Dossiê HSM

Gaps de habilidades poderão nos fragilizar

O futuro do trabalho dos brasileiros inclui maior concorrência estrangeira, na visão das escolas de negócios
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

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O futuro talvez tenha uma uma péssima notícia para dar aos brasileiros: tendência como a disseminação do digital e a revolução 4.0, e maior internacionalização vão fragilizar uma boa parte dos trabalhadores, que têm pouco ou nenhum letramento em tecnologias digitais e em dados.

O gap de talentos já é brutal aqui – o Brasil perdeu oito posições no Ranking Global de Competitividade de Talentos, ocupando a 80ª colocação entre 132 países avaliados – e esse gap deve crescer, como avalia Elaine Tavares, diretora do Coppead-UFRJ. David Kallás, do Insper, descreve as três fluências que serão demandadas: (1) em dados e programação; (2) em estatística; e (3) em negócios. Isso sem falar nos cientistas de dados, que devem “ser disputados a tapa”, segundo ele.

Apesar de isso ser particularmente ruim para os trabalhadores, também não é bom para as empresas. “Sem pessoas qualificadas, elas vão ter de se mobilizar para contratar lá fora e pagar mais pelos poucos trabalhadores especializados locais”, comenta Elaine Tavares.

A possibilidade de competição com uma mão de obra estrangeira mais qualificada se tornou possível com a adesão ao trabalho remoto ocorrida durante a pandemia de Covid-19. Paulo Lemos, diretor de educação executiva da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, tem dúvidas sobre se esse movimento será definitivo. “As pessoas ficam eletronicamente dentro de caixinhas e há uma esterilização da comunicação”, avalia. Mas, pelo posicionamento público da grande maioria das empresas, o modelo de trabalho no pós-pandemia deve manter muitas funções exercidas a distância. Vale acrescentar que Lemos questiona se as empresas não estão pensando apenas no movimento tático para redução de custos e se esquecendo da estratégia da empresa.

Porém, os trabalhadores não terão dificuldades só pelos gaps de habilidade e pela potencial concorrência internacional. A provável mudança de políticas e práticas trabalhistas, para comportar o home office, deve adicionar pressão às pessoas para que adquiram habilidades rapidamente, como observa Fábio Borges, da ESPM-SP.

## O outro lado da moeda
O que é ameaça aos brasileiros também pode ser oportunidade, no entanto. Com o paradigma do trabalho remoto, nós também podemos ter uma oferta mais ampla de empregadores no mundo.
Em teoria, só a não fluência em outras línguas, sobretudo o inglês, pode ficar entre nós e o mundo.

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