Dossiê HSM

Gaps de habilidades poderão nos fragilizar

O futuro do trabalho dos brasileiros inclui maior concorrência estrangeira, na visão das escolas de negócios
Sandra Regina da Silva é colaboradora de HSM Management.

Compartilhar:

O futuro talvez tenha uma uma péssima notícia para dar aos brasileiros: tendência como a disseminação do digital e a revolução 4.0, e maior internacionalização vão fragilizar uma boa parte dos trabalhadores, que têm pouco ou nenhum letramento em tecnologias digitais e em dados.

O gap de talentos já é brutal aqui – o Brasil perdeu oito posições no Ranking Global de Competitividade de Talentos, ocupando a 80ª colocação entre 132 países avaliados – e esse gap deve crescer, como avalia Elaine Tavares, diretora do Coppead-UFRJ. David Kallás, do Insper, descreve as três fluências que serão demandadas: (1) em dados e programação; (2) em estatística; e (3) em negócios. Isso sem falar nos cientistas de dados, que devem “ser disputados a tapa”, segundo ele.

Apesar de isso ser particularmente ruim para os trabalhadores, também não é bom para as empresas. “Sem pessoas qualificadas, elas vão ter de se mobilizar para contratar lá fora e pagar mais pelos poucos trabalhadores especializados locais”, comenta Elaine Tavares.

A possibilidade de competição com uma mão de obra estrangeira mais qualificada se tornou possível com a adesão ao trabalho remoto ocorrida durante a pandemia de Covid-19. Paulo Lemos, diretor de educação executiva da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, tem dúvidas sobre se esse movimento será definitivo. “As pessoas ficam eletronicamente dentro de caixinhas e há uma esterilização da comunicação”, avalia. Mas, pelo posicionamento público da grande maioria das empresas, o modelo de trabalho no pós-pandemia deve manter muitas funções exercidas a distância. Vale acrescentar que Lemos questiona se as empresas não estão pensando apenas no movimento tático para redução de custos e se esquecendo da estratégia da empresa.

Porém, os trabalhadores não terão dificuldades só pelos gaps de habilidade e pela potencial concorrência internacional. A provável mudança de políticas e práticas trabalhistas, para comportar o home office, deve adicionar pressão às pessoas para que adquiram habilidades rapidamente, como observa Fábio Borges, da ESPM-SP.

## O outro lado da moeda
O que é ameaça aos brasileiros também pode ser oportunidade, no entanto. Com o paradigma do trabalho remoto, nós também podemos ter uma oferta mais ampla de empregadores no mundo.
Em teoria, só a não fluência em outras línguas, sobretudo o inglês, pode ficar entre nós e o mundo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

ROA, ROE e EBITDA estão ficando obsoletos?

O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

O sucesso de ontem pode ser o maior risco do seu negócio

Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Inovação & estratégia, Finanças
11 de julho de 2026 14H00
O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

Carolina Almeida Cruz - Cofundadora e CEO da C-MORE

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de julho de 2026 08H00
Enquanto o sonho do hexa mobilizou milhões de brasileiros, outro fenômeno também ganhou força fora dos gramados. Este artigo discute como o avanço das apostas online está influenciando a relação dos jovens com dinheiro, educação e carreira, e por que empresas e líderes não podem ignorar seus efeitos sobre o futuro do trabalho.

Rodrigo Santos - Psicólogo e tutor educacional na Leapy

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
10 de julho de 2026 14h00
O futuro dos caminhões no Brasil será multienergético, e a engenharia nacional terá papel decisivo nessa transformação. Este artigo mostra por que a transição energética do transporte de cargas dependerá da combinação entre múltiplas fontes de energia, inovação tecnológica e soluções adaptadas à realidade do país.

Eduardo Oliveira - Diretor de Engenharia da IVECO para a América Latina

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
10 de julho de 2026 08H00
Da Kodak aos desafios da economia digital, a história dos negócios mostra que organizações raramente fracassam por um único erro. Elas perdem relevância quando insistem em estratégias, processos e crenças que deixaram de responder às transformações do mercado.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Inovação & estratégia, Liderança
9 de julho de 2026 15H00
O maior risco da sucessão não é a troca de comando. É deixar para depois. Este artigo mostra por que a continuidade dos negócios depende menos dos herdeiros e mais da preparação, da governança e da capacidade de construir o próximo ciclo de crescimento.

Pedro Fenati Bicalho - Sócio da FC Partners

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional, Tecnologia & inteligencia artificial
9 de julho de 2026 08H00
A inteligência artificial já consegue executar boa parte do trabalho operacional. O que ela ainda não faz é dar sentido, construir confiança e imaginar futuros. Este artigo mostra por que o verdadeiro gargalo das empresas deixou de ser tecnológico e passou a ser a forma como lideram, colaboram e tomam decisões.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de julho de 2026 15H00
A inteligência artificial deixou de ser um projeto da área de tecnologia e passou a fazer parte da rotina de todas as áreas da empresa. O problema é que, em muitos casos, sua adoção avança mais rápido do que os mecanismos de segurança, compliance e governança capazes de sustentá-la.

Rodrigo Hülsenbeck - CEO da Premiersoft

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de julho de 2026 08H00
A maior vulnerabilidade da era da IA pode não estar nos profissionais juniores, mas nos cargos criados para coordenar fluxos e transmitir informações. O que acontece quando a tecnologia passa a fazer isso melhor, mais rápido e mais barato?

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

4 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
7 de julho de 2026 14H00
Entre Polônia e Brasil, teatro e negócios, cultura e estratégia, a autora propõe uma reflexão instigante sobre pertencimento, inteligência cultural e a capacidade, cada vez mais rara, de pensar com independência em um mundo saturado de narrativas.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

15 minutos min de leitura
Liderança
7 de julho de 2026 08H00
As mulheres brasileiras nunca estudaram tanto nem estiveram tão qualificadas para ocupar posições de decisão. Este artigo discute por que a desigualdade de representação persiste e como educação, networking e visibilidade continuam sendo fundamentais para transformar preparo em oportunidade.

Luiza Helena Trajano - Presidente do Conselho do Magazine Luiza e Presidente do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo