20adotaram%20o%20home%20office.)*, publicado pela Adyen. Com a pandemia, o consumo consciente e ético tornou-se fator decisivo para os brasileiros, seja porque a marca demonstra compromissos financeiros transparentes, realiza ações com comunidades, dependem da economia local ou respeitam o meio ambiente e o bem-estar dos colaboradores. São empresas que deixaram de gerar valor apenas para shareholders; agora, evoluíram para o capitalismo de stakeholders, em que todos os públicos devem ser atendidos.

Para Tiellet, são dados que resumem a filosofia ESG na prática, isto é, que decisores dos negócios levem em conta critérios ecoambientais (E), sociais (S) e de governança corporativa (G) para qualquer movimentação. No mundo, o patrimônio de fundos com viés ESG chega a US$ 1 trilhão, segundo a Morningstar.

“Empresas que pensam apenas no lucro tradicional não vão sobreviver. É preciso aproveitar as novas matrizes econômicas e observar as mudanças do mercado para promover novas maneiras de geração de resultados e lucros. Hoje, essa geração está ligada a inovações que promovam sustentabilidade em toda a cadeia de valor em que o negócio está inserido. Mas mais do que isso, [ESG é cultura](https://www.revistahsm.com.br/post/conecte-a-sua-estrategia-de-diversidade-a-pauta-esg), é revolução e é expressão da desconfiança do público com as empresas, com os governos e com os escândalos que nos rodeiam”, explica o VP de midmarket na SAP Brasil.

Essa consciência impulsionou o lançamento do [RISE with SAP](https://www.sap.com/brazil/products/rise.html), iniciativa que possibilita empresas a realizarem a transformação digital necessária para acelerar seus negócios, serviço fornecido por meio do modelo de assinatura. Dessa forma, não importa o estágio de desenvolvimento ou a complexidade do negócio, a iniciativa visa incorporar inteligência aos processos empresariais a partir de conexão direta com o fluxo de trabalho da SAP, entre outras ferramentas e serviços.

Na ótica de ESG, é um modelo que assegura às empresas rápido retorno de valor, agilidade na tomada de decisões e flexibilidade para prosperar mesmo diante de cenários inconstantes, sem a necessidade de grandes investimentos iniciais. “Ideias como o RISE permitem que haja uma busca real para equalizarmos o conhecimento tecnológico entre companhias de portes e de regiões diversas”, amarra Tiellet.

## No comando de negócios conscientes
Mas para que o ESG seja norteador das decisões de negócios e que o propósito seja muito claro para o desenvolvimento de qualquer serviço ou produto, modelos de negócios do futuro (ou do presente!) dependem do envolvimento da liderança para incentivar a aplicação dessas diretrizes. Conforme defende o neurocientista e autor Daniel Friedland, [a liderança consiste em atos de influência](https://www.revistahsm.com.br/post/conectando-proposito-e-estrategia), principalmente aqueles em que o líder se coloca em dúvida e está pronto para avaliar o impacto que possui nos liderados.

Tiellet conta que, embora o microgerenciamento seja desprezado hoje, ele concorda com seu uso quando o colaborador ainda está perdido. Para ele, se faz necessário estar mais próximo até que o funcionário aprenda a voar sozinho, então, Tiellet entra como um mentor, não para cobrar tempos ou movimentos, mas conceitos, propósitos e responsabilidades.

“O líder das empresas pertencentes ao ‘Futuro do Agora’ precisa ser fantástico em três pilares: Execução, em que há uma disciplina para absorção e atualização de conhecimento, resiliência e pragmatismo fortes; Comunicação, pois é fundamental se comunicar com o time, saber delegar, ser respeitoso, passar feedbacks; e Emoção, momento em que líder precisa acessar o colaborador porque é sua responsabilidade deixar a pessoa mais sã possível para produzir mais”, explana.

Nesse mesmo tema, ainda de acordo com Daniel Friedland, as pessoas acolhem o que elas mesmas criam, e colaboração é chave em todo desenvolvimento de negócios do futuro. Em concordância com o neurocientista, Tiellet destaca que, para além da produção de resultados e de negócios que foquem no ESG, empresas que já apresentam um mindset preparado para os desafios do futuro são aquelas que valorizam e desenvolvem as pessoas.

“Entretanto, esses colaboradores não são aqueles que esperam tudo das empresas, conhecimento, remuneração, possibilidades. São pessoas que entendem o ‘brand of me’ como essencial, que buscam o próprio desenvolvimento, trabalham por projetos e inovações, têm a mentalidade disruptiva e estão prontas para dividir a responsabilidade e fazer diferente. Muitas vezes, até abandonar processos e recomeçar”, emenda.

## Há espaço para saúde?
Embora pareça difícil equilibrar necessidades de consumo, demandas de stakeholders, alavancar novas matrizes econômicas e abraçar o ESG (e tudo ao mesmo tempo), o VP de midmarket na SAP Brasil afirma que as corporações não podem esquecer da [importância do cuidado mental e físico dos funcionários](https://www.revistahsm.com.br/post/o-papel-de-empresas-e-liderancas-na-saude-mental-organizacional), especialmente nesses tempos inseguros e quando a pandemia acabar.

O executivo acredita que a [liderança consciente e humanizada](https://www.revistahsm.com.br/post/lideranca-humanizada-muito-alem-do-chefe-bonzinho) neste caso deve exercer seu “poder” em 50%: “a empresa deve possibilitar recursos físicos e humanos para o colaborador se equilibrar em relação à saúde mental e criar espaços para que os funcionários possam realizar essas atividades sem pressa ou pressão por resultados. O restante dos 50% deve vir do colaborador em si, de seu protagonismo, de assumir a responsabilidade sobre seu desenvolvimento em soft e hard skills”.

Ao mesmo tempo, o executivo da SAP Brasil entende que a companhia deve criar uma zona de segurança, em que haja diálogo e que todos possam se sentir acolhidos em momentos necessários. “As empresas do futuro já estão à procura de profissionais mais humanos, mais sustentáveis, mais saudáveis, sem perder a responsabilidade e preocupação com os resultados de longo prazo”, finaliza.

Essa discussão não acaba por aqui. Quer conferir mais sobre o que esperar do futuro corporativo e de modelos de negócios bem-sucedidos nos próximos anos? [Clique aqui e faça seu cadastro no evento *__Eixo exponencial – O Futuro no Agora: existe um caminho certo para os modelos de negócio?__*](https://event.on24.com/eventRegistration/EventLobbyServlet?target=reg20.jsp&partnerref=HSM&eventid=2945358&sessionid=1&key=B3C3B0AD4A22F0D95B09719707DFEEF3&regTag=&V2=false&sourcepage=register), a ser transmitido em 4 de maio, às 18h. A HSM Management é uma das parceiras do evento e estará presente nesta mesa redonda imperdível. Inscreva-se e não perca!

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