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Gerenciando o Índice U do Tempo

O indicador do tempo despendido em atividades desagradáveis tem estado alto em sua empresa, fazendo a irritação ou a depressão prevalecerem? Você pode melhorá-lo com dois tipos de medidas
Elizabeth Dunn é professora de psicologia da University of British Columbia, e Michael I. Norton, professor de administração da unidade de marketing da Harvard Business School. São autores do livro Happy Money: The Science of Happier Spending

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**Vale a leitura porque…**

… gerenciar o tempo dedicado a atividades desagradáveis, medido pelo índice U, é uma necessidade cada vez maior na vida de qualquer profissional. … os gestores devem cuidar disso no nível pessoal e também no corporativo.

… casos de empresas como Intel, Home Depot e Google mostram que pequenas escolhas podem fazer grande diferença para melhorar o índice U, assim como a percepção de felicidade, de seus colaboradores. 

O tempo gasto de modo desagradável, quando a tensão, a depressão ou a irritação prevalecem sobre os sentimentos de satisfação e felicidade, está sendo medido por pesquisadores e gestores de recursos humanos. 

Trata-se do índice U (U-Index, em inglês), um indicador que comprovadamente pode ser melhorado com atividades prazerosas como a prática de esportes, a leitura e a oração.

É possível aperfeiçoar o índice U individual, por exemplo, usando o dinheiro ganho com o trabalho para viver mais dessas experiências gostosas, mas fazer isso seriamente não é fácil: exige repensar atividades diárias que consomem tempo e transformar decisões sobre dinheiro em decisões sobre tempo. 

As empresas podem ajudar seus colaboradores a melhorar o índice U [e beneficiam-se com isso em termos de produtividade], e algumas começam de fato a fazê-lo, principalmente de dois modos: 

• contribuindo para mudar sua percepção de que o tempo é escasso;

• orientando-os e apoiando-os para realocar seu tempo.

Pesquisas quantitativas têm comprovado tanto a relação direta entre a sensação de sobrar tempo e o bem-estar como o fato de que, quanto maior o valor do tempo de uma pessoa, mais ela se sente pressionada pelo tempo e mais tende a ficar estressada no dia anterior ao trabalho.

Um experimento do professor Sanford Devoe, da Rotman School of Management, também constatou a relação entre valor e percepção de escassez. Nele, alguns alunos foram selecionados para desempenhar o papel de consultores, realizando tarefas para uma empresa fictícia e cobrando por seu tempo. Metade deles cobrou US$ 0,15 por minuto (ou US$ 9 por hora), e os outros, US$ 1,50 (ou US$ 90,00 por hora). 

Aqueles que cobraram mais disseram se sentir mais pressionados, embora tivessem realizado as mesmas tarefas no mesmo tempo que os demais. Ao fazerem seu tempo valer bastante dinheiro, eles se transformaram em consultores muito mais estressados. 

Por que isso acontece? A escassez aumenta o valor e, da mesma forma, algo extremamente valioso é, em geral, percebido como escasso. Dessa maneira, à medida que o tempo das pessoas vale mais, elas tendem a enxergá-lo como mais desejado e mais escasso. 

**INOVAÇÕES DO GOOGLE NA PERSPECTIVA DO TEMPO**

Você provavelmente já ouviu falar que, no Google, os funcionários são pagos também para “não fazer seu trabalho”. Seus engenheiros são estimulados a trabalhar em qualquer coisa que eles achem realmente “legal”, fora de suas atividades cotidianas, e podem usar para isso até 20% de seu tempo.

Há estimativas que indicam que cerca de 50% dos novos produtos do Google são gerados nesse tempo livre dos profissionais. Embora nem todos se envolvam em projetos que utilizam o máximo dos 20%, a política determina a forma como as pessoas enxergam seu trabalho. “Saber que essa possibilidade existe faz com que elas se sintam mais livres. É culturalmente importante”, afirma Laszlo Bock, vice-presidente da área de gestão de pessoas do Google. 

**MUDANDO A PERCEPÇÃO**

Exemplos de empresas que têm tomado medidas para mudar a percepção dos colaboradores em relação ao tempo são Google [veja quadro acima], Intel e Home Depot.

A Intel começou por medir um “sorvedouro de tempo”. Percebeu que um funcionário seu recebe em média 350 e-mails por semana e dedica 20 horas para gerenciar esse fluxo de mensagens, apesar de 30% delas serem desnecessárias. 

Sabendo disso, a empresa criou as “terças livres de e-mails”, estimulando os profissionais a ficar quatro horas desconectados de suas caixas de mensagens e de seus telefones celulares. Assim, fez com que ganhassem um período ininterrupto para “pensar”. 

Ainda na Intel, os colaboradores podem tirar um período sabático de oito semanas a cada sete anos – todos os anos, um em cada 20 funcionários está em período sabático. Alguns viajam e passam o tempo com a família; outros se envolvem em trabalhos voluntários ou aproveitam para tocar um projeto de sua paixão. 

A empresa é radical em relação a esse período: o profissional que tira suas semanas sabáticas é excluído do e-mail corporativo e perde o acesso ao escritório. 

Já a varejista Home Depot entendeu a importância do trabalho voluntário para a questão. Desde os anos 1990, tem estimulado um relacionamento próximo com a organização não governamental Habitat for Humanity, por meio do qual seus funcionários voluntariamente contribuem com sua expertise na construção de casas para famílias de baixa renda – em um ano, 2011, os colaboradores da empresa no Canadá doaram milhares de horas para ajudar a erguer 244 casas. 

A Home Depot entra com o apoio financeiro para a aquisição do material de construção e os funcionários contribuem com seu tempo, nos fins de semana e nas férias. Ao doarem seu tempo livre, eles sentem ter mais horas sobrando e reduzem a percepção de valor de seu tempo, o que, por sua vez, eleva a satisfação com o trabalho e com a vida em geral. 

Quando se envolvem em trabalhos voluntários, mesmo que seja por meros 15 minutos, as pessoas sentem que possuem mais tempo livre em sua vida e aumentam a percepção de abundância de tempo, em oposição à de escassez. 

**REALOCANDO O TEMPO**

As empresas podem “provocar” os colaboradores a usar seu dinheiro para mudar a quantidade de tempo que dedicam a três atividades-chave: deslocamento, televisão e diversão com amigos e família.

**Deslocamento.** Levar uma hora ou mais para chegar ao trabalho (e o mesmo tempo para voltar) tem impacto negativo sobre o índice U – e o impacto sobre a sensação de felicidade é equivalente ao de estar desempregado.

De acordo com as pesquisas, aceitar trabalhar em um lugar mais distante que remunere melhor gera mais infelicidade, e comprar um carro de luxo para o trajeto não compensa isso.

O melhor, segundo diferentes medições, é permanecer no emprego perto de casa, mesmo ganhando menos. 

**Televisão.** Diversos estudos comprovam que se experimenta menos prazer assistindo à TV do que em formas mais ativas de lazer, como levar o cachorro para passear.

Em uma amostra de mais de 100 mil pessoas de 32 países europeus, quem via TV por mais de 30 minutos por dia estava menos satisfeito com a vida do que aqueles que assistiam por menos de meia hora. 

Apesar do baixo grau de recompensa emocional, a televisão ainda absorve a maior parcela do tempo livre. Tem uma grande vantagem: é barata. Trocar parte do tempo gasto diante da telinha por outras atividades, como sair com os amigos ou fazer um curso de artes, custa mais caro. 

No entanto, do ponto de vista do índice U e da felicidade, tudo indica que esse investimento vale mais a pena. 

**Amigos e família.** Um estudo recente com uma amostra representativa da população norte-americana indicou que brincar com os filhos produz mais sentimentos positivos do que qualquer outra atividade diária. E, nesse levantamento, 80% das pessoas, com ou sem filhos, disseram que gostariam de ter mais tempo com a família. 

Isso significa que trabalhar sempre até mais tarde para ganhar mais e poder comprar os brinquedos da moda para os filhos, como muitos fazem, pode se mostrar um caminho equivocado para a felicidade, porque o preço a pagar é menos tempo de convívio com eles. Aceitar uma redução salarial para ter mais tempo é algo a cogitar.

**Você aplica quando…**

… aumenta a percepção de tempo sobrando, para si mesmo e os subordinados, com a desconexão programada da internet por um período predeterminado e recorrente.

… reduz a percepção de valor do tempo (e, consequentemente, a de escassez) ao “desperdiçar” tempo em atividades não remuneradas.

… realoca o tempo, reduzindo as horas despendidas em deslocamentos e televisão e aumentando as dedicadas ao convívio com família e amigos.

… passa a tomar decisões com base no tempo e não no dinheiro.

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